Royal Tank Museum da Jordânia, um museu de peso

Clássicos 04 Nov 2019

Royal Tank Museum da Jordânia, um museu de peso

Por Tiago Patrício Gouveia

Inaugurado em Fevereiro de 2018, o Royal Tank Museum, localizado em Amã, é provavelmente o mais moderno e museologicamente actualizado museu de tanques do mundo. Demorou dez anos a ser idealizado, construído e inaugurado, mas o resultado está à vista. Localizado a sul da capital da Jordânia, junto a uma das principais saídas da cidade, destaca-se pela imponência e modernidade do edifício. Este projecto, construído de raiz com a finalidade de albergar o Tank Museum, tem, apropriadamente, um desenho inspirado nas formas das blindagens dos carros de combate.
 
Uma vez lá dentro, o pé direito do edifício, o espaço desafogado da entrada e as linhas modernas da construção, os tanques que conseguimos já ver, o helicóptero Apache a “voar” a dez metros do chão, pendurado no tecto, deixam antever uma visita interessante.
 
Começamos a visita, guiados pelo ex-comandante de um tanque, na mesma divisão onde o actual rei da Jordânia fez o início da sua carreira militar, que imediatamente avisou que a visita ia durar cerca de três horas. Surpreendidos, mas felizes por saber que a tarde estava livre, começámos por ser esclarecidos sobre o significado das diversas bandeiras, associadas de cada divisão de tanques e de carros blindados. Este foi sempre um ponto importante de distinguir durante toda a visita, carros blindados são diferentes de tanques de guerra. Tipicamente, um tanque é fechado, tem armadura a toda à volta e, se for de combate, algum tipo de armamento ofensivo.

 
O que este museu tem de mais genial é a forma como aborda o tema destes veículos de guerra. Seria uma tarefa praticamente impossível, e certamente frustrante, tentar ter num museu todos os exemplares deste tipo de veículos alguma vez construídos. Arranjar um subtema dentro do tema é certamente aconselhável quando estamos a falar de máquinas grandes, pesadas, difíceis de mover e que ocupam muito espaço. A escolha feita não podia ser mais sensata: expor os veículos associados à história militar da Jordânia.
 
A visita começa assim com uma breve explicação da necessidade de armadura, exemplificada, do lado esquerdo do corredor, por um cavalo e cavaleiro com uma armadura e um desenho de um tanque de madeira de Leonardo da Vinci e, do lado direito, pelo mais actual tanque de combate das Forças Armadas da Jordânia, um Challenger 1, adaptado pelo Departamento de Design e Desenvolvimento Rei Abdullah II, conhecidos como Tanque Al-Hussein. Este exemplar exposto foi utilizado pelo actual rei, comandante supremo das forças armadas, facto que ajuda a explicar a existência deste extraordinário museu.
 
A partir deste ponto entramos na visita propriamente dita, organizada pelos períodos militares de maior significado para este país. Começa com a luta pela independência e a Grande Revolta Árabe, com um enorme diorama e mural, tendo como peça central um Rolls Royce Silver Ghost blindado de 1916. Passamos brevemente pela Primeira Guerra Mundial, com um exemplar do primeiro tanque construído e uma bem construída estante com equipamentos e armas desse período, passando depois para uma sala com tanques da Segunda Guerra Mundial, tanto das forças aliadas como dos italianos, alemães e russos, incluindo um Panzer IV, Panther, Churchill e T-34.
 
Passamos de seguida para o espaço da Legião Árabe, que deu origem às Forças Armadas da Jordânia, no qual vemos um enorme diorama com a muralha de Jerusalém, onde as forças jordanianas lutaram em 1948. A sala seguinte, com elaborados dioramas e morais, com tanques e carros de combate expostos nos cenários, alusiva à Batalha de Karameh, em 1968, expõe tanques da Jordânia e de Israel, como um M48 Patton, A3 Halftrack e M50 Super Sherman.
 
Continuamos a visita para vermos os tanques usados nas batalhas com Israel (ou o país a Oeste ou país começado por I, como deve ser referido por aquelas partes) e usados pelo Rei Abdullah II, bem como uma sala onde se pode ver um muito didáctico tanque seccionado, onde é possível passar pelo meio do tanque, bem como perceber o funcionamento das lagartas e munições.
 
Antes da sala onde se pode vislumbrar a simulação de tanques em combate, passamos por uma área com os essenciais, mas menos vistos tanques de apoio. Aqui podem ver-se os tanques ponte, grua, remoção de minas, treino e comando. Os tanques de treino e a torre de treino podem ser vistos de perto, acessíveis com uma escada montada para o efeito, embora não se possa entrar lá dentro.
 
No total, o Royal Tank Museum expõe cerca de 120 veículos, entre carros blindados e tanques, muitos dos quais em estado de funcionamento. Têm, noutras instalações, o Departamento de Conservação e Restauro, onde guardam cerca de 50 veículos. Um aspecto interessante deste projecto é a existência de uma pista exterior, para demonstrações, que acontecem uma vez por mês, e que foi pensada desde a concepção do projecto. Pavimentada em cimento, para garantir o conforto do público, evitando o pó fino típico desta região, mas também para a conservação dos veículos.
 
Se algum dia decidirem visitar a Jordânia, tentem marcar a viagem de acordo com as demonstrações dos tanques, vale a pena.
 

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