Ferruccio Lamborghini: Um empreendedor com personalidade de touro

Arquivos 16 Jun 2018

Ferruccio Lamborghini: Um empreendedor com personalidade de touro

Por Abílio Santos

Considerado um génio por uns e um touro por outros, Ferruccio Lamborghini trilhou um caminho de sucesso improvável para as suas origens. Mas quem era este homem?
 
Ferruccio Elio Arturo Lamborghini nasceu a 28 de Abril de 1916, numa zona rural de Renazzo di Centro, perto de Modena em Itália. Começou a trabalhar com 14 anos como aprendiz de mecânico na Casa Righi. Estudou engenharia na Universidade Técnica de Bolonha.
 
Após a Segunda Guerra Mundial havia falta de maquinaria agrícola em Itália, e para colmatá-la Ferruccio resolveu abrir uma oficina onde construía tractores aproveitando os componentes dos veículos militares, vendidos a peso. Já no ano de 1949, a sua oficina passou a produzir os seus próprios tractores formando uma empresa sob o nome de “Lamborghini Tractori”, atingindo uma produção mensal de quatrocentos veículos nos anos 60, assumindo-se desta forma como uma das maiores produtoras de máquinas agrícolas no país transalpino.
 
Em 1960 fundou uma nova empresa “Bruciatori ” que se dedicava ao fabrico de equipamentos de ar condicionado e de aquecimento a óleo, cujo negócio se desenvolveu com bastante sucesso tornando-se Lamborghini um dos mais ricos empresários em Itália.
 
Ferruccio sendo um apaixonado por automóveis desportivos velozes foi adquirindo modelos das marcas Jaguar, Mercedes-Benz e naturalmente da Maserati, Ferrari e Alfa Romeo mas nenhum dos modelos completava o seu ideal de desportivo automóvel.
 
A génese da Lamborghini
 
Após adquirir o Ferrari 250 GT solicita um reunião com o fundador da marca de Maranello, Enzo Ferrari para lhe transmitir as suas propostas para melhorar o modelo, relativamente às falhas com a embraiagem. Como Enzo não reagiu bem à sua proposta, originando uma discussão pouco cordial, de acordo com a versão de Tonino, filho de Ferruccio. Em consequência deste episódio ordenou aos seus engenheiros que desmontassem o Ferrari 250 GT e verificar como poderia melhorar a performance do desportivo.
 
Reuniu uma equipa composta por Giotto Bizarrinni, Gian Paolo Dalara e Franco Scaglione.Em Maio do ano de 1963 fundou a ” Automobili Ferruccio Lamborghini “, em Sant’ Agata Bolognese próximo da sua fábrica de tractores e inserida na ” Terra di Motori “, zona das fábricas de Ferrari, Maserati e Ducati, e com uma determinação ímpar apresenta em Novembro desse ano o primeiro modelo no Salão Automóvel de Turim – o 350 GTV. Este modelo tinha um motor de 3,5 litros, com 360 cv e um V12. Dado que as linhas da carroçaria não foram bem aceites solicitou à Carrozzeria Touring para a redesenhar. Daqui nascia o 350 GT, do qual produziram 135 unidades, dando posteriormente origem ao 400 GT com motor de 4 litros e estreando a primeira caixa de velocidades desenhada pela própria marca.
Sendo Ferruccio do signo zodíaco Touro, esse passou a ser o logótipo do seu primeiro modelo simbolizando o seu carácter forte e impetuoso.
 
No Salão Automóvel de Turim de 1965 o designer Nuccio Bertoni admirado com o chassis apresentado por Lamborghini propõe a este a criação de uma carroçaria com linhas únicas extraordinárias e originais resultando desta parceria o irrepreensível Miura – nome de uma raça de touros bravos espanhola. Logo no Salão de Genebra de 1966 o Miura foi o centro das atenções tendo um enorme impacto mundial. Em 1968 apresenta no Salão de Bruxelas o Miura Roadster e de seguida modelos como o Islero, o Espada.
 
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Em 1970 surge o Miura S e o Espada ll. Como Ferruccio pretendia um modelo 2+2 que se situasse entre o Miura e o Espada, surgia o Jarama. No mesmo ano apresenta o Urraco ( designação de mais uma raça de touros ), e apresenta uma versão de corrida do Miura a que deu o nome de Jota que atingia os 100 km/h, nuns surpreendentes 3,6 segundos. Em 1971 apresenta a lendária versão do Miura o SV, no Salão de Genebra, a versão da gama de maior sucesso. Nesse mesmo Salão apresentou o inovador e sensacional Countach, resultado de uma obra de arte genial e revolucionária de Bertone.
 
O declínio
 
A partir de 1972/73 o seu negócio entrou em crise e Ferruccio acabou por vender 51% das acções da companhia automóvel ao suíço Georges Henri Rosseti, e no ano seguinte vendeu a René Leimer os restantes 49%.
Pouco depois vendeu a sua empresa de tractores ao grupo italiano “Same” que se mantém até aos dias de hoje.
Apesar disso Lamborghini juntamente com a Bertone apresentou o Silhouette em 1976 mas a sua produção foi reduzida a que não foi alheio o seu preço elevado. Por esta altura o mundo vivia a crise do petróleo com consequências negativas para os carros superdesportivos e a empresa foi declarada falida em 1980.
 
O regresso às origens
 
Depois disso passou a dedicar-se à produção vitivinícola numa quinta que já possuía desde 1971, obtendo vários prémios onde se destacou o seu vinho tinto com a designação “Colli di Trasimeno” que com naturalidade passou a ser conhecido por “Sangue de Miura”.
 
A Ferruccio Lamborghini foi atribuído o título de “Commendatore” e “Cavaliere Del Lavoro” em Junho de 1969 premiando o seu trabalho.
 

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