Ayrton Senna: Carros versus aviões

Arquivos 22 Dez 2019

Ayrton Senna: Carros versus aviões

Por Irineu Guarnier

Ayrton Senna também pilotava aviões e helicópteros. Mas dizia que preferia os carros. Compreensível – Senna era viciado em adrenalina. Os aviões, embora muito mais velozes do que os automóveis, não oferecem a mesma carga de adrenalina que experimenta quem pilota um carro de corrida.
 
Nas pistas, a velocidade do carro parece maior que a do avião. As reações à aceleração, à frenagem, às mudanças de direção, são imediatas. É uma pilotagem nervosa, ágil, agressiva, quase instintiva. Quem já pilotou um kart de competição, por exemplo, sabe disso.
 
A pilotagem de aviões é mais cerebral, técnica, fria (se não forem aeronaves acrobáticas ou de caça, claro). Quanto maior o avião, maior é a inércia; mais lentas são as respostas aos comandos de acelerar, subir, mudar de direção. Pilotar uma jato comercial, mal comparando, é quase como conduzir um grande barco – percebe-se isso até mesmo num bom simulador.
 
As respostas aos comandos são quase preguiçosas. Os motores à reação demoram até 7 segundos para responder ao avanço das manetes de potência (o equivalente ao pedal de acelerador dos carros). Lentas também são as respostas aos movimentos do manche (que comanda os ailerons, nas asas, e os profundores, na cauda), para baixo, para cima, para os lados. E dos pedais (que comandam o leme vertical de direção).
 
O piloto tem de estar com a cabeça sempre alguns segundos à frente do que deseja fazer. Isso pode ser estimulante – mas não para quem busca adrenalina pura na condução de uma máquina. Por isso, Senna preferia os carros.
 
Carros e aviões têm comportamentos completamente diferentes. Mas a pilotagem de cada um tem o seu charme e o seu fascínio.


Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.


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