Lendas da Competição: Olda (1954)

Arquivos 14 Ago 2014

Lendas da Competição: Olda (1954)

A Olda, de Águeda, surgiu em 1954 e rapidamente conquistou o papel de favorita nas corridas, não só devido à qualidade do projecto como ao excelente nível de condução de Joaquim Correia de Oliveira, piloto e técnico do veículo, e de Ângelo Costa, responsável pela preparação dos motores. Acabava de nascer uma nova marca nacional de automóveis exclusivamente vocacionada para a competição. Denominava-se Olda, contracção de “Oliveira de Águeda”, retendo as letras mais importantes para a designação final.
 
O embrião desta nova marca era idêntico ao de outros construtores nacionais, utilizando a base mecânica do Fiat 1100, em particular o chassis e o motor, com grandes transformações. No chassis, à semelhança do que já tinha sido feito por outras marcas, optou-se pela inversão do chassis, fazendo com que o eixo traseiro ficasse colocado acima das longarinas e não em baixo delas como era normal nos automóveis convencionais de passageiros. A suspensão traseira – com mola de lâminas – foi também alterada, pois a diminuição do peso geral do conjunto permitiu retirar algumas lâminas. Na suspensão dianteira, as modificações foram mais radicais pois a existente – com quadriláteros e molas helicoidais – foi pura e simplesmente retirada, dando lugar a uma suspensão de Volkswagen, de rodas independentes – semelhante às dos Porsche e dos Denzel da época, com as suas famosas barras de torção. A carroçaria foi efectuada com a colaboração de Ângelo Costa, que esteve envolvido em muitos projectos, com a sua experiência. Foi construída no Porto, numa pequena oficina situada no Largo do Viriato. Com uma linha de cintura muito baixa, o Olda apareceu pintado num azul metalizado de grande efeito, que contrastava com a generalidade dos outros veículos nacionais.
 
Logo na prova de estreia, a II Taça da Cidade do Porto, no Circuito da Boavista, em 27 de Junho de 1954, terminou na terceira posição atrás de Ernesto Martorell e de Joaquim Filipe Nogueira, ambos em Denzel.
 
Na continuação do desenvolvimento do carro, e com a finalidade concorrer na classe Sport, que tinha o limite superior fixado nos 1.500 c.c., a escolha de um novo motor recaiu num Borgward de quatro cilindros. De acordo com Correia de Oliveira, o motor, depois de completo e rodado, deveria desenvolver entre 90 a 95 cv de potência.
 
A participação do Olda nas competições durou apenas três anos e decorreu entre as épocas de 54 e 56, destacando-se não só os bons resultados obtidos quer na Boavista quer em Monsanto, como também o excelente 2º lugar na classe de 1500, obtido no circuito internacional de Tanger.
 
Este automóvel faz parte da exposição temporária “Lendas da Competição”, patente no Museu do Caramulo até ao dia 18 de Outubro.
 
Ficha técnica
1954
Portugal
80 CV
4 cilindros
1493 c.c.
4 velocidades
500 Kg
165 Km/h



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