Snapshot: Defender Lisboa

Arquivos 02 Nov 2019

Snapshot: Defender Lisboa

Por Ricardo Grilo

Desde o tempo da Guerra Peninsular que o governo de Portugal compreendera a necessidade de concentrar as forças militares disponíveis na protecção de Lisboa, como meio de sobrevivência a uma qualquer invasão do país. Ao longo dos anos foram sendo elaborados diversos planos para uma linha de defesa que pudesse deter um avanço inimigo (provavelmente espanhol ou francês) até à chegada de reforços britânicos ou até a família real (ou mais tarde o governo republicano) ter tempo de se retirar para as ilhas.
 
A ideia inicial passava pela reconstrução e modernização das Linhas de Torres, mas rapidamente se chegou à conclusão que não existiam efectivos disponíveis para guarnecer uma linha de defesa tão alargada. Por isso em 1899, no reinado do Rei D.Carlos, foi decidido criar o Campo Entricheirado de Lisboa, uma linha de fortes em volta da capital – entre Sacavém, Caxias e Oeiras – ligada por uma estrada militar que em boa parte corria em perfil de trincheira.
 
Para defesa do Tejo, o comando do Campo Entrincheirado contava com o apoio de uma pequena frota de navios que incluía o renovado Couraçado Vasco da Gama – a fazer as vezes de bateria flutuante contra ataques marítimos – e uma pequena esquadrilha de quatro navios-torpedeiros.

 
Bastante rápidos para os padrões da época, os modernos torpedeiros tinham sido construídos na década de 1880 no estaleiro da Yarrow no Reino Unido. O primeiro tinha sido o Espadarte, construído em 1882. Logo em seguida, em 1886, foram encomendados mais três embarcações realizados à imagem do “Espadarte”. Em conjunto dariam início ao emprego dos modernos torpedos na Armada Portuguesa. Com a chegada das três unidades da “Classe Número 2”, o Espadarte seria renomeado Torpedeiro Nº 1. Em conjunto, esta esquadrilha de torpedeiros iria servir na Marinha Portuguesa até 1920.
 
Na foto colorida vemos o torpedeiro “N.º 1”, anteriormente designado por “Espadarte,” ancorado na baía de Cascais, provavelmente nos primeiros anos do Século XX.
 

 
De linha esquia, estava equipado com um motor de 700 HP e podia alcançar 19 nós (35 km/h). Como armamento possuía dois tubos lança-torpedos e duas metralhadoras (suponho que do tipo Nordenfeldt), representando então a arma mais sofisticada da Marinha Portuguesa.
 
Na foto, à esquerda, vemos o antigo Casino da Praia que tinha sido edificado em 1873 sobre a muralha que ligava os dois baluartes da Praia da Ribeira. Iria funcionar até ao final dos anos 30, sendo de algum modo vencido e substituído na sua função pelo Casino Estoril (sendo em seguida demolido).
 
Imagem colorida por Ricardo Grilo



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