Recordar a Honda RS1000

Arquivos 05 Mar 2013

Recordar a Honda RS1000

William Joseph Dunlop alinhou no seu primeiro Tourist Trophy em 1976 e passado cerca de um ano venceu o Schweppes Jubilee TT aos comandos de uma TZ750, seguindo-se então vitórias em 1980 no Classic TT com uma Yamaha 1000. Mas também foi em 1980 que Dunlop se sentou pela primeira vez numa Honda e passados dois anos, iniciava-se uma das mais bem sucedidas parcerias. Durante a sua carreira, Dunlop registou no seu palmarés 26 vitórias no Tourist Trophy, incluindo os campeonatos em 1985, 1988 e 2000, bem como 24 vitórias no GP de Ulster e 13 subidas ao degrau mais alto do pódio na prova disputada em North West, sem contar com outras vitórias de menor importância pelo mundo fora.
A Honda RS1000 que foi colocada recentemente à venda remete-se à primeira época em que John Dunlop esteve integrado na equipa oficial da Honda, numa altura em que o piloto ganhou cinco provas consecutivas do Campeonato do Mundo, tendo ainda registado segundos lugares, nomeadamente no Grande Prémio de Portugal, no Ulster GP e ainda na Fórmula 1 TT, onde terminou a corrida atrás do seu companheiro de equipa Ron Haslam.
As origens da máquina que permitiu a Dunlop vencer o seu primeiro título de Formula 1 estão associados ao regresso da Honda às competições internacionais, quando a empresa nipónica anunciou que tencionava participar em provas de Endurance, uma classe que favorecia as motos com motores a quatro tempos. Esta classe, que até meados dos anos 70 tinha sido dominada por construtores de origem europeia, foi assombrada quando as máquinas japonesas preparadas por especialistas, como por exemplo a Japauto, envolveram-se neste tipo de provas. A Japauto, graças à sua ligação com a fábrica Honda, conseguiu vitórias no Bol d’Or em 1972 e 1973, tendo motores Honda como base. Este facto veio trazer também a Kawasaki às competições, tendo alinhado mesmo oficialmente em 1974 e 1975. Em 1976 foi a vez da Honda ingressar oficialmente neste tipo de competições. Para isso, a marca japonesa recorreu a um motor com dupla árvore de cames à cabeça, num bloco com quatro cilindros instalado num quadro aço. Esta máquina, baptizada de RCB recebeu inicialmente um motor com 941cc de capacidade, que levou à supremacia da Honda nas provas de Fórmula 1 no início da década de 80, e em que Joey Dunlop foi um óptimo representante desta época. As provas de TT de Fórmula 1 tinham sido criadas em 1977 pela ACU, juntamente com os Campeonatos reservados às Fórmula 2 e 3, depois da Federação Internacional de Motociclismo ter banido dos seus calendários as corridas de Tourist Trophy. A FIM concedeu a este campeonato o estatuto de Mundial, isto apesar de nos primeiros dois anos, as corridas disputadas no traçado da Ilha de Man terem sido as únicas provas a contar para o campeonato. Porém, em meados dos anos 80 o número de provas aumentou consideravelmente, com a inclusão de novas corridas, nomeadamente do Ulster Grand Prix.
A Honda, por seu lado, apoiou esta competição, e a RCB era de facto uma excelente moto, pois tinha todas as potencialidades para se tornar numa aposta ganha. Os campeonatos em 1979 com Phil Read e passados dois anos, através de Ron Haslam são a prova de que o construtor nipónico apostou certo. Graeme Crosby venceu o Campeonato para a Suzuki em 1980 e no ano seguinte, antes de Dunlop ter esmagado a concorrência por completo entre 1982 e 1986.
As imagens que aqui apresentamos referem-se ao modelo RS1000.
Foi construída pela HRC exclusivamente para ser utilizada por John Dunlop nas provas de TT e no Campeonato do Mundo de Fórmula 1 e foi entregue à Honda inglesa.

Texto: Redação
Imagens: H&H

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