De Lisboa ao Cabo Norte: Dar à chave e arrancar

Clássicos 14 Dez 2018

De Lisboa ao Cabo Norte: Dar à chave e arrancar

Toca tudo a acordar cedo! Com o automóvel carregado e mochilas prontas é só dar à chave e arrancar…

 

 

Como a maravilha dos nossos governantes nos presentearam com as Scuts pagas e a Renault Espace em Portugal é classe 2, vamos em direcção a Elvas/Badajoz para e a seguir subirmos para Salamanca, Burgos e país Basco. Entramos em França pela típica fronteira de Irun.

 

 

Espanha na zona centro e norte é um enorme deserto mas que para o atravessar acaba por ser bom pois tem óptimas vias rápidas sem portagem que permitem avançar bastante na viagem em relativamente pouco tempo. Outro dos atractivos é o baixo preço dos combustíveis, claro. Ainda assim, Espanha é um grande contra-tempo obrigatório mas que não acrescenta nada à viagem.

 

Ao princípio da noite passamos a fronteira e seguimos em direcção a Bordéus. Paramos um pouco mais à frente, antes de Limoges, e dormimos no automóvel até a luz do dia nos acordar… a luz do dia ou a forte chuvada com que a manhã nos brinda! Ainda assim recomeçamos logo a viagem pois o objectivo de hoje é atravessar grande parte de França e ir dormir a pouco mais de 100 quilómetros do Luxemburgo, numa cidade chamada Nancy onde conheço dos melhores hotéis na relação preço/qualidade e um dos maiores e melhores supermercados. É o sítio ideal para se descansar e fazer compras para a viagem!

 

 

Paramos num parque dum supermercado para recuperar forças  e a Sandra repara numa mota de matricula portuguesa: cheia de malas e bagagem por cima vejo logo que o passeio não pode ser pequeno! Vou falar com o tuga da mota e quando ele encara a Espace com os autocolantes diz logo: “Vocês também vão  para o Cabo Norte?” Estou admiradíssimo por haver mais algum corajoso a fazer o mesmo. Vem-me à ideia uma série de pensamentos tais como “ganda maluco, ainda por cima de mota…”. No fundo, também sinto um pouco de inveja da coragem dele por o fazer de mota e sozinho. Lembram-se que também foi uma viagem assim que me inspirou a fazer esta? Pois é, mas ver ao vivo alguém a fazê-lo toma-se outra consciência da grandeza do feito…

 

Ao falar com ele vejo que o itinerário é outro: vai visitar os Alpes suíços e austríacos e depois subir pelos países Bálticos e Finlândia até ao Cabo Norte. Ao fim ao cabo é uma rota parecida com a nossa de vinda, pondero por momentos trocar as voltas e fazermos ao contrário mas chego à conclusão que o melhor é manter os planos iniciais de chegar ao nosso destino o mais rápido possível e depois gerir o tempo na vinda.

 

É como ele nos diz: “pode ser que a gente se encontre lá…”. Pode ser, nunca se sabe. Estou para pedir o número dele mas não sei porquê não o faço, é sempre curioso…

 

Ainda de dia chegamos a Nancy e ao hotel habitual. Ao reservar o quarto relembro-me desta curiosidade: é mais caro de semana do que ao fim-de-semana! Enfim, coisas de franceses…

 

Acordamos, vamos às compras a cortar no tempo e toca de nos fazermos à estrada. Rapidamente chegamos ao Luxemburgo onde os combustíveis são muito baratos, portanto é claro que é hora de encher o depósito. Estamos num país com auto-estradas sem serem pagas, excelente nível de vida, e onde vivem muitos portugueses. Mas é muito pequeno, atravessa-se facilmente em meia hora, e que nos leva à Alemanha.

 

Minha bem conhecida e querida Alemanha, terra de muita coisa boa (ok, e má também)! É bem conhecida pela sua ampla rede de autoestradas, hoje em dia pagas por pesados, mas que nos faz percorrer grandes distâncias rapidamente. Isto se não encontrarmos uma das suas muitas obras de conservação…

 

 

A Alemanha, a par de França, são países com uma paisagem bastante diferente da que existe em Portugal. Não se consegue ver o chão de tão aproveitado que está o solo com enormes áreas de plantação de milho, girassol, cevada, vinha, qualquer coisa mas nunca ao abandono. É muito bonito ver quilómetros seguidos de um verde muito característico e por vezes, dependendo da época do ano, com flores de um amarelo muito vivo!

 

Dentro da Alemanha começamos logo a subir para norte, correndo tudo muito bem até um pouco a sul de Hamburgo onde está a autoestrada cortada em dois troços o que nos obriga a ir por estadas nacionais. Como é todo o trânsito que ía na auto-estrada, incluindo todos os camiões que são uma boa percentagem de viaturas por estas bandas. Demoramos mais de duas horas para fazer cerca de 20 quilómetros. Passado o contratempo e depois de fazer face aos vários engarrafamentos junto ás grandes cidades, chegamos ao Norte da Alemanha ao principio da noite. Mais um esforço e vamos dormir à Dinamarca.

 

Ao chegar à fronteira uma guarda manda-me parar. Pede os documentos e vai com eles para a casa fronteiriça. Antes de entrar volta para trás e toda sorrisos diz-me: “Deve estar tudo bem. Boa viagem”. Assim é que é… siga!

 

Acompanhe o relato desta viagem aqui.



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