Aston Martin Vantage: Atleta de alto rendimento

Modernos 08 Jun 2018

Aston Martin Vantage: Atleta de alto rendimento

Por Hélio Valente de Oliveira

Como já foi dito anteriormente, a linguagem estética do novo Aston Martin Vantage prima pela audácia, com uma componente atlética bastante forte.
 
Tudo muito bem, já vimos as fotos, mas como resulta ao vivo? Posso dizer que ainda melhor… a postura deste Vantage promete: parece um felino pronto a atacar a presa desprevenida.
 
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Os flancos são de formas muito generosas, o que lhe acentua as dimensões e albergam uns generosos Pirelli P-Zero, bastante necessários, diga-se de passagem.
 
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O motor, um V8 de concepção AMG-Mercedes, foi extensivamente adaptado à filosofia Aston. Os colectores, tanto de admissão como os de escape, são diferentes, bem como a cartografia do motor.
 
O resultado é muito eloquente. Este Aston tem uma voz e um temperamento completamente identificados com a marca. Devia servir de cartilha para como deve soar um V8 actual! Grave e tranquilo a regimes baixos, deixando antever, um bocadinho…só um bocadinho, o que se vai passar a seguir. Este propulsor transfigura-se a velocidades mais elevadas, com um ruído a fazer jus à estética exterior.
 
O felino passou ao modo de ataque…é quase bipolar, mas no bom sentido!
 
O facto de ser turbocomprimido confere-lhe uma elasticidade e uma veemência muito peculiar. Ao mínimo toque de acelerador, o Vantage salta para a frente, independentemente da relação, sem tempos de espera ou hesitações. Logo aqui nota-se a diferença de conceito em relação ao DB11: enquanto neste é quase impossível ver os turbocompressores, o Vantage exibe-os como um troféu, no centro do V…é o que salta logo à vista, quando se abre o capot.
 
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A arquitectura deste V8 inverte o layout normal para este tipo de motores: a admissão está no exterior, permitindo a montagem dos compressores nesta posição, e no processo, permite a construção de um motor muito compacto. Como estão muito próximos das cabeças, os tempos de reacção são minimizados ou eliminados.
 
O exterior é um sem-fim de curvas harmoniosas, mas que têm uma função muito definida.
 
O capot dianteiro engloba o topo dos guarda-lamas dianteiros o que permite não ter as normais linhas de fecho. Este facto acentua favoravelmente a percepção de largura que o Vantage transmite, parecendo mais largo do que o que realmente é.
 
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A traseira, esculpida muito invulgarmente, deixa antever os detalhes aerodinâmicos muito cuidados. Embora pareça um deflector, a zona superior tem como função suavizar o caudal de ar na traseira do Vantage.
 
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O downforce (60Kg) é gerado exclusivamente pelo extractor, de dimensões muito generosas, na zona inferior. Funciona lindamente, diga-se! Os restantes detalhes, na zona frontal, seguem a escola do DB11, já explicado aqui (ver DB11).
 
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Outro ponto que mereceu especial atenção dos engenheiros da Aston Martin, foi a colocação do motor. Além das modificações referidas, o cárter foi rebaixado e alargado, permitindo assim uma colocação extremamente baixa. Está também muito recuado, em posição central-dianteira, ocupando inclusive algum espaço no habitáculo, por detrás do tablier. Isto confere ao Vantage uma repartição de pesos de 49%-51% entre o eixo dianteiro e traseiro.
 
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Com estes predicados, este novo Aston é um portento na estrada. Equilíbrio e competência, até exacerbada. A direcção, com um bom grau de assistência e bom feedback, aliadas ao excelente equilíbrio do chassis, tornam as mudanças de direcção num exercício de precisão que não comprometem em nada a quase fleuma deste britânico.
 
A inserção em curva é de uma assertividade desconcertante, reagindo como um todo muito uniforme e coeso, ao mesmo tempo deixando o condutor sentir a reacção a qualquer comando ou correcção. Está completamente à-vontade, tanto em auto-estrada como em traçados mais sinuosos e exigentes, transmitindo segurança e tranquilidade aos ocupantes.
 
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Em curvas mais longas e em apoio conseguimos sentir, muito suavemente, o trabalho do diferencial electrónico (E-Diff), nas retomadas de aceleração. Digerir 510cv e um binário de 685Nm só no eixo traseiro não é tarefa fácil mas, mais uma vez, competência é a palavra de ordem. Ao fim de cinco minutos ao volante parece que já o conhecemos, como um amigo de longa data.
 
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Embora pareça quase sacrilégio a electrónica automóvel atingiu a maturidade. Sem ser intrusiva, nota-se o trabalho, sempre em prol da eficácia que estes sistemas fazem. Para os mais cépticos fica a comparação: conseguiríamos fazer, manualmente, o que estes sistemas fazem? Claro que sim, mas nunca à velocidade e com a suavidade com que o fazem.
 
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Em conclusão, a Aston tem um verdadeiro candidato ao melhor desportivo do ano. Envolvente, bem construído e com a dose de emoção que se pretende, o Vantage é um acérrimo concorrente da referencia do sector, o Porsche 911.
 
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