A opulência e o automóvel

LifeStyle 05 Dez 2016

A opulência e o automóvel

Por Hélio Valente de Oliveira

Pela definição da palavra, opulência significa “amplo caudal de certos recursos”, normalmente associados à riqueza material. Mas, o que torna um automóvel, ou melhor, o que leva um automóvel a ser definido como opulento?
Luxo? Potência? Linhas exteriores? Isto vem no seguimento de ter postado uma foto, de um automóvel, claro, numa rede social e um dos comentários foi:”é giro mas é muita opulência…!”
 
Particularmente acho muito difícil definir o que se torna excessivo ou não. Depende tudo de quem olha e, mais importante, do que está habituado a ver ou a viver. O conceito de opulência e de luxo tocam-se, mas o subentendido, pelo menos para muita gente, é que a opulência será o luxo excessivo, como se tal coisa pudesse existir. O luxo pode ser espartano, no sentido que a falta de luxo é, per se, o maior dos luxos. No entanto, voltemos aos automóveis…
 
Um Bentley, por exemplo, o que o torna opulento? As dimensões…? O interior? É certo que automóveis com interiores cuidados e linhas exteriores algo sobredimensionadas se tornam alvo de olhares mais ou menos indiscretos, mas a ideia dos construtores é dota-los de uma dose de conforto fora do normal. Muitas vezes tal é só aparente mas é o suficiente para fazer o potencial comprador pensar nas vantagens de possuir tal viatura…criar a necessidade. Um Lamborghini ou Ferrari, menos focados no conforto e mais em sensações fortes apelam a outra gama de sentimentos completamente diferentes. A experiência começa com as linhas exteriores. Ainda não entramos no automóvel e já estamos com a pulsação fora de controlo. Nem será um caso de beleza, mas as linhas arrebatam-nos e ficamos logo a sonhar. Pôr o motor a trabalhar tem que ser transcendental. Aqui o conforto é esquecido e a audição transporta-nos logo para outras paragens. Não é por acaso que as marcas deste segmento investem muito tempo e dinheiro em detalhes que podem parecer acidentais ou facilmente descurados, mas fazem parte de uma estratégia muito elaborada. Tudo conta, até ao mais ínfimo pormenor. A diferenciação dos produtos mais correntes tem que justificar o valor. Claro que a experiência de condução não pode desiludir, seria defraudar o comprador e a longo prazo a estratégia não daria frutos.
 
Claro que muita gente quase se sente insultada com a presença de tais viaturas na via pública e tendem a ver só um lado da questão…a quantidade de recursos que são precisos para a aquisição. Mas tentar compreender o porquê, a razão de ser, o significado de tais obras de arte, isso sim, seria o ideal.
 
Mas o excesso de sensações provocadas, poderá ser interpretado como opulência? Depende de quem interpreta a mensagem… do meu ponto de vista, quando o resultado final é coerente a resposta é um rotundo não. Não existe… Nem interessa o preço. Um Bugatti Chiron custa 2,5 milhões! E então? Como peça de engenharia, e ao mesmo tempo de arte, o esforço, a atenção ao detalhe posto em cada um…não sei se o dinheiro pedido pagará o produto final. É um detalhe que o tornará mais ou menos acessível. E para ser um produto de excepção o preço tem que condizer. Na maior parte dos casos nem é só o produto que se compra. É o bilhete de entrada para um mundo invulgar com uma ampla panóplia de benesses.
 
O alvo aqui não será exceder as expectativas dos clientes e do público em geral…é deixá-los de joelhos, no sentido figurado, claro, como se levassem um murro no estômago, perante tal combinação de pormenores…e aí o efeito é amplamente conseguido!
 

86. Geneva International Motor Show, 29.02.2016, Palexpo - Guido ten Brink / SB-Medien
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TAGS: Bentley Mulsanne Bugatti Chiron


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