Cápsulas do Tempo: Os circuitos míticos da Fórmula 1

Competição 20 Mar 2020

Cápsulas do Tempo: Os circuitos míticos da Fórmula 1

Por Pedro Pais Cardoso

Numa altura em que o mundo está em suspenso pelo COVID-19, no qual as provas desportivas não são excepção, e sabendo desde já, que a temporada regular de F1 não regressará pelo menos até ao fim do mês de maio deste “estranho” ano de 2020, lembrei-me de revisitar alguns circuitos que integraram o calendário da modalidade rainha do desporto automóvel, e que nos trazem gratas memórias das provas aí realizadas ao longo de vários anos.
 
Esta é uma viagem pessoal a alguns circuitos que, tal como a mim, deixam saudades à maioria dos amantes do desporto automóvel e cujo regresso veriam com bons olhos.
 
Não recordo provas realizadas em todos os circuitos que aqui elenco, como é o caso do Grande-Prémio do Brasil no circuito de Jacarepaguá, no entanto, a importância de cada uma destas localizações sobreviveu de alguma maneira ao passar do tempo, e por isso merecem ser aqui registadas, para memória futura, caso algum dia voltem ao primeiro plano do calendário da F1.

#1 Magny-Cours (França)


 
O circuito de Nevers Magny-Cours, já que fica situado entre estas duas localidades no centro de França, deixou de fazer parte do calendário da F1 em 2008, alternando a sua importância com outro circuito francês – Paul Ricard – que integra o calendário actual do campeonato de F1. Durante alguns anos funcionou nas suas instalações a prestigiada escola de pilotagem Winfield, de onde saíram, entre outros, pilotos como François Cevert, Didier Pironi ou Jacques Laffite.

#2 Autódromo Juan e Óscar Galvez (Argentina)


 
Aqui se realizaram, de forma alternada, entre 1953 e 1998, vinte Grandes Prémios da Argentina. Inaugurado em 1952 na belíssima cidade Buenos Aires, daqui saíram vitoriosos nomes tão importantes como Juan Manuel Fangio, Jackie Stewart ou Michael Schumacher.

#3 Watkins Glen (Estados Unidos)


 
Este famoso circuito recebeu também 20 Grandes Prémios, mas de forma contínua, entre 1960 e 1980. Era já um circuito importante no panorama automobilístico internacional antes da chegada da F1, pois já era palco importante da Fórmula Indy antes de ficar conhecido durante 20 anos como localização do Grande Prémio dos Estados Unidos.

#4 Zandvoort (Países Baixos)


 
Idilicamente situado junto ao mar, era conhecido no seu traçado original pelas suas curvas rápidas e desafiantes. Entrou no calendário da F1 em 1952, realizando-se aí Grandes Prémios até 1985. Hoje em dia ainda existe, mas com uma configuração diferente e mais compacta do que na data da sua inauguração.

#5 Hockenheim (Alemanha)


 
Outro circuito cujo traçado original deixa saudades, é o velhinho circuito de Hockenheim, hoje apenas concentrado na parte esquerda da foto que aqui vos apresento. O anterior traçado, também visível na foto, incluía a parte da floresta, com longas rectas entrecortadas por chicanes, era bem mais rápido, imprevisível e por isso mesmo, bem mais assustador.

#6 Adelaide (Austrália)


 
O circuito citadino de Adelaide, remete-me de imediato ao momento em que se decidia a malfadada época de 1994. Decidia-se então o campeão em título, Schumacher ou Hill (que assumiu o volante do Williams deixado vago pela morte de Senna) quando numa das curvas deste apertado circuito citadino, Schumacher “fecha a porta” a ultrapassagem certa do piloto britânico, levando ao abandono de ambos, e sagrando-se o alemão campeão mundial de F1 pela primeira vez. Hoje em dia a prova australiana também se realiza em cidade, Melbourne, mas este circuito de Adelaide deixa saudades.

#7 Montjuic (Espanha)


 
Voltando à Europa, outro circuito citadino que nos trouxe grandes momentos de pilotagem foi o circuito de Montjuic, que serpenteava pelas encostas de montanha homónima na cidade de Barcelona. Realizaram-se quatro Grandes Prémios entre 1969 e 1975, sendo o último ganho pelo alemão Jocken Mass no seu McLaren-Ford.

