Museu da Miniatura de Gouveia: Nove anos de sucesso

Automobilia 10 Jan 2017

Museu da Miniatura de Gouveia: Nove anos de sucesso

Por Adelino Dinis

No passado mês de Dezembro realizou-se a tertúlia comemorativa do nono aniversário do Museu da Miniatura de Gouveia. Esta inovador Museu, liderado por Fernando Taborda, sempre com o apoio do município da bela cidade no sopé da Serra da Estrela, tem-se revelado precioso para difundir a história e a cultura do automóvel, mas também para elevar o estatuto do coleccionismo nacional.
 
A tertúlia anual tem sempre fortes motivos de interesse, mas arrisco dizer que esta foi, sem dúvida, das mais interessantes, reunindo diversas personalidades do desporto automóvel e do comércio e indústria, que partilharam histórias inéditas sobre as suas carreiras desportivas e profissionais.
 
Este ano, a marca em destaque foi a Citroën, em Portugal desde 1919, com um longo historial comercial e desportivo no nosso país e os convidados principais desempenharam papéis importantes nesse sucesso.
 
Francisco Romãozinho, um dos mais famosos e bem-sucedidos pilotos nacionais de rali, que realizou uma extraordinária transição para o comércio e indústria, como administrador da Citroën, da Fiat e a da Volkswagen em Portugal, foi uma das figuras em destaque, contando vários episódios da sua brilhante carreira desportiva. Sobre a vitória no Rali TAP de 1969, contou aos presentes que a Lancia trocou o Lancia Fulvia de Tony Fall e, como a troca foi descoberta, foi simulado o episódio do terceiro ocupante do Lancia, para que houvesse um motivo menos penalizante em termos mediáticos para a desclassificação.

 
Curiosamente, tendo em conta que os seus mais conhecidos triunfos foram nos ralis, o seu título de campeão nacional é de velocidade, em Grupo 1, com um BMW 2002 Ti, em 1969.
Muito acarinhados também nesta ocasião foram os campeões nacionais de ralis de 2016, José Pedro Fontes e Inês Ponte Grancha, a primeira equipa mista a conseguir este feito, no Citroën DS3 . Fontes e Grancha revelaram detalhes da preparação das provas, com visionamento de imagens dos anos anteriores, falando ainda das especificidades da relação entre piloto e co-piloto. Neste caso, ficámos a saber que um dos truques que a Inês usa para acalmar o piloto, quando está mais ansioso ou agitado, é dar-lhe chocolate… Outra história curiosa que revelou esteve relacionada com um momento em que, no Rali Casino de Espinho, em que se sagraram campeões, em dado momento, entrou um pouco de água no carro e molhou o caderno de notas da co-piloto. Esta fez um gesto com a mão para sacudir a água. O piloto interpretou como um gesto para andar mais depressa. Quando pararam, o José Pedro disse, zangado: “Estavas a mandar-me andar mais depressa, mas nestas condições não vias que eu não podia?” A Inês riu-se e explicou que estava apenas a sacudir a água das notas…
 
Depois desta história, Romãozinho partilhou outra, sobre o seu extraordinário e taciturno co-piloto em diversas ocasiões, João Canas Mendes, também conhecido pelo pseudónimo “Jocames”. Durante a volta a Portugal, Romãozinho, sentido uma aragem inesperada, pediu ao co-piloto para fechar o vidro. Mais algumas curvas passaram, até o piloto repetir o pedido. A resposta veio a seguir: “Não posso fechar o vidro, porque arrancaste a porta num muro de pedra lá atrás.” Romãozinho, surpreendido, perguntou se devíamos desistir. O imperturbável co-piloto retorquiu: “Mas porquê? que falta é que a porta te faz?” e continuaram em prova.

 
Nuno Rodrigues da Silva, que tem estado presente em todas as tertúlias do Museu, trouxe para a discussão a sua experiência como um dos melhores co-pilotos portugueses de todos os tempos (Vencedor da Taça do Mundo FIA de Ralis em 1996, com Rui Madeira, para além de muitos outros triunfos).
 
Como este ano, a marca escolhida era a Citroën, com uma bonita exposição de clássicos junto ao edifício da Câmara Municipal, Fernando Taborda convidou José Raúl Pereira, antigo responsável de Comunicação da Citroën e da Competição Automóvel. Raúl Pereira foi o perfeito embaixador da marca francesa ao longo das décadas em que esteve ao seu serviço. Os seus relatos dos tempos da competição, e as referências aos diversos pilotos que conduziram para a Citroën, enriqueceram a troca de ideias de uma forma que só é possível quando assistimos a conversas informadas de vários pontos de vista diferentes.
 
Luís Celínio, do Clube Escape Livre, foi outro dos intervenientes, sendo também um dos importantes apoios do Museu.
 
Esta tertúlia contou ainda com um excelente moderador. Fernando Taborda, promotor do Museu da Miniatura Automóvel, revelou grande preparação e boa forma na passagem dos temas, tornando este acontecimento, que teve a duração de duas horas, num agradável convívio, que passou a correr.

 
No final, houve tempo e muita vontade do público para trocar ideias com as personalidades presentes. Muitos autógrafos e fotografias, que registaram de forma mais solene uma ocasião especial.
 
O Presidente de Câmara de Gouveia, Luis Manuel Tadeu Marques, grande impulsionador do Museu da Miniatura Automóvel, foi um anfitrião sereno e atento, prometendo muitas novidades para o 10º Aniversário, com planos bem encaminhados para uma merecida expansão deste projecto.
 
O Jornal dos Clássicos irá acompanhar os desenvolvimentos relativos ao Museu da Miniatura Automóvel, um projecto que merece o carinho e apoio de todos os entusiastas nacionais.
 



 

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