Recordar Walter Rohrl

Arquivos 11 Mar 2013

Recordar Walter Rohrl

Percursor de uma geração de ouro como é ainda a que agrupa Sébastien Loeb, Marcus Gronholm, Tommi Makinen, Juha Kankkunen, Carlos Sainz ou Colin McRae, Walter Rohrl sempre associou o seu estilo frio nas palavras à frieza na condução, que lhe permitiu resultados muito dignificantes e ainda hoje ser visto como o melhor piloto alemão de sempre de ralis. Na verdade, o seu primeiro contacto com os ralis ocorreu em 1968, de forma dissimulada, uma vez que necessitou esconder a sua paixão pela velocidade dos pais depois de, pouco tempo antes, o seu irmão ter morrido num acidente de automóvel. Isso não impediu, no entanto, que antes de se tornar piloto profissional, o alemão ajudasse o padre da paróquia para onde trabalhou durante oito anos a chegar sempre a tempo de celebrar a missa ou que os seus alunos de ski (foi instrutor) percebessem que podiam havia outra maneira de se ser rápido na neve! Felizmente para a história dos ralis, o alemão tinha mais jeito para guiar do que para ajudar o padre a vestir a batina ou para dominar os skis, e por isso bastaram cinco ralis para que fosse contratado para defender as cores da Ford Alemanha no campeonato alemão de ralis de 1971.

Resultados promovem carreira

Duas vitórias e três pódios, num Ford Capri de Grupo 1 e 2, atiraram-no quase de imediato para voos mais altos já que não passou despercebido à Opel. É a este construtor alemão que Rohrl deve o seu primeiro título internacional, o Campeonato Europeu de 1974, um ano antes de estrear no Mundial de Ralis no Rali de Acrópole. A um limitado programa com a Opel, sucedeu uma bem sucedida carreira na equipa oficial da Fiat, iniciada em 1977. Ao volante do 131 Abarth, só teve que esperar três anos para ser Campeão do Mundo, antes de repetir o título em 1982 já ao volante de um Opel Ascona 400, no regresso à casa alemã, num ano particularmente difícil não só pelos atritos dentro da equipa, mas também porque o rival Audi Quattro já se mostrava o carro mais competitivo de todo o plantel e as rivalidades com a “estrela” Michelle Mouton subiram de tom. Em 1983, o piloto de Regensburg mudou-se para a Lancia e conseguiu resultados fantásticos com o Lancia Rally 037 de apenas duas rodas motrizes face aos Audi Quattro de tracção integral, o que fez de imediato com que a marca alemã o quisesse a defender as suas cores. Isso aconteceu no ano seguinte, mas apesar da sua incrível rapidez e sangue-frio, Rohrl apenas averbou dois triunfos, um no Monte Carlo de 1984 e o Sanremo de 85, aí já ao volante do, super Sport Quattro S2. A sua carreira nos ralis terminou dois anos depois com a entrada em cena dos Grupo A, onde ainda guiou o Audi 200 Quattro sem grande sucesso, antes de emigrar para os EUA e experimentar a velocidade e, mais tarde, o DTM.
Mas mesmo com o “bichinho” da competição a acalmar o espírito, o da condução continua, ainda hoje, a não dar provas de querer abrandar ou não tivesse “Montemeister” (nome porque ainda hoje é conhecido) se dedicado de corpo e alma ao desenvolvimento dos modelos de produção corrente da Porsche e ter chegado a estabelecer alguns interessantes recordes com este carros na mítica pista de Nurburgring. Se homens há que nasceram para guiar, Walter Rohrl, o primeiro piloto a sagrar-se duas vezes Campeão do Mundo de Ralis, foi e ainda é um deles.

Campeão da Europa 1974 (Opel Ascona), Campeão do Mundo 1980 (Fiat 131 Abarth), Campeão do Mundo 1982 (Opel Ascona 400), Campeão de África 1982 (Opel Ascona 400), 14 Vitórias (Mundial de Ralis).



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