O caminho até à F1: John Love

Arquivos 12 Out 2014

O caminho até à F1: John Love

Por Pedro Branco

John Love foi um dos grandes nomes das corridas da África austral dos anos 60, tendo chegado a esse protagonismo por força de um longo caminho. Nascido na Rodésia (actual Zimbabwe) em Dezembro de 1924 na cidade de Bulawayo, trabalhou como aprendiz de electricista no município local quando deixou a escola. A carreira como funcionário público mal arrancou, pois com o rebentar da II Guerra Mundial juntou-se ao exército britânico, alinhando numa divisão de tanques que percorreu o Médio Oriente e a Itália, país onde começou a fazer as suas primeiras diatribes competitivas quando ficou estacionado perto de Monza e ele mais uns companheiros andaram pela “catedral” a acelerar uma moto Zundapp. Pouco tempo depois foi designado estafeta entre várias cidades italianas e suíças, o que ajudou ainda mais a ganhar o vício pela velocidade e suspense.
 
Com o final da guerra, volta para Bulawayo e o seu antigo emprego e compra uma moto para as suas deslocações, o que acabaria por despoletar a sede das corridas, inscrevendo-se em várias provas locais entre 1947 e 1953 com vários exemplares. Mas Love queria passar para os automóveis. Vende a sua última moto a Jim Redman, acabando por ajudar a lançar a carreira do seu compatriota em direcção à glória mundial que viria a conhecer mais tarde, e com os proveitos dessa venda compra um Cooper MkIII de F3 com motor JAP 500cc em segunda mão. Durante três anos usou este automóvel, sendo que entretanto trocou o JAP por uma unidade Norton, Depois de um grande acidente, este automóvel deu lugar a outro Cooper, que continuou a fazer furor nas pistas rodesianas, a maior parte delas ainda em terra!
 
Love começa a querer algo mais e pensa também em ir fazer algumas provas à vizinha África do Sul. Para tal adquire o Riley Special a Bill Jennings, o campeão sul-africano, no final de 1957, ganhando logo a primeira prova em que se inscreveu.
 
O Riley não era pêra doce, tendo até trocado a caixa que trazia por uma de um MG TC, mas trouxe-lhe bons resultados durante 1958, sendo que no final da época ainda causa sensação ao conseguir o 2º lugar na primeira edição das 9 Horas de Kyalami, partilhando um Austin-Healey com George Pfaff.
 
1959 começaria numa nota negativa, quando o motor do Riley, depois de muitos anos a ser esmifrado em competição, explodiu à 5ª volta da False Bay 100. Pouco depois deste incidente, Love e o compatriota Jimmy Shields decidem tentar a sua sorte na Grã-Bretanha. Acabam por não conseguir nenhuma oportunidade, voltando Love para a Rodésia com um Jaguar D-Type de 1954 que comprou na “metrópole” e que pertencera à equipa oficial, fazendo a segunda metade da época com a decana máquina. Nesta época, em terras africanas, os sportscars ainda partilhavam muitas corridas com os fórmulas o que enaltecia ainda mais os resultados obtidos ao volante de um automóvel mais indicado para correr em Le Mans. Essa boa imagem fez com que desta feito o novo “pulo” em direcção à Inglaterra corresse de melhor feição, com John Love a conduzir para a Lola, através da equipa Fitzwiliam no Europeu de Fórmula Junior. Sem vitórias, mas com alguns pódios e boas exibições, Love conseguiu captar a atenção de Ken Tyrrell, à altura o manager da equipa de F. Junior da Cooper, que o convidou a disputar com eles a época de 1961, juntando-se ao sul-africano Tony Maggs. De permeio ainda ganhou as 9H de Kyalami em 1960 e 1961 num Porsche 550 partilhado com Doug Gous.
 
Depois de um ano em que conquistou algumas vitórias no campeonato, Love continuou a correr para Tyrrell em 1962, fazendo também a época no campeonato britânico de turismos com um Mini Cooper oficial, acabando por ganhar 7 em 8 corridas à classe e ainda sagrou-se campeão à geral!
 
Na parte final da época de 62, o rodesiano tem um grande acidente na prova de Fórmula Junior em Albi, ficando com sérias lesões no braço esquerdo, vindo a perder o movimento no pulso . A recuperação e o estado em que ficou levou-o a não prosseguir a sua carreira na Europa nos anos seguintes, optando por voltar para África, desenvolvendo um novo estilo de condução adaptado à sua nova condição. Ainda assim motivado, decide comprar um Cooper T55 para correr no principal campeonato da África do Sul e da Rodésia, acabando por fazer a sua estreia no mundial de F1 no GP da África do Sul de 1952 ao volante desse mesmo automóvel.

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