Mercedes-Benz 300SL Roadster: Beleza sem idade

Automobilia 08 Mai 2014

Mercedes-Benz 300SL Roadster: Beleza sem idade

Quando Max Hoffman embarcou em Lisboa a caminho da America em 1939, estaria longe de pensar em tornar-se responsável por um dos principais meteoros que passaram no firmamento da Mercedes-Benz: o 300SL de série.
 
Atentos a este fenómeno, dois fabricantes de brinquedos, um inglês e outro dinamarquês, deitaram mãos à obra e criaram duas miniaturas, que desde a década de 50 têm mantido a sua estrela a cintilar: a Corgi e a Tekno.
 
No início da década de 50, após ausência de uma dúzia de anos devido à guerra, os Mercedes voltam à competição para confrontar marcas como a Jaguar, Alfa-Romeo e Ferrari.
 
A prova escolhida é as Mille Miglia de 1952 e a Benz não poupa a meios para criar e aparecer com um carro super competitivo, cuja sigla será 300SL, devido à sua cilindrada de 3.0 LT e à sua carroçaria Sport Leicht (Leve).
 
O sucesso deste carro nas corridas levou Max Hoffman, que então se tornara uma referência na América na importação de carros europeus, como os BMW 507 e os Porsche (foi dele que partiu a ideia do 356 Speedster e importou o carro do James Dean), a desafiar a Mercedes a criar uma versão de estrada do 300SL, a qual ele assumiria o compromisso de importar 1.000 modelos. O que veio a acontecer a partir de 1954 aquando da apresentação em Nova Iorque da versão de estrada, com as originais portas que os franceses designaram por «papillon» (borboleta) e os ingleses por «gull wing» (asas de gaivota). Curiosamente, os primeiros dos 1.400 modelos produzidos até 1957 foram vendidos na europa.
 
O ano de 1955 é manchado pelo trágico acidente de Le Mans, onde um dos sete 300SLR (R de Racing) que foram construídos, acabou por aterrar em cima das bancadas, vitimando 82 pessoas, o que levou a Mercedes a anunciar a sua retirada do desporto de alto nível.
 
Em 1957, a conselho de Hoffman, pois as senhoras tinham muita dificuldade em sair do “gullwing”, surge o sedutor 300SL roadster (versão aberta) dos quais foram fabricados até 1963, 1.858 exemplares.
 
Em Portugal, após a II guerra, o representante da Mercedes passou a ser a Sociedade C. Santos, que foi criada em 1912 pelo engenheiro Carlos Santos, o Conde de Caria e o seu genro Boaventura Mendes de Almeida. Esta versão aberta do 300SL foi comercializada pouco acima dos 300 contos. Um valor que dava para comprar quatro VW carocha, novos. Daí só terem sido importados oito carros.
 
Para quem sempre teve a ambição de possuir um destes carros, mas nunca teve hipótese de a materializar, a solução mais próxima à epoca eram as miniaturas da Corgi Toys. Os primeiros modelos 300SL roadster da Corgi Toys (o terceiro estrangeiro a ser produzido) apareceram em Agosto de 1958 (24 escudos) e foram descontinuados em 1967. Durante este período comercializaram-se cerca de 30 versões com combinações de diferentes cores, baseadas em pequenas alterações. Até 1961 os modelos não tinham suspensão, sendo a partir dessa data que a passaram a ter, estando essa indicação mencionada na caixa, logo a seguir à referência numérica com a letra S, havendo também modelos com condutor e sem ele, assim como versões com capota metálica (hard-top).
 
Este modelo foi concebido com a preciosa ajuda da Mercedes-Benz, que na altura facultou todos os elementos para que o molde saísse com todas as medidas correctas. A escala ficou-se pela 1/46. Mais de um milhão destes modelos foram fabricados, mas o certo é, que de algumas destas variantes, já não existem mais que duas centenas em bom estado. O calcanhar de Aquiles deste modelo é o seu pára-brisas, que se quebra facilmente. Apesar dos ingleses afirmarem que é quase impossivel substituir o pára-brisas sem abrir o modelo, destruindo os seus rebites, o certo é que tal feito já tem sido conseguido, com muita técnica, por coleccionadores lusos.
 
Em 1962 a dinamarquesa Tekno, surge à escla 1/43 com um “revolucionário” 300SL Roadster, cuja caracteristica era poder ser desmontado e ter inumeras funcionalidades que se assemelhavam às do verdadeiro carro. Possuir pneu subselente, abrir portas, capot, bagageira e ter rodas direcionais ao pressionar o guarda-lamas (a Corgi estreara este gadget um ano antes no Bentley Continental) eram a mais-valia deste modelo.
 
Este molde foi utilizado até à exaustão, tendo acabado já na década de 70 na espanhola Joal.
 
Falar do 300SL é falar da essência da Mercedes tal é a sua elegância e a sua substância, algo que só os Dream Cars possuem. Mas como o sonho comanda a vida… nunca se sabe quanda acaba em realidade uma mudança de escala.
 
Texto: Álvaro Silva



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