Renault Estafette: A versatilidade em quatro rodas

Clássicos 02 Jan 2019

Renault Estafette: A versatilidade em quatro rodas

Comercializado em 1959, o Estafette foi um marco da Renault em matéria de viaturas comerciais, tendo estado ao serviço de inúmeras empresas e comerciantes durante perto de vinte anos, até 1980. E foi um veículo notavelmente inovador.

 

Foi em 1953 que a Régie Nationale des Usines Renault lançou o projecto, numa altura em que trabalhava também no Dauphine (modelo que sucedeu ao Renault 4CV e que foi produzido de 1956 a 1967). Nesse sentido, embora este pequeno sedan de motor traseiro tivesse sido a base tecnológica do Estafette, com ele partilhando inúmeros elementos técnicos, este furgão operou uma radical alteração técnica. Até então, a Renault nunca havia oferecido um veículo com motor dianteiro, nem mesmo para os seus ligeiros de passageiros.

 

O engenheiro Guy Grosset-Grange, encarregado do projecto, decidiu posicionar o motor na dianteira pois, na sua perspectiva, essa era a opção mais racional para permitir libertar a secção traseira do veículo de todos os órgãos mecânicos, algo que possibilitaria baixar a altura do piso de carga, tornando o esforço de carregar objectos mais fácil, o que correspondia a uma aspiração dos clientes. Também para facilitar as cargas e descargas, a porta lateral era deslizante.

 

Para além de ser o primeiro Renault com motor à frente, o Estafette, que é concebido para concorrer com o Citroën Type H (1948) e o Peugeot D3A (1950), tem também os componentes da transmissão posicionados na dianteira.

 

O bloco inicial era do Dauphine, de 845 c.c. e 32 CV (motor Ventoux, e que teria no Estafette a maior cilindrada em que haveria de ser feito). Em Maio de 1962, o modelo é também o primeiro a receber o novo motor Renault “Sierra” (mais tarde apelidado de Cléon-Fonte, devido ao local onde era fabricado, e que foi desenvolvido por René Vuaillat), de quatro cilindros e 1.108 c.c. (45 CV às 4.500 rpm), e que haveria de aparecer num ligeiro de passageiros em Junho de 1962, no Renault 8. Em Setembro de 1968, o modelo é apresentado com um 1.289 c.c., com um pouco menos de potência, 43 CV. Uma versão a gasóleo chegou a ser pensada, mas nunca avançou.

 

O Estafette seduziu todo o tipo de público, desde vendedores de gelados a campistas, dado que a sua atractiva polivalência de uso derivava das versões em que era proposto, incluindo uma variante até 500 Kg (“Zone Bleue”, type R2131 devido a uma especificidade francesa proveniente de uma lei de estacionamento que proibia a presença de veículos comerciais de mais de 500 Kg de carga útil na cidade), outra de 600 Kg (type R2130), uma versão sobrelevada (com 2,21 metros de altura em vez de 1,93 metros), uma pick-up coberta e o Microcar de nove lugares (um minibus, numa configuração 2+4+2+1). Em 1961, chegou a envidraçada versão Alouette que se tornaria popular, por ser uma derivação do minibus com bancos removíveis que se transformava facilmente num veículo de campismo.

 

Originalmente, o Estafette saía de fábrica apenas em quatro cores de carroçaria, cinzento, azul, amarelo e laranja.

 

O fim do fabrico acontece em 1980, depois de ter produzido 533.209 exemplares, sendo sucedida pela Renault Trafic.

 

Este e outros modelos icónicos da Renault podem agora ser vistos na exposição temporária “Renault: 120 anos na estrada”, patente no Museu do Caramulo.

 

Veja a galeria em baixo com algumas das melhores imagens do Renault Estafette.

 

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TAGS: Museu do Caramulo Renault Renault Estafette


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