Um campeão chamado Michael Schumacher

Clássicos 27 Dez 2018

Um campeão chamado Michael Schumacher

O piloto celebra 50 anos no dia 3 de Janeiro, uma ocasião para homenagear um campeão fora do comum. Recordamos aqui algumas corridas que ajudam a explicar os sete campeonatos de Fórmula 1 e outros títulos, mais informais (Barão Vermelho, Regenmeister, Kaiser…).

 

Grande Prémio da Bélgica (1992)

 

 

Comecemos então pela primeira vitória, em Spa-Francorchamps, na mesma prova onde no ano anterior tinha começado a sua carreira na Fórmula 1. Em terceira posição na grelha, Schumacher arranca mal, sendo ultrapassado por Patrese e Alesi. A chuva começa a cair e a corrida vai decidir-se pela escolha, acertada ou não, dos pneus. Ayrton Senna, que segue em frente, mantém os pneus lisos apostando numa rápida melhoria das condições. Mas a chuva não para e Magic Senna vê-se ultrapassado pelos Williams de Mansell, Patrese e por Schumacher, todos com pneus de chuva. A 15 voltas do fim, este sai brevemente da pista, levando-o a trocar os pneus para slicks, fazendo assim a mesma aposta que Senna anteriormente, já que a meteorologia dá sinais de melhoria, mas desta vez no timing certo. A pista fica de facto mais seca, e quando a Williams pede aos seus pilotos para irem às boxes trocar de pneus já é tarde, Schumi segue para a primeira das suas 91 vitórias!

 

Grande Prémio da Bélgica (1995)

 

 

Em 1995, a história não se repete, mas quase. O palco é o mesmo (Spa-Francorchamps), a chuva apimenta novamente a corrida e Schumacher acaba por ganhar! Mas desta vez a vitória é ainda mais improvável. Arranca da 16ª posição na grelha, com pneus slicks quando os restantes concorrentes apostam nos pneus de chuva. Schumacher vai ultrapassando, sobe na classificação, chegando ao primeiro lugar! E mesmo quando as ameaças de chuva se concretizam, o Benetton-Renault permanece com pneus slicks, obrigando Schumacher a defender a sua posição até ao limite face aos ataques de Damon Hill, com pneus de chuva. Mas no final, quem ganha, é Schumacher!

 

Grande Prémio da Europa (1995)

 

 

Na mesma época, no circuito de Nürburgring. Jean Alesi, no Ferrari nº 27, faz uma escolha de pneus acertada, permitindo-lhe o comando da corrida. O francês faz apenas uma paragem nas boxes, Schmacher três, a última das quais efectuada na quadragésima volta em que também troca de pneus. Precisamente, enquanto que Alesi deve contentar-se com os mesmos pneus, já desgastados,  Schumacher regressa à pista com pneus novos… mas com 22”3 de atraso sobre o então piloto da Ferrari, faltando 15 voltas para o final. Impossível? Estamos a falar de Michael Schumacher! Volta após volta, conquistando mais de dois segundos por volta, o Benetton-Renault do alemão consegue alcançar o Ferrari do francês e a três voltas do fim, Schumacher ultrapassa Alesi na chicane antes da recta da meta.

 

Grande Prémio de Espanha (1996)

 

 

Considerada uma das melhores corridas da carreira de Michael Schumacher. O incontornável GP de Espanha de 1996, disputado debaixo de chuva. A corrida começa mal para Schumacher, passando da terceira posição obtida nas qualificações, para a sexta no fim da primeira volta. Jacques Villeneuve lidera, seguido de Alesi que, na quarta volta, faz o melhor tempo, 1:51.673. Mas na volta seguinte, Schumacher, em quarto, responde com um recorde de 1:50.568, um segundo mais rápido que Alesi na volta anterior e dois segundos mais rápido que o líder da corrida! Na 6ª volta, bate um novo recorde: 1:49.045! Schumacher está noutro nível, chegando logicamente à liderança da corrida, sendo mais rápido 3 a 4 segundos do que o Williams-Renault, bem mais competitivo, de Villeneuve. Na sua primeira vitória com a Scuderia Ferrari, “Schumi” torna-se claramente “Regenmeister”.

 

Grande Prémio do Mónaco (1997)

 

 

Se em 1996, Schumacher tinha abandonado nas ruas do principado, em 1997 a história já foi outra. A chuva no domingo baralhou as contas; na grelha de partida, alguns pilotos lançam-se com pneus de chuva, outros com pneus slicks. Schumacher, acreditando que iria contar com a sua melhor aliada, optou pelos pneus de chuva. Qualificado na segunda posição, ao lado dum “velho amigo” dos tempos da F3 e da Mercedes, Heinz-Harald Frentzen, que conquistara a sua primeira pole, Schumacher tira partido da sua escolha pneumática e arranca melhor que o seu compatriota, passando a liderar a corrida. Mas é sobretudo o domínio da corrida que faz com que esta seja uma das melhores corridas de Schumacher. Conclui a primeira volta já com mais de seis segundos de avanço sobre Fisichella então segundo. À terceira o avanço supera os 15 segundos! Regenmeister acaba por ganhar com mais de 53 segundos de vantagem sobre Barrichello. A primeira vitória dum Ferrari nas ruas do Mónaco desde 1981 com Gilles Villeneuve.

