Austin Seven, quando menos significa revolução

Clássicos 05 Fev 2020

Austin Seven, quando menos significa revolução

Por Marcos Santos

Ninguém fica indiferente a um ícone dos anos 30. Não é preciso pesquisar muito, nem ser um fanático por automóveis clássicos para perceber quando estamos perante uma pérola com quase um século de vida e que ainda rola com todo o esplendor.
 
É nesse momento que a curiosidade nos invade e nos faz querer saber qual é a raridade que está à nossa frente. Pois bem! O que fazer quando nos deparamos com uma beldade destas? Uma beldade simples e prática, com tudo aquilo que um automóvel precisa. Quatro rodas, duas portas, um volante, três pedais, bancos pequenos, mas quase sofás e vidros, vá lá.
 
Num simples dia de 2019 deparei-me com um Austin Seven. Julgo que só tinha visto um em toda a minha vida e estava tão protegido dos olhares que mais parecia ser um espécime raro de uma colecção. No quotidiano nunca me tinha sido dado o privilégio de ver um Austin Seven, muito menos tão próximo e tão disponível. Carroçaria impecável, coberta por aquele pó típico de “barn find”, que protegia uma tinta uniforme e sem qualquer mácula.

 

 
Bancos robustos, bem tratados, confortáveis e toda uma aura dos anos 30 que nos convida a conhecer melhor este automóvel que nasceu em 1922 e foi produzido até 1939, contando com cerca de 300.000 unidade vendidas.
 
Tratando-se de um projecto pessoal de Herbert Austin, após ser vetado pela administração da sua própria marca, este automóvel foi concebido para fazer face às necessidades do povo britânico que em 1922 vivia um período de depressão pós-guerra. Como tal, era necessário um automóvel barato e para isso tinha que ter baixa potência, para ser taxado da mesma forma.
 
O Austin Seven era um automóvel pequeno, simples e adequado às ruas e estradas que atravessavam os campos britânicos, ganhando vantagem ao Ford T, que também dominava o mercado automóvel nos Estados Unidos, pelas suas características mais simplistas.
 
À custa da sua simplicidade e preço, permitiu massificar a circulação automóvel e revolucionar a mobilidade em tempos de recuperação económica, contribuindo fortemente para o que ficou conhecido por “Sunday Drive”.
 
O Austin Seven deu a oportunidade às famílias britânicas de conhecerem melhor o seu próprio país e desfrutar das paisagens verdejantes do interior e do vento marítimo junto à costa.
 
Este automóvel passou por diversas versões e melhorias, mas a que destacamos é a versão Ruby, produzida de 1934 em diante, que contrastava com a opulência do Rolls-Royce Phantom II, construído em 1937.
 
A mobilidade dos britânicos e o mundo ganharam muito com a criação do Austin Seven em 1922. Hoje, quase 100 anos depois, ganhámos todos nós com a história, legado e revolução causada por este modelo, que impressiona pelo seu tamanho reduzido, mas com uma alma e distinção intemporal.


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