Porsche 917: Os 50 anos de uma lenda

Clássicos 12 Mai 2019

Porsche 917: Os 50 anos de uma lenda

Por Hélio Valente de Oliveira

A Porsche celebra este ano os 50 anos do 917. Todos os aficionados da marca, e não só, reconhecem a importância deste modelo. Não foi o caso de ser um ganhador, que foi, mas sim o de ser completamente dominador, pelo menos enquanto durou o reinado. Mais, o que proporcionou foi mais importante do que o palmarés desportivo. O salto tecnológico, e não só, foi tal, que ainda hoje se sentem as influências. Mas começando pelo princípio…e sem mencionar as origens do modelo, já amplamente noticiadas.
 

 
De facto, na Europa, o reinado foi muito breve… começou em 1969 e acabou em 1972. A alteração das regras, para 1973, a favorecerem motores de 3-litros, levaram a Porsche a retirar o 917 das provas europeias e dedicar-se exclusivamente ao campeonato Can-Am dando assim mais apoio aos mercados Norte-Americanos. Este campeonato requeria motores grandes e potentes, pelo que o motor de 12 cilindros da marca era um bom ponto de partida. Ainda se chegou a por a hipótese de utilizar um flat-16 com 750 cv, mas a distância entre eixos teria que ser razoavelmente aumentada, o que comprometia o comportamento geral do 917. A solução foi utilizar inicialmente o flat-12 de 4.5-litros de capacidade, que com o recurso à sobrealimentação, viu a potencia elevada a 850 cv. No entanto, a marca dominante do campeonato era a McLaren, que utilizava V8 americanos, com 8.8-litros, e 850 cv revelaram-se insuficientes. A versão de 5-litros e posteriormente 5.4-litros, ambas turbo-comprimidas também, quebravam facilmente a barreira dos 1000 cv, com o 5.4 a fazer 1100 cv em corrida, chegando aos 1580 cv em especificação de qualificação. Mais uma vez, a Porsche dominou o campeonato, chegando ao ponto de este perder popularidade, tal a monotonia. Era o caso de ver quem era o primeiro não-Porsche…
 

 
Refira-se que na altura, o recurso a turbo-compressores dava os primeiros passos… era uma solução quase de vanguarda, com muito poucos construtores a desenvolverem a tecnologia. Além disso, apresentavam uma serie de dificuldades técnicas, por falta de desenvolvimento dos componentes, mas que foram exemplarmente trabalhadas e eliminadas pelo pequeno grupo de técnicos da Porsche. Há quem diga que a arquitectura básica de um sistema turbo, tal como é percebido actualmente, foi desenvolvido nesta altura pela marca.
 

 
Além de tudo isto, o 917 proporcionou outro efeito interessante… e este talvez não tão evidente, pelo menos para os entusiastas mais recentes. Em primeiro lugar, potenciou a imagem da marca na competição para um patamar nunca visto. A Porsche era vista como uma marca ganhadora de classes, raramente alcançando a vitória geral, pelo menos em circuito. O 907 e 908 eram precisamente isso… muito bons nas suas classes, mas não pretendiam, nem tinham aspirações a ascender aos lugares cimeiros nas provas de mais renome e tradição. O 917 contrariou tudo isto…foi concebido para atacar os lugares cimeiros, para ganhar Le Mans, a prova rainha de resistência. Depois desta, as outras provas, os outros campeonatos vieram quase por acréscimo. Subitamente e a partir de agora, a Porsche seria um, ou melhor, o nome a ter em conta.
 

 

 
Em segundo lugar e talvez o aspecto que se veio a revelar mais importante: a percepção da marca junto ao público em geral e a importância das tecnologias desenvolvidas no 917 na oferta da marca.
Em 1969, na gama Porsche para o público, e considerando já o motor 2.2, a versão mais potente do 911, o S, tinha 180cv. Uma evolução da versão base, o T, com 125cv. A marca descobriu entretanto, que ao oferecer o mesmo motor, com outro grau de preparação, podia pedir um preço mais elevado aos clientes. Em suma, se compararmos com a gama Ferrari, o 911S seria, quando muito um concorrente do Dino.
 
Em 1974, no último ano da carreira do 917, a marca apresentou o que viria a ser o seu ex-líbris, o 911 Turbo. Sem dúvida, toda a aprendizagem em sobrealimentação feita no 917, e posteriormente no 911 RSR 2.1 turbo, viu a sua aplicação num modelo destinado ao público. O 6 cilindros passou para 3-litros de capacidade, para favorecer o binário a baixos regimes, mas a tecnologia deriva dos modelos de competição.
O 911, com 260 cv na versão 3-litros, mas logo aumentada para 3.3 e 300 cv, era agora um sério concorrente, e tomando a Ferrari mais uma vez como comparação, do BB512, o topo de gama da marca.
 

 

 
Curiosamente, em somente cinco anos, a Porsche passou a ser considerada como um major-player, um concorrente à hegemonia italiana em automóveis de altas performances para estrada.
Além disso, o simples emblema “Turbo” assinala, ainda hoje, o absoluto topo de gama da marca. Todos os modelos, com excepção do Boxster e do Cayman, têm a versão “Turbo” como o expoente máximo… mais ainda actualmente, onde a oferta da marca inclui motores turbo mas que não são “Turbo”!
 


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