#8 Fuji (Japão)


 
Na minha opinião o mais impactante e mais dramático dos circuitos, acima de tudo pela paisagem envolvente. Com o Monte Fuji ao fundo, era um dos circuitos mais amados pelos pilotos daquela época (1976 e 1977) onde a idolatria dos adeptos japoneses e o fuso horário no qual decorria, tornavam esta prova do calendário em uma das mais especiais para os pilotos. Aqui se discutiu a última prova do famosíssimo campeonato de 1976 ganho por James Hunt, após desistência de Niki Lauda. Regressou em 2007 e 2008, como alternativa ao também espectacular circuito de Suzuka.

#9 Imola (Itália)


 
Para sempre na memória de todos os amantes do desporto, como o circuito onde em maio de 1994 Ayrton Senna e Roland Ratzenberger perderam a vida no mesmo fim-de-semana, o “Autodromo Enzo e Dino Ferrari” será sempre recordado como um dos mais importantes de sempre da modalidade, especialmente em dias de vitória da Ferrari, onde os tiffosi presentes faziam sentir a sua paixão por este desporto e pela sua amada Scuderia.

#10 Jacarepaguá (Brasil)


 
Menos famoso que o seu congénere “paulista” – Interlagos – o Autódromo Internacional Nelson Piquet nas margens da lagoa de Jacarepaguá, ainda hoje permanece na memória dos adeptos brasileiros como a localização da estreia em solo brasileiro do jovem Ayrton Senna da Silva, ao volante de um Toleman-Hart em 1984. Foi palco do Grande Prémio do Brasil em 1978, de 1981 a 1989 e demolido em 2012 para dar início às obras dos jogos olímpicos de 2016 na cidade do Rio de Janeiro.

#11 Kyalami (África do Sul)


 
A norte de Joanensburgo, o circuito de Kyalami é um dos históricos circuitos que recebeu pelo menos 20 Grandes Prémios no seu asfalto. A primeira prova realizou-se em 1967 e a última em 1993. O Rei deste circuito foi o malogrado Jim Clark, com um total de quatro vitórias, e o último piloto a aqui obter uma vitória foi o francês Alain Prost no seu Williams-Renault.

#12 Estoril (Portugal)


 
Por último, e aquele a que aos portugueses mais nostalgia evoca, é o não menos especial Autódromo Fernanda Pires da Silva, o nosso Autódromo do Estoril. Para além da localização privilegiada na Costa de Prata Portuguesa, era considerado por muitos, ao longo das suas treze edições, como um dos mais entusiasmantes e tecnicamente exigentes circuitos do calendário. Realizou-se aqui o Grande Prémio de Portugal entre 1984 e 1996, tendo como primeiro vencedor Alain Prost, e último, o canadiano Jacques Villeneuve.
 
Cumpro assim um pequeno apanhado das provas de outros tempos que deixam saudades, e que permanecem na memória colectiva dos amantes da F1, no entanto, gostaríamos de saber que outros circuitos incluiriam e que necessariamente deveriam constar da lista dos grandes circuitos de outrora!


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Quanto a outros circuitos que aqui poderiam ser abordados, refiro por exemplo o circuito de Charade (Clermont Ferrand) em França e Nivelles na Bélgica. Ainda na Bélgica, o velho Spa-Francorchamps com os seus cerca de 15 km que incluiam as curvas de Malmédi e a assustadora recta de Masta.
Continuando na Europa, Anderstorp na Suécia onde ocorreu a única vitória de um carro-aspirador (Brabham BT46B).
Por fim, o mais mítico de todos, o Nordschleife junto ao castelo de Nurburgring que lhe dá o nome.

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A Costa de Prata está associada à zona de Espinho e não à antiga Costa do Sol, hoje Costa do Estoril.

Gostei de revisitar estes circuitos mas, estranhamente, sempre que via uma destas fotos, lembrava-me dos acidentes dramáticos onde em alguns deles pilotos perderam a vida.