Os Bugatti do Caramulo: A prata da casa

Clássicos 03 Ago 2019

Os Bugatti do Caramulo: A prata da casa

Por António Almeida

No mundo automóvel, é possível identificar uma estrutura quase que idêntica à estratificação social de há uns séculos atrás. Os grandes nomes da indústria, ou seja, a aristocracia do mundo automóvel, marcas que certo ponto foram coroadas pelos seus feitos dentro e fora de pista. Esses nomes, evocam um sentimento de admiração e um desejo de possuir um pedaço dessa história.
 

 
Bugatti, é um dos gigantes, o seu nome tem um peso histórico incontestável. Mais de um século depois, a sua presença em eventos e colecções, continua a ser magnética para qualquer admirador deste tipo de obras de arte.
 
Nos modelos de estrada, velocidade e elegância definiam um Bugatti.
 
A introdução do Type 57 em 1935, desenvolvido por Jean Bugatti (filho de Ettore), marcou uma nova era para a marca. Mecanicamente mais avançado e aprimorado que os seus predecessores e acima de tudo com melhores prestações. Utilizando inovações derivadas dos modelos de competição, tais como a dupla árvore de cames à cabeça e o uso da sobrealimentação, permitiram a algumas versões atingir os 210 cv e os 210 Km/h. A partir de 1936 passou a utilizar um sistema de travagem hidráulico, uma decisão fervorosamente contestada por Ettore. As dificuldades financeiras da empresa em 1939 tornam-se ainda mais severas após a morte de Jean e o início da segunda guerra mundial. Em 1940 a produção do Type 57 é cessada e um dos maiores nomes do mundo automóvel fecha as portas de Molsheim. Após a guerra com a fábrica em ruínas, as tentativas de ressuscitar a marca não caíram por terra. A morte de Ettore em 1947 foi o último passo no declino da marca, tendo esta continuado a existir até 1952 onde finalmente cessaram operações e o nome desvaneceu entre as páginas da história.
 

É difícil de contestar que o Type 57 é o pináculo dos automóveis de estrada criados em Molsheim, especialmente as lendárias variantes Aérolithe e Atlantic que pela sua raridade e singularidade ainda hoje em dia é surpreendente.
Uma outra variante do Type 57 apelida-se de Atalante, um automóvel perfeito para realizar viagens longas pela europa, foram produzidas apenas 17 unidades deste elegante coupé. Um desses exemplares, tem como casa o Museu do Caramulo.
 
O exemplar em questão, foi construído em 1938, ao efectuar a sua encomenda, Fernand Chaussivert, solicitou à casa Vanvooren uma carroçaria ligeiramente mais longa e com lugar para três passageiros. Completamente construída em alumínio, é 37 cm mais longa que o normal. Conta um o motor de 8 cilindros em linha sobrealimentado por um compressor, este confere-lhe a capacidade de atingir os 175km/h. Apenas três automóveis foram construídos com esta configuração longa, dois dos quais eram descapotáveis. O mais notável dos outros exemplares alongados é sem dúvida o presente de casamento, oferecido pelo estado Francês ao Xá da Pérsia, Reza Palevi.
 

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Em 1940 Chaussivert vende este exemplar a Alfredo Marinho um conhecido desportista do Porto. Uma vez em solo nacional, passa também pela guarda de Bento Amorim até ser adquirido por João de Lacerda em 1975 que o reconstrói completamente, para integrar a colecção do Museu do Caramulo.
 
Este automóvel especial ainda hoje em dia pertence à “prata da casa” do Museu do Caramulo, uma metáfora que lhe assenta que nem uma luva. Admirar este automóvel e todos os seus detalhes, é uma experiência caricata. Nunca existe a certeza se o que estamos a observar é um automóvel, uma peça de arte ou um relógio suíço, talvez seja uma mistura dos três. Um automóvel com uma forma escultural, construído com o cuidado e precisão de um relojoeiro.
 

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O Atalante, tem como companhia outro Type 57. O T57 Stelvio, é uma versão descapotável, com carroceria Gangloff. A sua graça é equiparável ao primo contruído pela Vanvooren, quando colocados lado a lado as diferenças são evidentes, no entanto torna-se impossível escolher um favorito. Estes automóveis são de tal forma especiais, que não existe melhor ou pior. Cada um possui a seu próprio carácter e encanto, é algo que não pode ser quantificado ou avaliado.
 
Com o uso sóbrio de detalhes cromados em conjunto com o esquema de cores, chamam à atenção sem criar ruido visual. A meu ver esse é o grande truque da sua elegância, mostra riqueza de uma forma discreta, talvez por isso tenha sido um dos automóveis de predilecção das elites, numa era em que a fortuna não era anunciada aos quatro ventos.


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