Mercedes-Benz C112, o superdesportivo que nunca chegou ao mercado

Modernos 09 Jan 2020

Mercedes-Benz C112, o superdesportivo que nunca chegou ao mercado

Por Tiago Nova

O Mercedes-Benz C112 é um automóvel desportivo experimental de motor central, criado em 1991 pela Mercedes-Benz para testes, à semelhança do que aconteceu nas várias versões do Mercedes-Benz C111. Apesar de usar o mesmo número, nada tem a ver com os modelos dos anos 60, o Mercedes-Benz W112. O C112 é também a versão de estrada do protótipo de Grupo C, o Mercedes-Benz C11, construído pela Sauber, que venceu o Campeonato Mundial de Sports-Prototype de 1990. A vitória motivou os engenheiros da Mercedes-Benz a fazer um automóvel que pusesse à prova as tecnologias implantadas na competição. O C112 foi apresentado no Salão Automóvel de Frankfurt de 1991, o designer que esteve a cargo este projecto foi Bruno Sacco.
 
O C112 está equipado com o novo motor 6.0 litros V12 de 48 válvulas construído em liga de alumínio e os cilindros em Nicasil, com uma potência de 408 cv às 5200 rpm e o pico de binário de 580 Nm. Montado numa posição central traseira, está acoplado a uma caixa de seis velocidades manual que emite a potência para as rodas traseiras.

As maiores tecnologias testadas neste veículo

 
Active Body Control (ABC)

 
Foi desenhado para controlar a estabilidade do veículo através da combinação de molas e amortecedores activos em cada roda, com sensores que monitorizam os movimentos do veículo. A centralina acede à informação dos sensores e ajusta a suspensão de acordo com os parâmetros e as condições.
 
Aerodinâmica Activa
 
Funciona através do spoiler frontal e da asa traseira, que podem mover-se para garantir uma óptima combinação de baixo arrasto e alta força descendente, este sistema é controlado electronicamente. A asa traseira tem três posições, no neutro faz parte integrante da secção traseira e faz com que o C112 tenha um Cd de cerca de 0.30. A segunda posição faz com que a asa deslize sob a traseira, prolongando a secção traseira, e em situações mais extremas, altera o ângulo de incidência até 45 graus. A asa traseira também é usada para melhorar a travagem em situações de emergência, no entanto, esta tecnologia só entrou em produção, quando foi lançado o Mercedes-Benz SLR McLaren. A adição de mais spoilers prejudicaria o arrasto e por isso, os engenheiros aplicaram a tecnologia do “efeito-solo”, derivada das competições de Grupo C. A Aerodinâmica Activa entra em acção, quando a ECU detecta que os pneus estão a perder aderência e é nesse momento que os spoilers fazem o seu trabalho. Inicialmente eram activados por um motor eléctrico, mas era lento demais, e então implantaram um sistema hidráulico.
 
Portas “asa de gaivota” ou Gullwing
 
Foi também o primeiro automóvel desde o C111, a ter portas “asa de gaivota”. Desde os anos 50 que têm sido símbolo dos automóveis desportivos da Mercedes-Benz. As portas abriam e fechavam com a ajuda de um sistema hidráulico quando era pressionado um botão.
 
Outras
 
Tem os mais recentes sistemas (na altura) de anti bloqueio das rodas na travagem (ABS) e anti derrapagem (ASR), que altera a pressão de travagem entre as rodas da frente e de trás. Outra tecnologia, é o eixo traseiro autodireccional activo, chamado de “cybernetic”, que garante grande estabilidade em curvas de alta velocidade, pois este carro ultrapassa os 300 km/h. Foi dos primeiros automóveis a ter sensor de pressão dos pneus, que alerta o condutor caso haja perca de pressão. Tem também radar que monitoriza a distância ao veículo da frente e ainda muitos sensores que monitorizam o funcionamento dos sistemas de direcção, embraiagem, travões, portas, bancos, controlo automático da temperatura e o ajuste dos espelhos.
 
A carroçaria foi feita na Coggiola, em Turim, Itália. Era rebitada directamente no subchassis, o pára-choques frontal é feito em Kevlar. O chassis monocoque em alumínio pesava apenas 59 kg. A Mercedes-Benz abandonou o conceito dos faróis escamoteáveis, pois podem destabilizar o automóvel e prejudicar a aerodinâmica, em contrapartida os faróis foram colocados atrás dos vidros, tecnologia inspirada no protótipo C111-III. A suspensão traseira era baseada nos Mercedes-Benz 190, a five-link, com triângulos sobrepostos na frente e traseira. As jantes eram feitas numa peça só em magnésio, produzidas pela Speedline, de 17”, com pneus Michelin ou Goodyear. Os travões eram de discos ventilados, feitos de ferro fundido, da Brembo, com maxilas de quatro pistões e calços da Pagid.
 
O motor foi considerado o mais potente do mundo para um automóvel de estrada e fazia os 0 aos 100 km/h em 4.9 segundos. O C112 teoricamente alcança os 312 km/h. Apesar de a Mercedes-Benz ter recebido mais de 700 encomendas, este modelo nunca entrou em produção.
 

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TAGS: Mercedes-Benz C112


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