Metosul: Do ferro ao plástico, de Portugal à Europa

Automobilia 30 Jun 2013

Metosul: Do ferro ao plástico, de Portugal à Europa

Nos arredores do Porto mais propriamente em Espinho. Dois jovens irmãos Manuel Henriques (1886-1954) e Artur Henriques (1892-1965) decidem criar na sua terra natal no período entre as duas guerras mais propriamente em 1931 uma fábrica de plásticos à qual deram o nome de Luso-Celuloide. Inicialmente com oito empregados dedicam-se ao fabrico de bijuterias e quinquilharias.

 

Posteriormente devido à necessidade de como em qualquer indústria preencher períodos de menor laboração e para fazer um maior aproveitamento do material rejeitado, dedicam-se ao fabrico de brinquedos em plástico: bonecas, carros, soldados, motas…

 

Na década de 50, dá-se a saída de um dos irmãos da sociedade para criar uma nova empresa também em Espinho, no fabrico de brinquedos. Nasce a marca “Hércules”. Nessa altura a empresa Luso-Celuloide cria a designação Osul (Luso lido ao contrário) e continua o fabrico de brinquedos em plástico.

 

Em meados da década de 60 à medida que começaram a dominar a técnica dos moldes em metal lançam no mercado um novo tipo de brinquedos: Nasce os Metosul. O nome foi escolhido em detrimento de Lusomet, ambos os nomes ligados à imagem da empresa sendo o primeiro mais actual e de mais fácil pronuncia.

 

Um dos primeiros modelos da Metosul a aparecer no mercado foi o VW 1200, mais conhecido como o carocha. Sendo a versão da polícia a mais (im)popular pois na altura era o carro que a PSP utilizava nas rondas e do qual a garotada fugia, com os calcanhares a bater no rabo quando eram vistos a jogar à bola na rua ou a andar em carrinhos de rolamentos.

 

O primeiro carocha da Metosul é uma miniatura de um só corpo metálico, acoplado a uma base também metálica (com dois escapes) ao qual é rebitado. As suas características são: Óculo traseiro oval (posteriormente passou a rectangular). Sem plástico a fazer de janelas, mas possuindo interiores. As jantes eram lisas em metal (idênticas aos modelos da Corgi da década de 60) e com pneus em borracha com rasto. Os pára–choques tinham batentes. A caixa era azul (sem janela) com o desenho do carro pintado de uma forma colorida, as tampas eram em amarelo. A semelhança com o modelo da Dinky Toys é enorme.

 

Praticamente todos os modelos foram “clonados” de modelos já existentes sabendo-se recentemente através de um antigo gerente que a fábrica copiava moldes de outros fabricantes sem licença dos mesmos. Limitando-se a fazer algumas pequenas alterações.

 

Outro dos primeiros modelos fabricados pela Metosul foi o Citroën DS 19 (cópia fiel do modelo da Corgi-Toys que foi descontinuado em 1965). Este modelo apareceu na escala 1/47 e graças ao seu design continua a ser um dos mais procurados.

 

Do grupo das primeiras miniaturas consta também o Mercedes-Benz 200 que teve na versão de taxi (verde e preto) a sua maior produção, tanto com a letra A de aluguer como na versão de cidade. Este modelo sofreu algumas alterações através dos tempos sendo de salientar as alterações a nível da grelha frontal. Modelo muito semelhante ao do fabricante alemão Gama.

 

O Alfa Romeo Giulietta descapotável foi um modelo em tudo idêntico ao do fabricante francês, Solido. O Renault Floride e o Mini 850 imitavam os da Corgi Toys e o Volvo P 1800 (que foi o modelo escolhido para a série de TV “O Santo” devido a Jaguar não ter o modelo “E” disponível) foi copiado da Tekno.

 

Ainda de salientar o Peugeot 204, primeiro modelo a abrir o capot que geralmente nos ficava nas mãos. Pura coincidência a Dinky Toys francesa já tinha fabricado este modelo uns anos antes.

 

Neste primeiro período a Metosul primava por as suas miniaturas trazerem um nível razoável de detalhes: piscas, faróis, puxadores de portas e frisos pintados à mão.

 

A fábrica inicialmente vendia só para o mercado nacional, mas dedicou-se mais à exportação a partir do momento em que encontrou um distribuidor para toda a Europa, situado na Holanda. Tratava-se de Leslie Bath, um anglo-holandês dono da Replicars, que vinha várias vezes por ano à fábrica de Espinho, dar pareceres técnicos acerca dos modelos e fez com que a metosul viesse a estar presente na feira de Nurenberga, naquela que se considera a “Meca” dos fabricantes de brinquedos.

 

Começou-se a pintar alguns modelos a duas cores inclusive a caravana que era idêntica à da francesa C.I.J. A Mercedes e a Citroën tiveram uma versão táxi holandesa em amarelo e laranja, cores dos taxis de Amsterdão. Quase todos os modelos tiveram uma versão: Policia, Police, Polis, Polizei ou até mesmo japonesa.

 

Modelos Metosul produzidos:

1 – Renault Floride

2 – Citroën DS 19

3 – Alfa Romeo Giulietta Desc.

4 – VW Carocha

5 – VW Carocha Policia

6 – VW Carocha GNR BT

7 – VW Carocha GNR

8 – Morris Mini Cooper

9 – Mercedes-Benz 200

10 – Mercedes-Benz Taxi

11 – Volvo P1800

12 – Rolls Royce 1907

13 – Mercedes-Benz Taxi “Aluguer”

14 – Renault R16

15 – Renault R16 Taxi

16 – Renault 16 “Aluguer”

17 – Volvo P1800 Police

18 – Volvo P1800 GNR

19 – Caravana

20 – Citroën DS 19 Taxi

21 – Citroën DS 19 “Aluguer”

22 – Citroën DS 19 Police

23 – Autocarro Leyland Carris

24 – Peugeot 204

25 – Mercedes-Benz Policia

26 – Camião Mercedes-Benz 1113

27 – Mercedes-Benz 200 Militar

28 – Camião Cisterna Mercedes-Benz SACOR

29 – Camião Cisterna Mercedes-Benz SONAP

30 – Mercedes-Benz 200 Polizei

31 – Peugeot 204 Taxi

32 – Peugeot 204 Taxi “Aluguer”

33 – Autocarro Leyland STCP

34 – Autocarro Leyland SMC

35 – Autocarro Leyland

36 – Autocarro Leyland Carris (Gazcidla)

37 – Mercedes-Benz 1113 EGT

38 – Mercedes-Benz 1113 E.P.

39 – Mercedes-Benz 1113 GNR

40 – Mercedes-Benz 1113 Policia

41 – Mercedes-Benz 1113 JAE

42 – VW Transporter 1/66

43 – Citroën DS 19 com Caravana

 

Texto: Álvaro Silva

Agradecimento especial a José Andrade

Imagens: Museu do Caramulo e Vectis Auctions

 

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