50 Anos McLaren

Arquivos 01 Fev 2013

50 Anos McLaren

Bruce McLaren construiu o seu primeiro carro de competição em 1963. Mal sabia que estaria a dar início a uma das mais bem sucedidas equipas da disciplina máxima, apenas batida em recordes pela Ferrari

Nascido em 1937 em Auckland, na Nova Zelândia, Bruce McLaren foi viver para Inglaterra em 1958, com o claro objetivo de se inteirar do programa de competição da equipa de John Cooper, depois de Jack Brabham os ter apresentado. Na altura, a Cooper situava-se em Surbiton, nos arredores de Londres, e tinha construído um carro compacto, bastante leve e com um motor situado atrás do condutor. Após uma promissora estreia na F2 em 1958, McLaren passou a integrar a equipa de F1 durante a época de 1959, tendo por ali ficado durante sete anos.
As suas qualidades de condução eram evidentes, o que ficou provado quando venceu o Grande Prémio dos Estados Unidos em 1959, numa altura em que não tinha mais do que 22 anos e 80 dias, o que fê-lo ser até aquela altura, o mais jovem piloto a vencer um Grande Prémio de F1.
Ainda nesse ano somou mais três vitórias ao seu palmarés em provas com carros de Sport, o que assegurava ainda mais quem duvidasse do seu valor como piloto.
A verdade é que Bruce McLaren era bem mais do que um bom piloto. As suas capacidades como preparador vinham desde os seus 14 anos de idade, quando alinhou numa prova de rampa com um Austin 7 Ulster preparado por si na estação de serviço onde o seu pai trabalhava.
Já na década de 60, e como era bastante comum na altura, McLaren pilotou também bastante em provas de Sport, bem como carros de produção, para além da sua cruzada na F1. Pilotou para marcas como a Jaguar, a Aston Martin e a Ford, com a qual venceu as 24 Horas de Le Mans em 1966.
Mas a ambição de Bruce não se limitava a pilotar nas mais exigentes condições, sendo a mecânica uma das suas outras paixões. No fundo, desde cedo que o neozelandês tinha pretensões a ingressar no universo dos construtores de veículos de competição. Acabou por cumprir essa ambição quando desenvolveu um Cooper com motor traseiro de origem Olsdmobile. Entretanto, e como forma de mostrar a sua lealdade à Cooper, McLaren concebeu os motores de 2.5 litros para os dois Cooper que competiram na Tasman Series em 1964, onde curiosamente venceu.

McLaren como Construtor

Foi em 1963 que Bruce McLaren e a sua pequena equipa construíram o primeiro carro de competição. Não tinha nome oficial, mas era conhecido por Zerex Special. Consistia num chassis monolugar Cooper transformado em carro de Sport, com motor Oldsmobile, e foi pilotado por Roger Penske e por Bruce McLaren. Em 1964, surgiu o M1A, um Sport Car que veio a revelar-se o alvo a abater nas pistas americanas. O sucesso foi tal que Bruce McLaren aceitou construir 24 exemplares, o que lhe deu algum estofo financeiro para novas aventuras. Mas o neozelandês não podia parar de desenvolver a sua primeira máquina e, assim sendo, apresentou o M1B que era mais rápido, inscrevendo-o pela equipa McLaren no Campeonato Can-Am. Curiosamente, este carro, mesmo com mais de 40 anos é ainda nos dias de hoje, mais rápido do que os F1 atuais. Apesar de não ter vencido no Can-Am, Bruce McLaren terminou esta competição no terceiro posto. Seria somente em 1967 que a dupla Bruce McLaren e Denny Hulme venceria cinco das seis provas do campeonato Can-Am, o que lhes valeu o primeiro título nessa competição. A supremacia foi de tal forma evidente que ao longo das cinco épocas seguintes, a divisão dos títulos foi entre estes dois pilotos, com Hulme a vencer em ’68 e ’70, e McLaren a ganhar novamente em ’69. Peter Revson venceu para a McLaren em ’71. Entre os anos de 1967 e 1971 os McLaren de fábrica averbaram 37 vitórias das 43 provas disputadas, a que se juntam mais 19 pódios.

