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Ferrari 512S Modulo, de protótipo a um automóvel completamente funcional
No Salão Automóvel de Genebra de 1970, a Pininfarina apresentou esta protótipo fenomenal, o Ferrari 512S Modulo, ou conhecido somente por Ferrari Modulo, com o desenho da carroçaria a cargo de Paolo Martin, o mesmo que concebeu o Fiat 130 Coupe, apresentado uma forma muito baixa e em cunha, muito tradicional na época. O acesso ao interior é feito por uma única abertura em cúpula, que desliza para a frente.
A base para a produção do Modulo foi de um automóvel de competição, o Ferrari 512S, com o chassis e mecânica número 27, que servia de dador de peças aos 25 construídos para homologação e que, posteriormente, foi convertido num 612 Can Am, com o chassis número 864, antes de terminar a sua carreira desportiva e passar a ser um show car. Originalmente, a Pininfarina pintou o Modulo de azul, posteriormente de preto, passando a ser branco para a Osaka Expo de 1970. Após a exposições e de ter ganho prémios de design, o Modulo foi para as instalações da Pininfarina, onde permaneceu até 2014.
As quatro rodas estão parcialmente cobertas e, para a respiração do motor, foram abertos 24 buracos na cobertura do motor em vidro. Por falar em motor, esse é um V12 de 5,0 litros de cilindrada, que desenvolve 550 cv, podendo chegar aos 354 km/h e atingir os 100 km/h em 3,0 segundos.
Em 2014, a Pininfarina vendeu o 512S Modulo a James Glickenhaus, conhecido produtor de cinema e pela empresa que fundou para a construção de automóveis desportivos, a Scuderia Cameron Glickenhaus. Passados estes 50 anos, o Ferrari Modulo pode finalmente circular pelos seus próprios meios e na via pública.
Quando Glickenhaus o adquiriu na falência da Pininfarina, o seu objectivo sempre foi restaurá-lo e metê-lo em perfeito funcionamento e isso incluía poder registá-lo para circular nas estradas públicas. Isto porque, todos os automóveis da sua colecção estão registados para circular na via pública e têm seguro, inclusivamente os automóveis de competição e o Modulo não poderia ser uma excepção.
O problema da direcção pensava-se ser devido às rodas parcialmente cobertas, no entanto, veio a confirmar-se não ser verdade, tudo porque a certa altura da vida do Modulo, alguém montou a caixa de direcção ao contrário.
Após o restauro, o Ferrari Modulo foi conduzido pela primeira vez em Junho de 2018. No Verão de 2019, apareceu o primeiro problema, quando o automóvel começou a arder, no Mónaco, devido a um escape defeituoso. As chamas não causaram muitos estragos, danificando somente a pintura e os farolins traseiros.
Nessa altura, algumas vozes indicaram que Glickenhaus deveria deixar o Modulo como é e construir uma réplica para o poder utilizar na via pública. Mas esse não é o lema de Glickenhaus, pois todos os automóveis devem ser conduzidos. E algo muito importante, é que mesmo após as modificações efectuadas para poder circular na via pública, estas não sacrificaram em nada o aspecto original do Ferrari 512S Modulo.
Mas quais as modificações efectuadas para o automóvel poder ser registado? Pois bem, foram as portas de acesso ao radiador e bocal de enchimento de combustível operadas electronicamente, espelhos retrovisores exteriores Sebring da época, pneus BF Goodridge da época, sistema de limpa pára-brisas, ventilação do habitáculo e um sistema de escape novo e maior. No entanto, ainda precisa de rever alguns pontos, como o trancamento da cúpula, algo que a Pininfarina não necessitava de se preocupar, quando produziu o protótipo em 1970.
Como curiosidade, o Modulo foi registado no estado de Nova Iorque, como um “Ferrari Sedan”, pois naquele estado não existe nenhuma categoria com automóveis de uma só porta de entrada, nem para este modelo em específico.
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