Não é o destino. É a viagem.

Clássicos 31 Out 2016

Não é o destino. É a viagem.

Por Adelino Dinis

Desde criança que me lembro de ser apaixonado por automóveis. Os meus pais compraram o primeiro automóvel em 1973, 11 meses depois de eu nascer. Era um Peugeot 304 berlina, branco Alasca com interior em napa vulcanizada vermelha. Um modelo competente para a altura, mas um familiar popular, sem prestações de relevo, apesar da elogiada “tenue de route”. Era, no entanto, ideal para um jovem casal com um filho pequeno.
 
As primeiras viagens em família e a vaidade e satisfação do carro novo que os meus pais naturalmente teriam, poderão ter tido alguma influência na minha “queda” para o tema. Com um ano já me punha ao volante do Peugeot e aos três reconhecia qualquer logotipo de construtor à distância de 30 passos. Nada disto é muito extraordinário ou diferente de qualquer outro entusiasta. Mas esta dedicação foi crescendo, mesmo quando outros interesses surgiram (futebol, super-heróis, bicicleta, jogos de computador, cinema, namoradas…).
 
A minha primeira revista de automóveis foi uma L’Automobile, tinha 8 ou 9 anos. Convenci o meu Pai a comprá-la por motivos didáticos, capitalizando as minhas aulas de francês nos tempos livres. A dada altura, do interesse pelos modelos novos, passei para os mais antigos. Depois entrei para a faculdade, em Lisboa, e acumulei o curso de direito com outro de automóveis clássicos, pela via autodidata.

 
Estava no último ano, em 1996, quando conheci o Pedro Corrêa Mendes e o António Andrade e Sousa, o editor e o director do Jornal dos Clássicos. Como teste, escrevi uma reportagem sobre o Raid Pedras d’El Rei. Nas edições seguintes, passei a escrever os artigos principais sobre os modelos. Pouco tempo depois, assumiu a direcção do Jornal dos Clássicos o Nuno Coutinho, com quem aprendi muito sobre jornalismo.
 
O Jornal dos Clássicos foi a minha plataforma para tudo aquilo que veio a seguir. Passei a ser o director em 1998, com 26 anos. Provavelmente demasiado jovem para a função, mas tentei sempre compensar a “frescura” com muito trabalho e dedicação o que me valeu, pelo menos, aprender mais depressa! Depois passei para outros projectos, muitos deles próprios, como os livros que regularmente publico através das Edições Vintage e outros em associação com diversas entidades.
 
A oportunidade de receber do Pedro Corrêa Mendes o título do Jornal dos Clássicos – agora como publicação digital – em parceria com o Museu do Caramulo, era irrecusável e estou muito orgulhoso do trabalho realizado pelo Salvador Patrício Gouveia como director.
 
Após uma década dedicada à revista Motor Clássico, encaro o novo desafio de ser co-editor do Jornal dos Clássicos com grande entusiasmo. Sou jornalista graças à minha paixão pelos veículos históricos. Mas sou também, e acima de tudo, um “petrolhead” como o leitor.
 
Adoro o trabalho imparcial e meticuloso a que o jornalismo me obriga, mas retiro enorme prazer de conduzir veículos históricos ou de investigar a sua história e, sobretudo, de partilhar essa experiência e conhecimento com quem está desse lado.
 
A passagem do meu trabalho para um formato digital abre novas e fantásticas possibilidades. E eu quero aproveitá-las todas. Conto consigo para me continuar a ajudar nesta missão que me tem confiado. Vamos a isto? Até já.


TAGS: Adelino Dinis Edições Vintage Jornal dos Clássicos Museu do Caramulo


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Bernardo De MeloAdelino DinisLuis Ángel González LópezManuel Guedes de AndradeManuel H.B.F.Andrade Recent comment authors
Bernardo De Melo
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Bernardo Pinheiro de Melo

Adelino,
Não nos conhecemos pessoalmente, tenho visto as suas “coisas”, pelo FB, e tenho gostado.
Continuo, no entanto, à espera daquele ou daqueles livros sobre os circuitos de Cascais, Montes Claros e Granja.
Temos uma coisa em comum, a Peugeot, na qual trabalhei 22 anos, com muito agrado, na MOCAR, enquanto importadora da Peugeot e Alfa-Romeo; cá em casa há 3 Peugeot,
mas nenhum como esse da foto……continua a fazer-me cócegas debaixo dos braços, mas só o 1600cc.

Um abraço, e que tudo corra pelo melhor

Adelino Dinis

Olá Bernardo, boa tarde. Muito obrigado pelas suas palavras. Estou a prever publicar o primeiro dos livros que falámos, sobre o Circuito de Cascais, no segundo semestre de 2017.
Quanto aos Peugeot, também há vários na família, incluíndo o primeiro, o 304 Berlina de que falo no texto. O 1600 fase 1 de 115 cv também é o meu GTI favorito. Um abraço.

Luis Ángel González López
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Luis Ángel

Até já! – Mesmo!
Adelino, não lhe vou desejar sucesso nesta nova viajem; não o precissa. Tenho a certeza de que não vai ir sozinho nela. Sempre estara acompanhado dos muitos seguidores que você fez ao longo da sua trajectoria no mundo dos autos históricos.
Pode contar de certeza com mais un acompanhante na sua viagem. Ficarei mesmo encantado.
Cumprs.

Adelino Dinis

Olá Luís Ángel! Obrigado pelas suas amáveis palavras e pela companhia. Um abraço.

Manuel Guedes de Andrade
Visitante
Manuel Guedes de Andrade

Até já, por mim também.
Sempre gostei do teu trabalho, das revistas produzidas. Apreciei a tua simpatia e abertura à comunidade de apreciadores de Classicos. Tenho a certeza que esta nova etapa vai criar valor para todos.
Felicidades

Adelino Dinis

Obrigado Manuel. Um abraço.

Manuel H.B.F.Andrade
Visitante
Manuel H.B.F.Andrade

Adelino,
Vai ser estimulante para ti o continuares a fazer aquilo para que foste destinado, assim como vais enriquecer aqueles que te vão acompanhar.
Vamos a isso,por mim cá estarei.
Abraço
Manuel F.Andrade

Adelino Dinis

Obrigado. Abraço e até já.

Luís Bruno Tavares
Visitante
Luís Bruno Tavares

Obrigado pelos números da motorclassico que nos deu… mas cima de tudo obrigado por partilhar esta paixão com todos nós. Ao longo destes tempos falamos algumas vezes. Uma delas porque foi numa das reportagens sobre o rali de Portugal (ainda TAP) que descobri uma foto da chegada à Guarda onde estava a menina que é hoje minha mulher. Outra porque o 504 coupé valia bem a frase dos anciãos “mais vale um gosto na vida que dez reis na algibeira” e que número sagrado esse! Ainda que o 205 mereça o slogan. Percebo agora a paixão pela Peugeot. Há razões… Read more »

Adelino Dinis

Obrigado meu caro Luís Bruno. Um abraço.

Carlos Costa Ramalho Costa Ramalho
Visitante
Carlos Costa Ramalho

Adelino,
Então um até já!
E muito sucesso nesta nova aventura.
Um abraço amigo
Carlos Costa Ramalho

Adelino Dinis

Obrigado Carlos. Abraço.

Joao
Visitante
Joao

Esperamos óptimos artigos
Bom trabalho

Adelino Dinis

Obrigado. Cumprimentos.