Cockpit fechado daria mais segurança à Fórmula 1

Competição 14 Set 2019

Cockpit fechado daria mais segurança à Fórmula 1

Por Irineu Guarnier

Fórmula 1, Fórmula Indy e outras categorias de monopostos deveriam renunciar ao cockpit aberto. O feio halo, adotado de alguns anos para cá, não é a melhor maneira – nem a mais estética – de proteger a integridade física dos pilotos que conduzem suas máquinas, em altíssimas velocidades, com partes vitais de seus corpos expostas. Detritos pequenos – porém letais – podem passar pelas aberturas do halo.
 
É verdade que risco faz parte do show. Quem pilota um carro a 300 Km/h sabe o perigo que corre, e o faz por dinheiro, pela fama, pelo prazer. Mas esse risco tem de ser calculado, minimizado, controlado. O automobilismo de competição não é um circo de gladiadores moderno. A morte não é (ou não deveria ser) parte do espetáculo.
 
Os cockpits dos F1 e Indy de hoje são praticamente indestrutíveis e protegem a vida dos pilotos em acidentes inacreditáveis. O que assusta são as mortes e ferimentos causados por um braço de suspensão que se solta e perfura a viseira de um capacete (Senna, na F1), uma roda solta que atinge a cabeça de um piloto (Surtees, na F2), uma mola quicante que quase matou outro (Massa, na F1) e tantos outros acidentes parecidos. Por melhor que seja o piloto, por mais bem construído que seja o carro, como driblar tais perigos?
 
Depois da morte de Ayrton Senna, várias modificações foram introduzidas nos carros da F1 para torná-los mais seguros. Vidas foram salvas. Talvez seja a ocasião para um reexame das condições de segurança em algumas categorias. Não é possível impedir que peças se soltem de carros acidentados? Então talvez seja a hora de a F1 e de outras categorias do automobilismo de competição renunciarem a um de seus mais charmosos atrativos: o cockpit aberto.
 
Nunca se mexeu nisso porque o público gosta de ver os pilotos em ação. É uma herança dos tempos românticos do automobilismo, em que Juan Manuel Fangio e Tazio Nuvolari corriam de camiseta pólo, com um gorrinho de couro e meio corpo exposto. É o “diferencial” dos monopostos abertos em relação às corridas de Stock Cars, Protótipos, Endurance, Nascar etc. Mas não é mais compatível com o nível de segurança que se exige dos esportes automotores atualmente.
 
Uma solução seria adotar uma “bolha” de plexiglass como “capota”, igual aos canopis dos aviões de caça. Transparente e muito resistente, o plexiglass protegeria os pilotos de peças soltas, da chuva ou de capotagens, e eles continuariam visíveis para o público.
 
Idéia maluca? Pode ser. Mas a F1 já experimentou tantas maluquices em pouco mais de meio século de história (alguém ainda lembra do Lotus-turbina de Colin Chapman ou do Tyrrel de seis rodas de Jody Scheckter?), que não custaria tentar mais essa, não?


Irineu Guarnier Filho é brasileiro, jornalista especializado em agronegócios e vinhos, e um entusiasta do mundo automóvel. Trabalhou 16 anos num canal de televisão filiado à Rede Globo. Actualmente colabora com algumas publicações brasileiras, como a Plant Project e a Vinho Magazine. Como antigomobilista já escreveu sobre automóveis clássicos para blogues e revistas brasileiras, restaurou e coleccionou automóveis antigos.


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