 

Grande Prémio do Japão (2000)

 

 

Pouco tempo antes do trágico acidente de ski, questionado sobre qual a corrida que mais o marcou, Schumacher respondeu o Grande Prémio do Japão em 2000. A corrida em que conquista o seu terceiro título, o primeiro com a Scuderia que não via um piloto seu sagrar-se campeão do mundo desde Jody Scheckter em 1979! Mas as coisas não tinham começado bem. Schumacher precisa de mais dois pontos do que Mika Hakkinen se quiser ser campeão. Mas o McLaren do finlandês segue a um ritmo elevado e Schumacher não vislumbra sequer a possibilidade de ultrapassagem… até que a chuva aparece. Enquanto Hakkinen vai às boxes, Schumacher dá o tudo por tudo e quando chega a sua vez de trocar de pneus sai à frente do finlandês. Schumacher conquista o primeiro lugar da corrida, o título e o coração de milhões de tiffosis.

 

Grande Prémio de França (2004)

 

 

“É sempre o mesmo a ganhar!”, ouvia-se em 2004, tal era o domínio da dupla Ferrari/Schumacher nos últimos anos. Mas mesmo essa época não deixa de ter motivos de interesse, nomeadamente o Grande Prémio de França. Fernando Alonso arranca na pole position, nas terras da Renault, seguido por Schumacher que não consegue ultrapassar o piloto espanhol. A Scuderia muda então a estratégia de três paragens, tal como a Renault, para quatro! Quatro paragens, estratégia nunca vista! A aposta: enquanto Alonso desgastará os Michelin ao máximo entre paragens, Schumacher fará mais uma paragem mas aproveitará as potencialidades máximas dos Bridgestone. Assim, o piloto alemão para logo na 11ª volta, cedo demais para alguns. Alonso espera mais um bocado. Quando ambos fizeram as três paragens, Schumacher já está na frente mas tem de parar uma quarta vez. Schumacher, segue a um ritmo infernal e consegue distanciar-se o suficiente para sair das boxes, uma quarta vez, ainda à frente de Alonso e ganhar a corrida!

 

Grande Prémio da China (2006)

 

 

O GP da China é fundamental para Schumacher manter as suas hipóteses para o título de 2006. Mas o grande prémio começa mal para o Kaiser, qualificado na sexta posição da grelha. No momento da partida, numa pista húmida, Alonso segura a primeira posição obtida nas qualificações. Por seu lado, Schumacher mantém o sexto lugar mas quando tudo parece perdido, o Kaiser não se dá por vencido e luta até ao fim. Consegue chegar atrás dos dois Renault de Alonso e Fisichella. Com a pista mais seca, o carro do espanhol já não consegue seguir o ritmo e é ultrapassado pelo seu colega de equipa e por Schumacher pouco depois. Só falta ultrapassar então Fisichella para o alemão ganhar a corrida e uns pontos para o campeonato. O Barão Vermelho ultrapassa o piloto Renault e ganha a corrida. Foi a 91ª e última vitória de Michael Schumacher.

 

Grande Prémio do Brasil (2006)

 


 

O GP do Brasil de 2006 era, supostamente, o último de Michael Schumacher. Mas o Kaiser não podia despedir-se sem mostrar uma última vez o seu talento e determinação. Arrancando da décima posição, Schumacher começa a recuperar alguns lugares mas na sua luta com Fisichella para o quinto posto sofre um furo que o obriga a uma paragem imprevista na nona volta. Regressa à pista na vigésima posição a mais de 70 segundos do seu colega de equipa, Felipe Massa, que lidera a corrida. A partir daí, o Barão Vermelho vai realizar mais uma remontada que só está ao alcance dos maiores, realizando ainda a volta mais rápida. Conclui a sua última corrida na quarta posição. Massa ganha a prova, em casa. Alonso é bi-campeão. Mas as atenções centraram-se em Schumacher!

 

Grande Prémio da Bélgica (2011)

 

 

No GP da Bélgica de 2011, 20 anos depois da sua estreia, o agora veterano Michael Schumacher, vai lembrar a todos o seu talento. Depois de se lançar da última posição na sequência dum embate nas qualificações provocado pela perda duma roda, o heptacampeão do mundo vai realizar uma remontada que o levará do 24º ao quinto lugar. Não ganha, é certo, mas recuperar 19 posições, aos 42 anos e ao volante dum Mercedes que ainda não estava ao nível das épocas mais recentes, não deixa de ser um feito notável!

 

91 vitórias, sete títulos de campeão do mundo. Muitas corridas podiam ainda ser referidas, muitas conquistas, muitas proezas… Mas, nestes dias difíceis para Michael Schumacher, o que se pretende aqui é celebrar um enorme campeão, que enfrentou vários desafios e que foi capaz de vencer quando ninguém acreditava.

 

 

 

 


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Grannnde campeão, grande afinador de bólides. Supersónico.