Cápsulas do Tempo: Do analógico ao digital

Eventos 09 Jun 2018

Cápsulas do Tempo: Do analógico ao digital

Por Pedro Pais Cardoso

Quando me foi concedida a oportunidade de partilhar convosco esta minha paixão, surgiu-me, desde logo, a expressão “Cápsulas do tempo”, que define em larga medida a minha visão sobre o automóvel, e sobre o contributo que cada marca e cada modelo, deu à sua época e a quem deles fruiu e frui nos dias de hoje, nos inúmeros encontros de entusiastas do automóvel por esse mundo fora. Eles são a expressão máxima de cada época, das motivações dos homens que os conceberam e construíram, e retratam, décadas depois, os desafios para os quais foram gizados.
 
Pareceu-me o título indicado, pois muitos dos automóveis que tive o prazer de conduzir e que conduzirei certamente no futuro, permanecerão por aí, a rolar; provavelmente só aos fins-de-semana ou em eventos pontuais aos quais as restrições ambientais farão vista grossa, muito depois de eu já cá não estar. Os nossos filhos, netos, poderão então apreciar estes veículos barulhentos, poluentes, cheirar os estofos de pele curtida de animais verdadeiros, e num só objecto ter uma aula de história a desfilar perante os seus olhos.
 
Regressei há menos de 48 horas de uma viagem que há muito queria fazer. Escrevo-vos, ainda cansado, mas feliz, dos cerca de 2.500 Km conduzidos por estradas Italianas e Alpinas, num trajecto que iniciou em Roma, passou por Genebra e de regresso a solo Italiano terminou onde devia, no “Motor Valley” da Emilia Romagna Italiana, na exposição presente em Maranello devidamente apelidada “Under the Skin”.
 
Curiosamente, cerca de uma semana antes tinha tido a oportunidade de estar frente a frente com o novo BMW i8 Coupé, que, no seu laranja brilhante não deixa ninguém indiferente à sua passagem. Do analógico ao digital, assim, em menos de uma semana. Ambos conceitos tão estimulantes, propósitos tão diferentes.
 
A reflexão que aqui gostaria de lançar, e com a qual eu próprio me confrontei, é se o automóvel e a sua indústria, tal como os vemos nos dias de hoje – numa perspectiva cada vez mais utilitarista – conseguirão ter o impacto estético, emocional, visceral até, que aquelas carroçarias batidas à mão pelos artesãos das casas “Vignale” e “Scagletti” conseguem ainda hoje passados 50 anos?
 
Serão as marcas no futuro, capazes de conferir emoção, paixão, arrojo, alma, a um objecto que cada vez mais é encarado como uma forma de chegar do ponto A ao ponto B, muitas das vezes à distância de um toque no ecrã táctil de um telefone? Não vos sei responder.
 
O que sei meus caros, é que enquanto houver homens que continuem a “sonhar” o automóvel, haverá certamente no futuro quem os continue a admirar, apreciar, cuidar, e os pendure num poster no seu quarto de adolescente. Vá, que os projecte num ecrã de cristais líquidos, se possível em três dimensões.
 

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…talvez encontremos no utilitarismo outros prazeres, outros aromas, outras características que apaixonem… outras histórias e outros traços de personalidade que os carros de hoje nos parecem ter perdido! Não percebo o Maserati Levante, nem o Jaguar F-Pace. E por aí concordo contigo Pedro… são cada vez mais iguais… “Vignale volta que estás perdoado!”… Por outro lado é um caminho que o mercado terá que seguir… nem que seja para fazer voltar a sentir a necessidade desse individualismo egoista e nada prático de um Caterham. E seguir por este caminho, será assim tão mau? Será que as memórias só podem ser… Read more »