Na mira da Fórmula 1

Em 1965, McLaren decidiu abandonar a Cooper e construir o seu próprio monolugar de F1, para a primeira temporada onde seriam estreados os motores de 3 litros. Depois de ter construído um chassis de testes, o primeiro McLaren de F1, batizado de M2B, estreou-se no Grande Prémio do Mónaco de 1966. Apesar de ter enfrentado inúmeros problemas mecânicos, como falta de potência e fiabilidade face à concorrência, Bruce McLaren ainda terminou a temporada com um ponto, depois de ter conquistado o sexto posto na sua terceira corrida, disputada em Brands Hatch.
O projetista da McLaren era Robin Herd, que tinha sido recrutado da indústria aeroespacial em Farnborough. Tendo trabalhado com um material chamado Mallite – uma espécie de madeira, tipo balsa prensada, com duas folhas de alumínio em forma de ninho de abelha – foi esse o trunfo do M2B. Era uma combinação bastante forte mas leve, ou seja, tudo o que Bruce McLaren necessitava para conceber os seus carros de F1.
Graças ao recurso a motores Cosworth, o M7A revelou-se como um dos carros mais rápidos do plantel. Bruce obteve a primeira vitória no GP da Bélgica 1968 e Denny Hulme venceu outras duas corridas, tendo a McLaren logrado terminar o GP do Canadá nas duas primeiras posições. Hulme ainda venceu mais quatro Grandes Prémios nos anos seguintes, mas a morte trágica de Bruce McLaren em 1970, quando testava em Goodwood, fez temer o pior. Contudo, com a persistência de Teddy Mayer – que já era o braço direito de Bruce – e com o precioso auxílio de Denny Hulme, a equipa prosseguiu no topo da competição. Foi em 1974 que a equipa conquistou os títulos do Mundo de Pilotos e Construtores com o brasileiro Emerson Fittipaldi, que venceu nessa temporada três Grandes Prémios e revelou desta forma os predicados do projeto M23. Este mesmo monolugar, já a disputar a sua quarta temporada, ainda levou James Hunt ao título de Pilotos em 1976, depois de uma intensa batalha ao longo de toda a época com Niki Lauda e o seu Ferrari.

A era Ron Dennis

Depois da era recheada de êxitos da década de 1970, a equipa de F1 começou a decair nos seus resultados a partir de ’78. Era a época em que os motores turbo começavam a ditar as suas regras face a propulsores aspirados de origem Cosworth. Foi nesta altura que entrou em cena Ronald Dennis, mais conhecido como Ron Dennis, que já trabalhara na Cooper (depois de Bruce McLaren ter abandonado a equipa) e na Brabham. Dennis contava com o apoio da Philip Morris (Marlboro) para a sua equipa de Fórmula 2 e Fórmula 3, a Project 4, e foi por influência da tabaqueira americana que Dennis tomou as rédeas da McLaren, forçando a saída de Teddy Mayer. No entanto, Ron trazia consigo um importante trunfo: um designer de nome John Barnard. O criativo britânico tinha já estado envolvido na conceção do Chaparral 2K, que tinha vencido Indianápolis em 1980, tendo trabalhado na década de 1970 com a McLaren na conceção do M23. Mais importante do que o design do carro, Barnard estava bastante interessado no desenvolvimento da fibra de carbono, que tinha já sido testada na aviação, mas nunca na competição automóvel, ao nível da construção da monocoque. A McLaren inovou quando apresentou o MP4/1 – designação que juntava os nomes de Marlboro Project 4 –, revolucionando a conceção e construção dos monolugares, o que trouxe à F1 novos níveis de rigidez e de segurança para o piloto.
O MP4/1 esteve em atividade durante três temporadas, tendo contudo ganho um Grande Prémio em 1981, quatro em ’82 e outras tantas em ’83. Foi somente no final deste último ano que a equipa recebeu os motores turbo V6, produzidos pela Porsche e financiados pela TAG (Techniques d’Avant Garde), que mais tarde viriam a ser parceiros na McLaren. Em termos desportivos, Ron Dennis conseguiu retirar Niki Lauda da ‘reforma antecipada’ e juntá-lo a John Watson para as temporadas de 1982 e ’83.
A temporada de 1984 foi a confirmação do êxito da McLaren, com Alain Prost a substituir Watson. Apesar disso, foi Lauda quem ganhou o título por apenas meio ponto face a Prost, no muito empolgante GP de Portugal, no Estoril. Foi nesta mesma temporada que a McLaren averbou o seu segundo título mundial de Construtores, o que veio a repetir em 1985 com o MP4/2B. Prost venceu ainda o título de Pilotos em 1986 e ‘89 com a McLaren.

