Cápsulas do Tempo: Bugatti Type 57 SC Atlantic (Parte IV)

Clássicos 09 Fev 2019

Cápsulas do Tempo: Bugatti Type 57 SC Atlantic (Parte IV)

Por Pedro Pais Cardoso

E por fim chegamos à quarta e última parte do artigo que dedicamos ao Bugatti Type 57 SC Atlantic, cuja terceira parte poderão revisitar aqui.

 

Como dizem os anglófonos, “the last but not the least”, nesta última parte dedicamo-nos ao último mas não menos “famoso” Atlantic – o que sem encontra desde 1988 na colecção privada do não menos conhecido, Ralph Lauren.

 

O chassis n.º 57591 foi encomendado pelo Sr. Richard Pope – imagem seguinte – no dia 31 de Março de 1938, que o recebeu, acabado de sair de fábrica em Junho do mesmo ano.

 

 

Aproveitando a desvalorização do franco francês à época, o Sr. Pope, residente em Inglaterra, decidiu encomendá-lo, tendo apenas especificado que o mesmo deveria ser ligeiramente mais alto que os seus outros dois “irmãos” de produção, para que pudesse caber convenientemente dentro do habitáculo.

 

Não sabemos ao certo qual a altura do Sr. Pope, podemos sim imaginar que talvez pretendesse usar o tão tradicional e elegante chapéu, que os cavalheiros ingleses daquela época orgulhosamente envergavam, dentro do seu Bugatti. O que se sabe também é que este Atlantic apresenta uma altura de habitáculo superior aos seus congéneres – cerca de 12 mm!

 

Este Atlantic aquando da sua produção saiu de fábrica com a cor “azul safira”, e possuía as rodas traseiras descobertas. As alterações para o figurino actual foram já encomendadas por Ralph Lauren a Paul Russell.

 

A mudança de pintura da carroçaria para a cor preta, bem como, a mudança para a mesma cor dos estofos, são as alterações visíveis introduzidas ao longo dos tempos, neste que é considerado o mais bem preservado Atlantic de todos. Não há registos de acidentes ou alterações mecânicas significativas desde a data da sua produção até à actualidade, para além destas que enunciamos.

 

O Sr. Pope foi o feliz proprietário do Atlantic durante cerca de 30 anos até que o vendeu ao Sr. Barrie Price. Durante a propriedade deste último, voltou a ser pedida uma mudança na pintura, que, infelizmente removeu quaisquer vestígios da cor original. Há quem afirme que era um azul metálico, há quem discorde, porém, passaram 80 anos e a controvérsia permanece. O que se sabe ao certo, é que era azul, azul safira, metálico ou baço, ninguém pode afirmar com segurança! Fica a foto seguinte para que cada um dos leitores possa decidir.

 

 

Em 1988 o Sr. Price decide então vender o Atlantic ao Sr. Ralph Lauren, que encomenda de imediato um restauro à Paul Russell – conceituada empresa de restauro de veículos de importância histórica sediada em Boston.

 

Foi no decorrer deste último restauro que foram efectuadas as alterações que referenciámos anteriormente.

 

É nas mãos de Ralph Lauren que este Atlantic ganha a notoriedade ímpar que se lhe atribui, já que, é durante o seu “reinado” que ganha os importantes galardões de “best of show” em Pebble Beach no ano de 1990 e no Concorso d’Eleganza Villa d’Este em 2013 – devidamente ilustrados nas imagens seguintes.

 

 

 

Discussões à parte, e fale-se ou não de originalidade, o que podemos afirmar é que este modelo suscitou paixões desde a sua criação.

 

A genialidade do seu traço e construção, em inícios do século passado, fazem dele para uma enorme franja de aficionados, o mais importante veículo da história da indústria automóvel.

 

A beleza, nas suas mais diversas formas, é sempre algo subjectivo. O Bugatti Atlantic veio para desafiar isso mesmo, já que, passadas oito décadas, continua a ser de forma quase unânime, considerado um dos modelos mais belos da história.

 

O número de réplicas, mais ou menos conseguidas, que foram sendo construídas ao longo das décadas, representa isso mesmo – apenas e tão só uma homenagem à arte, beleza e forma, que só este modelo conseguiu reunir, numa só “pincelada” do génio de Jean Bugatti, a quem, aqui prestamos a nossa humilde homenagem.


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Tenho os 2 farolins principais desse carro vítima desse acidente.
Não tenho o carro mas tenho os olhos(farolins)✌️😊

João Silva
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Só queria acrescentar uma coisa: ao contrário do que afirma, o Sr. Price teve de facto um acidente, quando o famigerado Atlantic resvalou para uma vala e embateu num poste durante um rali em 1977 se a memória não me falha (há fotos do ocorrido que facilmente pode encontrar online, nas quais se vê o Sr. Price com as mãos na cabeça em descrença). Fora isso, excelente conjunto de artigos, os meus parabéns, de um amante dos Atlantic para outro.