Bill Thomas Cheetah, o rival esquecido do Shelby Cobra

Competição 11 Mar 2020

Bill Thomas Cheetah, o rival esquecido do Shelby Cobra

Qualquer entusiasta, de certo, que conhece bem o Shelby Cobra, um icónico automóvel da década de 60, fora e dentro das pistas e que, ainda hoje, anima qualquer competição ou evento de clássicos. No entanto, existe um grande rival deste que está caído no esquecimento de nome Cheetah e produzido por Bill Thomas. Este homem era um conhecido preparador de automóveis da General Motors, tendo preparado vários Bel Air, Corvair e Corvette para a SCCA. Mas com a entrada dos Cobra, estes dominaram largamente as pistas.
 
Com isto, a Chevrolet decidiu que não conseguia fazer frente ao Cobra e então acordou com Thomas para este desenvolver algo capaz, com a ajuda de Vince Piggins da General Motors Performance Product Group. Os trabalhos no Cheetah iniciaram-se em 1963, com grande parte dos componentes oriundos da Chevrolet e, os restantes, de outras marcas da GM. O design esteve a cargo do próprio Thomas e de Don Edmunds.
 
Vários foram os motores que equiparam o Cheetah, desde o Small Block 327 até ao 377, extraído do Corvette Grand Sport, tanto com carburadores Weber, como com injecção Rochester. Mas o melhor, era sem dúvida, o último motor alargado por Thomas para 6.276 cc e equipado com a injecção Rochester, afinada pelo próprio, onde a potência ia até aos 500 cv. Acoplado aos motores estava uma caixa Muncie, de quatro velocidades manuais. A suspensão traseira é independente. A travagem estava a cargo de quatro tambores, idênticos aos utilizados na NASCAR, isto porque Thomas estava limitado às peças GM.

 
Todo o automóvel foi desenhado à volta do motor, com o V8 no centro, envolto num chassis tubular em crómio-molibdénio soldado a TIG, coberto pela carroçaria em fibra de vidro, apesar de dois exemplares terem sido construídos com carroçaria em alumínio. Por esse facto e, apesar do motor estar montado na frente, é um automóvel de motor central, pois o compartimento do motor está atrás do eixo da frente. O habitáculo fica praticamente em cima das rodas traseiras, tendo, por isso, uma frente bastante longa.
 
Outro facto estranho do Cheetah, é a caixa de velocidades estar muito próxima do eixo traseiro, esta não tem um eixo até ao diferencial, estando este acoplado à própria caixa, o que na teoria leva a uma menor perda de potência mecânica, significando mais potência nas rodas.
 
O Cheetah poderia atingir os 338 km/h de velocidade máxima, valor incrível para os anos 60. Tinha uma distância entre eixos bastante curta, de 2286 mm, um comprimento de 3556 mm, uma largura de 1753 mm e uma altura ao solo de 127 mm. O peso, apear de não haver dados concretos, andará à volta dos 800 a 900 kg.
 
Mas, o Cheetah foi desenvolvido como um GT e não como um verdadeiro automóvel de competição, porque Thomas só queria demonstrar à GM o que seria capaz de produzir e, por isso, o chassis não era suficientemente rígido. Além disso, por não ter cumprido com a produção dos 100 exemplares exigidos, os Cheetah competiam na categoria dos Special, não tendo grandes resultados, apesar de até ser competitivo. No entanto, conseguiu provar que se a Chevrolet entrasse mais no projecto, poderia ter originado uma máquina demolidora, visto que o financiamento foi feito por investidores privados, pelo próprio Thomas e por John Grow, da Rialto California Chevrolet.
 
Outro problema é que a meio da década de 60, os motores à frente do habitáculo tornaram-se obsoletos, devido ao aparecimento dos automóveis de motor central traseiro, como o Ford GT40. Além disso, os modelos construídos para homologação, passaram de 100 para 1000 o que, a juntar ao o incêndio que destruiu as instalações de Bill Thomas, o desfecho não poderia ser outro. O projecto foi descartado e o último Cheetah foi entregue em Abril de 1966. Não existe um número total de unidades produzidas, devendo rondar os 15 e 25 exemplares.
 

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