70 mm: Bullit (1968)

Clássicos 02 Mar 2019

70 mm: Bullit (1968)

Por António Almeida

O típico filme policial dos anos 60, até certo ponto…
 
Mais uma vez a Solar Productions faz história no mundo do cinema, mas marca para sempre o mundo automóvel.
 
Desta vez, Steve McQueen é Frank Bullitt, detective da polícia de São Francisco, designado por Walter Chalmers (Robert Vaughn), como o homem responsável pela protecção de uma testemunha com ligações a uma família criminosa de Chicago. Num dos turnos de protecção policial, a testemunha destranca a porta e dois assassinos contratados forçam a entrada, conseguindo alvejá-lo e o polícia de serviço.
 

 
Após uma segunda tentativa de homicídio evitada no hospital, a testemunha acaba por falecer, a pedido de Frank o óbito é mantido em segredo de forma a encontrar os assassinos.
 
Seguindo as pistas encontra o taxista (Robert Duval) que transportou a testemunha por São Francisco, o qual ajuda a recriar o dia da vítima. Durante essa recriação Frank nota a presença constante de um Dodge Charger preto.
 

 
Até este momento não existe nada de especial ou marcante, é apenas um bom filme policial. Mas a partir momento que se ouve o clique do cinto de segurança do Charger, são dez minutos de acção e sem dúvida a melhor perseguição alguma vez registada.
 

 
Sem música de fundo, apenas o ruído dos motores ecoa pelas ruas de São Francisco, esta perseguição a alta velocidade, culmina com o despiste e explosão do Charger. A genialidade da perseguição está no realismo e na perícia dos envolvidos, Bill Hickman, Bud Ekins e McQueen treinaram a coreografia a alta velocidade, primeiro em pista depois passando para as encostas íngremes da cidade. Esta demanda pelo realismo é evidente no vídeo abaixo, com uma perspectiva documental da produção, dá para perceber todo o trabalho realizado para chegar ao produto final.
 

 
Após o seu adorado Mustang ter sofrido danos durante a perseguição Frank é transportado pela sua namorada Cathy (Jacqueline Bisset) num Porsche 356 C Cabriolet, até a um hotel para o qual a testemunha tinha telefonado. Neste momento a história começa a fazer sentido e é possível perceber o que realmente aconteceu e qual a verdadeira identidade da testemunha…
 

 
Deixo ao cargo dos leitores descobrir o final, vale a pena ver este filme não só pela perseguição, mas também pela história.
 
Em suma tudo isto é produto da paixão de McQueen pelos automóveis, logo nas cenas iniciais durante os créditos, é possível ver estacionado no parque o seu famoso XKSS apelidado de “ratazana verde”.
 
O profundo envolvimento de McQueen em toda a produção, principalmente na perseguição, prima pelo realismo e atenção aos detalhes, na qual os lendários condutores de acrobacias Bill Hickman e Bud Ekins juntamente com McQueen mostram o seu talento atrás do volante de veículos extremamente complicados de conduzir.
 
O Mustang GT é um modelo de 1968, carroçaria fastback com o motor 390 (6.2L). O veículo foi extensivamente modificado ao nível da suspensão, admissão e escape, seguindo as indicações de McQueen e exigências da produção, sendo a mais peculiar fazer mossas e arranhões propositadamente, segundo McQueen o carro de um polícia não podia estar imaculado. Apesar do trabalho de preparação no Mustang, surgiam problemas constantes causados pelos saltos.
 

 
Do outro lado o definitivo automóvel do vilão, o Dodge Charger 440 R/T de 1968 completamente de origem, sem modificações foi capaz de fazer toda a filmagem sem avarias.
 
Segundo fontes próximas ao actor, o Ford Mustang utilizado em Bullitt foi o automóvel que mais se arrependeu de não ter comprado. Passados alguns anos conseguiu localizar o novo proprietário e tentou adquirir o Mustang, mas não conseguiu. Até aos dias de hoje pertence à mesma família. O segundo Ford Mustang dado como perdido para sempre, foi recentemente salvo de uma sucata no México.
 
Esta perseguição foi replicada e referenciada mais vezes do que é possível contar, mas nunca conseguiram capturar completamente a essência da original.


TAGS: Bullitt Ford Mustang


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O Porsche 356 de Jaqueline Bisset é uma graça.