Passagem de testemunho

Arquivos 28 Abr 2019

Passagem de testemunho

Por Ricardo Grilo

Após a guerra os novos e sofisticados aparelhos de caça a reacção apenas eram usados por três das grandes potências triunfantes: Estados Unidos da América, Reino Unido e União Soviética.
 
Mas, a par dos três grandes, iria haver mais um inesperado “outsider” a aderir ao muito restrito clube dos utilizadores de aparelhos a reacção.
 
Com efeito, logo após a libertação em 1945, os laboriosos Checoslovacos decidiram retomar a produção dos caças a reacção Messerschmitt ME-262, a partir dos planos, manuais técnicos, ferramentas, gabaritos e peças sobressalentes deixadas pelos alemães. Já envolvida na produção local dos caças Messerschmitt Bf-109 G-10 a hélice, a empresa aeronáutica AVIA foi encarregue da produção do modelo a reacção que seria designado como S-92 (versão monolugar) ou CS-92 (versão bilugar).

 
Desse modo, em 1947 a Força Aérea da Checoslováquia receberia nove AVIA C-92 e três AVIA CS-92 passando a ser a 4ª força aérea do mundo a ser equipada com este tipo de aeronaves no período do pós-guerra.
 
Os aparelhos foram agrupados numa unidade especial do 5º Esquadrão de Caça da Força Aérea, passando a assegurar a defesa aérea da capital. Apesar de revelarem alguns problemas operacionais resultantes da fragilidade dos seus motores a reacção, no final dos anos 40 os Messerschmitt ME-262, ou melhor, os AVIA S-92 ainda eram excelentes aparelhos de combate, talvez os melhores da primeira geração em termos de performance, maneabilidade e armamento. Por isso seriam mantidos em serviço até 1951, altura em que foram substituídos pelos mais modernos AVIA S-102, a cópia local do famoso MiG 15 Soviético.
 
Esta foto colorida evoca precisamente a fase da passagem do testemunho, com um dos novos AVIA C-102 estacionado ao lado de um “velho” C-92.
 
Uma página da história que se fechava, em definitivo.



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