ZIL 41047, um clássico de imponente austeridade

Clássicos 26 Set 2019

ZIL 41047, um clássico de imponente austeridade

Por Edgar Freitas

Nascido no seio da pátria soviética, este clássico foi incumbido da árdua responsabilidade de transportar a cúpula soviética durante o tempo que permaneceu ao serviço. É da minha opinião, que os automóveis do lado de lá da cortina de ferro são, de algum modo, pouco apreciados. Embora captem o olhar pela sua exclusividade e raridade nas exposições, são, na generalidade, pouco apreciados.
 
As razões são distintas e discutíveis, mas há um traço comum, a austeridade estilística. Existem também traços peculiares, dos quais gostava de destacar a robustez e a praticidade no seu sentido simplista. Posto isto, os automóveis na antiga união soviética, não só estavam reservados a certas classes, como eram idealizados como um meio de transporte no seu sentido puro.
 
No ocidente, os automóveis eram, e ainda são, objectos de expressão artística, motivo de paixões, alegrias, emoções e desilusões. Para o camarada, a desilusão nem se quer se punha, pois, sabia exactamente com o que contar da sua  orgulhosa indústria automobilística soviética.
 
Toda esta introdução serve de contexto para apresentar um clássico que considero tudo menos vulgar: o ZIL 41047. Até o nome é sinónimo de simplicidade e austera imponência!
 
As primeiras letras são referentes à fábrica, Zavod Imeni Likhachov, isto é, fábrica em nome de Likhachov, que foi por esta responsável durante muito tempo.  A fábrica teve muitos nomes, devido à influência dos vários líderes comunistas ao longo do tempo, mas 1956 adquiriu definitivamente esta designação.
 
Se as letras são simples, os números são imponentes! Com cinco algarismos, dificilmente encontramos um modelo cujo nome possa ser tão frio e austero, 41047.
 

 
O ZIL 41047 sucede ao ZIL-4104 como limusina presidencial, incluindo o mesmo luxo e robustez. A construção destes modelos foi feita sob rigorosa supervisão da KGB, que dispunha de uma divisão especial para a manutenção e preservação destes automóveis enquanto no activo. Estima-se que esta limousine seja equipada com vidros tri-camada, com capacidade anti-bala e segundo alguns experts, protecção contra radiação. Os interiores revestidos a madeira de bétula, o chão forrado de carpete e o espaço para uma viagem confortável para sete pessoas, fazem deste clássico um achado para coleccionadores. Isto, claro, sem ter em conta a história do veículo.
 
Pesando perto de três toneladas e meia, foi necessário provir este peso pesado com um motor V8 de 7,7 litros! O motor estava acoplado a uma caixa automática de três velocidades, debitando cerca de 315 cavalos e uns estonteantes 608 Nm de binário às 2500 rotações.
 
A audácia de testar este automóvel foi de tal forma impressionante, que a velocidade máxima oficial foi relatada como sendo «não menos de 190 km/h com dois passageiros».
 

 
Baseados na mesma plataforma, foram ainda construídas as versões de sedan, descapotável e carrinha funerária. Todas estas versões diferiam do 41047 na distância entre eixos, que na limousine era de 3.8 metros, contrastando com os 3.3 metros nas restantes.
 
Após a queda da União Soviética, alguns coleccionadores afortunados do ocidente adquiriram alguns exemplares, que ainda inspiram temor quando circulam impávidos numa comum cidade ocidental.
 



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