O caminho até à F1: Lorenzo Bandini

Arquivos 09 Fev 2014

O caminho até à F1: Lorenzo Bandini

Por Pedro Branco

Lorenzo Bandini foi um das muitas esperanças italianas para suceder a Alberto Ascari como campeão do mundo de F1. O seu início de carreira augurava isso, já que se teve de fazer um pouco à vida como aconteceu na maior parte das carreiras dos campeões. Para já, a sua família tinha conhecido um revés quando foram obrigados a deixar a Líbia no início da segunda guerra mundial (lembrar que o país de Khadaffi era na altura uma colónia italiana e que Lorenzo nasceu por lá). Depois, na parte final do conflito, o pai é raptado e morto. Assim, chegando à idade de fazer alguma coisa, começou como aprendiz numa oficina de motocicletas. Aos 15 anos tenta encontrar um novo rumo e parte para Milão, onde vai trabalhar para outra oficina, neste a caso a Garage Rex de Goliardo Freddi. O patrão irá acolher o jovem da melhor maneira, levando-o até a Monza para ir assistir às corridas, e quando o bichinho começa a morder, empresta-lhe o seu Fiat 1100 TV para umas pequenas provas de estrada em 1956.
 
Bandini devia ser um bom rapaz na oficina e no volante, pois Freddi acabaria por lhe continuar a apoiar estas investidas, passando-o depois para o volante de um Fiat 8V e, em 1958, o momento que pôs o seu protegido ao volante de um Lancia Appia Zagato nas Mille Miglia de 1958, a primeira grande prova que iria disputar, e que cumpriu na perfeição, ao vencer a classe! Claro que Freddi merece também o aplauso em não ter impedido os amores de Lorenzo. É que a apaixonada do piloto era a sua filha Margherita!
 
No ano seguinte, dedica-se à Formula Junior ao volante de um Volpini/Fiat da Scuderia Madunina, conseguindo, entretanto, os proveitos suficientes para abrir a sua própria oficina. Passará para um Stanguellini em 1960, com o qual vai participar como piloto oficial, conseguindo algumas vitórias de relevo, como a ocasião da foto, quando ganhou GP Libertad em Cuba.
 
É por esta altura que se começa a falar no projecto de levar um jovem piloto promissor para um Ferrari. A FISA (federação italiana de equipas desportivas) decide fazer um shoot-out e quem acaba por ficar com o lugar é Giancarlo Baghetti. Note-se que deverá ter havido grande desilusão no campo de Bandini, pois este apresentava melhores resultados, mas Baghetti pilotava para a equipa de Eugenio Dragoni, Saint’Ambroeus, que era quem iria fazer a gestão da participação…
 
Contudo, o seu talento era reconhecido e uma das pessoas que o testemunhava era Mimmo Dei, o patrão da Scuderia Centro Sud, que decide dar-lhe uma oportunidade no seu Lotus 20 de Formula Junior e com o Cooper/Maserati no GP de Pau (prova de F1 extra campeonato), onde Bandini acabará por alcançar o terceiro lugar. O que irá levar à sua estreia no Mundial de F1 no GP da Bélgica de 1961, ao volante do mesmo carro.


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Paulo de Sousa Lima JuniorVitor Cruz Recent comment authors
Paulo de Sousa Lima Junior
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Paulo de Sousa Lima Junior

Lembro-me, aos 21 anos, em 1963, da sua vitória nas 24hr de Le Mans ao lado de Ludovico Scarfiotti,competindo em uma Ferrari 250LM

Vitor Cruz
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vitorcruz

Tinha eu 11 anos quando naquela tarde fatidica de maio de 1967, assisti pela tv ao seu assidente no g.p. do monaco. Marcou-me para toda a vida, mas no sentido de vir a ser ate a data, um apaixonado do desporto automovel.