O caminho até à Fórmula 1: John Surtees

Arquivos 08 Dez 2013

O caminho até à Fórmula 1: John Surtees

Por Pedro Branco

E ei-lo, o único homem a conseguir um título mundial quer em duas quer em quatro rodas. Havia quem lhe chamasse “Big John” ou “Fearless John”. Grandes adjectivos para um jovem britânico que se sagrava campeão do mundo de motociclismo aos 22 anos e que antes já tinha posto em respeito, aos comandos de uma Norton o mais velho e referenciado Geoff Duke. Os críticos poderiam dizer que o facto de o pai ser comerciante de motos ajudou a lançar a carreira, mas alcançar o que alcançou no meio motard dos anos 50 merece todo o nosso maior respeito, sobretudo numa altura em que a segurança de máquinas e circuitos era consideravelmente menor em relação aos dias de hoje. A exuberância competitiva levou a que o conde Agusta fosse buscá-lo para a sua equipa, onde alcançaria a glória internacional, ao sagrar-se campeão do mundo de motociclismo na classe de 500cc em 1956, repetindo o feito no triénio de 1958-60, onde somou também os títulos obtidos na classe de 350cc.
 
Entretanto dão-se aqueles encontros fortuitos a que alguns chamam destino. Numa cerimónia de entrega de prémios no final de 1958, Surtees conferencia amigavelmente com Tony Vandervell e Mike Hawthorn. Falou-se até de um shoot-out entre este último e Surtees, mas Hawthorn morreria uma semana mais tarde num acidente de viação. Já Surtees, com o decurso dessa conversa, dois anos depois seria convidado por Reg Parnell para testar o Aston Martin de F1, e este a ter um contrato para assinar no final. Surtees recusou. Tony Vandervell convida-o para experimentar o Vanwall (mesmo tendo encerrado a atividade da equipa…) e lança-lhe a possibilidade de vir a conduzir o carro.
 
Surtees recusa mais uma vez, mas fica com o bichinho dos automóveis ligado. O Conde Agusta, que já não andava muito contente com o facto do seu melhor piloto pilotar Norton’s nos eventos britânicos, até se oferece para construir um carro, na tentativa de prender o seu principal piloto! Surtees convence-o a não ir por aí, e por seu turno, compra um Cooper de F2 novo. Acaba por participar numa prova de F. Junior ao volante de um Cooper/Austin inscrito por Ken Tyrrell. E para primeira prova faz logo segundo lugar atrás de Jim Clark…
 
E eis que aparece mais uma oportunidade a acenar-lhe! Colin “Chunky” Chapman convida-o para disputar o GP do Mónaco de 1960 ao volante de um dos carros do Team Lotus. E a partir daí iria-se construir outro grande capítulo da história do desporto motorizado…

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