O prodígio Bellof

Arquivos 07 Mai 2013

O prodígio Bellof

 

Stefan Bellof conseguira convencer Ken Tyrrell a deixá-lo correr nos 1000 Kms. de Spa para enfrentar Jacky Ickx. Numa pista em que o talento do alemão permitiria compensar a menor competividade do Porsche privado da equipa Brun, Bellof viu nesta participação a oportunidade de lutar pela vitória, algo que na F1 estava fora do alcance devido às limitações do Tyrrell. Mas a sua ambição era também bater Jacky Ickx no seu próprio terreno.  O mesmo Ickx que, segundo consta, fora o principal responsável pela saída de Bellof da equipa oficial da Porsche, pois o alemão era demasiado rápido, fora Campeão do Mundo e o belga não aceitava ser relegado para segundo plano, tendo feito valer a sua influência junto dos responsáveis da marca de Estugarda. Nesse dia, a dupla Bellof/Boutsen do Porsche da Brun faz uma grande recuperação desde a 23.ª posição à partida até ao segundo lugar, muito graças ao contributo do genial piloto alemão. Só falta a ultrapassagem ao seu grande rival Jacky Ickx, o mesmo que também lhe tirara a possibilidade de vencer o GP do Mónaco de F1 do ano anterior, disputado à chuva. Bellof arrisca então a manobra mais temerária da sua carreira e tenta forçar a passagem em Eau Rouge. Os carros tocam-se e Bellof bate de frente no muro de betão a mais de 200 Kms./h.  Stefan Bellof já tinha sido considerado o maior talento perdido da História da F1 há uns anos, numa votação promovida por uma prestigiada publicação especializada. Mais recentemente, na votação em que participaram mais de 200 ex-pilotos de F1, Bellof obteve o 35.º lugar do ranking dos melhores pilotos de F1 de sempre. Mas talvez ainda mais significativo é o facto de, na opinião de mais de 70 % dos adeptos que visitaram o site relativo a esta votação e que deram a sua opinião, Bellof merecer uma posição ainda mais alta no ranking dos melhores de sempre. Isto apesar de não ter tido tempo para ganhar um único GP e tendo como melhor resultado oficial um quarto lugar no GP dos EUA, disputado em Detroit em 1985.

Grande carisma

Bellof foi o único piloto a conseguir vencer as duas primeiras corridas de F2 em que participou. É ele o detentor do recorde do mítico circuito de Nurburgring, onde consta que terá batido Keke Rosberg em carro idêntico por cerca de 30 segundos. Na qualificação para os 1000 Kms. de Silverstone deu 2 segundos a todos os adversários, sendo um deles o especialista dos Sport-protótipos Jacky Ickx. Enfim, poderá haver alguma lenda em alguns dos feitos atribuidos a Stefan Bellof mas o que ninguém pode negar é o seu enorme talento natural. Quando estava ao volante Bellof mostrava o mesmo tipo de carisma de pilotos como Jochen Rindt, Ronnie Peterson ou Gilles Villeneuve. O seu estilo de condução era electrizante, excitante de observar, elegante e espectacular. Tal como Gilles Villeneuve tinha uma coragem sem limites mas apesar disso era capaz de respeitar mais a mecânica do que o canadiano. O seu primeiro teste com um F1 foi em 1983 e os outros candidatos eram Ayrton Senna e Martin Brundle. Segundo consta Senna foi ligeiramente mais rápido mas correu com um motor novo enquanto o de Bellof era usado. Pelos cálculos dos homens da McLaren, tendo em conta as diferenças entre os motores, Bellof foi ainda mais impressionante do que o brasileiro e ambos foram mais rápidos do que Brundle, outro jovem de grande talento.
Bellof causou um impacto imediato na F1 pela forma como levava o Tyrrell aos limites e pelas recuperações que fazia com um carro que não dispunha de motor turbo. Nem Ayrton Senna resistia às manobras de ultrapassagem do alemão, tendo Bellof alcançado um sexto lugar em Zolder e um quinto em Imola. Mas a corrida da sua vida foi no Mónaco, onde a chuva permitiu ao jovem alemão mostrar-se ao mundo. Depois de recuperar desde o 20.º e último lugar até ao terceiro com ultrapassagens de antologia, o jovem prodígio preparava-se para discutir a vitória com Ayrton Senna quando Jacky Ickx resolveu salvar Alain Prost (muito mais lento do que os jovens estreantes) de uma derrota certa. Segundo a Toleman, a suspensão do carro de Senna acabaria por ceder devido ao erro do brasileiro na chicane, quando perseguia Rosberg, por isso a vitória na pista seria sempre de Bellof. Seja como for, ironicamente, como os Tyrrell foram desclassificados do campeonato de 1984, a atitude de Jacky Ickx acabou por ter um efeito contrário ao pretendido e Prost acabou por perder o campeonato (por meio ponto) para Niki Lauda.
Em 1985 Bellof alcançou um sexto lugar no célebre dilúvio do Estoril fazendo quase toda a prova com um Tyrrell desiquilibrado, sem asa dianteira. Em Detroit terminou em quarto lugar sem a parte da frente da carroçaria.

Texto: Autosport

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