Senna vs. Prost

Em 1988 a McLaren iniciou uma proveitosa colaboração com a Honda, que fornecia os motores turbo de 1,5 litros e mais tarde os 3.5 V10 e os V12. Se associado à fiabilidade dos propulsores associarmos o nome de Ayrton Senna, então atinge-se um patamar de excelência. A mestria do brasileiro e perspicácia de Alain Prost levou a equipa a vencer dois campeonatos – Construtores e Pilotos – logo no primeiro ano de colaboração conjunta. Em 1988 Senna venceu oito provas e Prost sete, enquanto que em ’89 o ranking foi de seis para o paulista e de quatro para o francês, tendo este último averbado o título. A partir de 1990, Senna acolheu Berger no seio da equipa e voltou a vencer o título de Pilotos nesse ano e no seguinte. A consistência de resultados por parte do austríaco levou a que a equipa vencesse entre os Construtores nesses mesmos dois anos.
O último ano em que a McLaren utilizou motores Honda foi em 1992 e, apesar de a equipa não ter podido comemorar o seu quinto título, venceram cinco corridas e terminaram na segunda posição. O facto de a Honda ter abandonado a F1 levou a que a equipa de Ron Dennis passasse a receber motores Ford e depois Peugeot, antes de se associar à Mercedes-Benz, numa ligação que se mantém até aos dias de hoje.

Das pistas para a estrada

Foi em 1993 que o mundo automóvel foi apanhado de surpresa com a apresentação do McLaren F1, um superdesportivo apto a enfrentar legalmente as estradas, sem esquecer contudo a tradição da marca nas pistas. Recorrendo a um V12 de origem BMW, o McLaren F1 é ainda o modelo de produção de motor aspirado mais rápido do Mundo. Naturalmente que este mesmo modelo foi posteriormente levado para as pistas e venceu mesmo as 24 Horas de Le Mans em 1995, para além de outros carros idênticos terem terminado a exigente prova no terceiro, quarto e quinto posto na estreia em competição.
Seguiu-se o projeto conjunto com a Mercedes-Benz que viria a dar origem ao SLR McLaren, que se veio a revelar como um best-seller no restrito clube dos carros de estrutura em carbono.
E depressa chegamos a 2010, o ano em que a McLaren Automotive desenvolveu o 12C e o 12C Spider, verdadeiros ícones da performance pura, produzidos em fibra de carbono e dotados dos mais modernos eletrónicos sistemas. Tudo para que o prazer e eficácia na condução fossem assegurados através de itens como um baixo centro de gravidade, uma excelente distribuição de massa, sempre com a alta performance em vista. E a McLaren já está a testar o futuro P1, que promete faxer vida negra à concorrência (leia-se Bugatti Veyron) no exclusivo mercado dos supercarros.

McLaren por todo o mundo

O legado da McLaren estende-se igualmente fora da Europa, tendo o início da jornada norte-americana começado com a odisseia na Can-Am, onde conquistou cinco campeonatos consecutivos entre os anos de 1967 e ‘71, ao vencer 43 provas, utilizando sempre motores Chevrolet V8 preparados pela própria McLaren. A presença na Indy 500 aconteceu pela primeira vez em 1970, tendo a primeira vitória surgido passados dois anos, com Mark Donohue, num carro inscrito por Roger Penske, com a equipa oficial a subir ao degrau mais alto do pódio em mais duas ocasiões, com Johnny Rutherford (1974 e ’76). Roger McCluskey (1973) e Tom Sneva (1977) deram à McLaren os únicos títulos americanos do campeonato de Indycars da USAC. Hoje em dia, todos os carros na F1, na Indycar Series e na NASCAR utilizam sistemas baseados em eletrónica McLaren para lhes fornecer dados de telemetria sobre a prestação dos seus motores.
Depois de a McLaren ter estabelecido uma parceria com a Trojan, esta última construiu entre os anos de 1965 e ’76 qualquer coisa como 160 viaturas de competição-cliente de Grupo 7 (Can-Am), 52 Formula 5000/A e 25 Formula 2/B. Para além disso, a McLaren produziu ainda mais 24 carros destinados à USAC na América. O sucesso nos Estados Unidos levou a que a McLaren absorvesse bastante experiência, nomeadamente no capítulo dos motores turbo, numa altura em que na Europa predominavam os motores aspirados, tanto que a McLaren foi encarregada de desenvolver um BMW 320i Turbo para a categoria GTX da IMSA, vencendo mesmo algumas provas face aos mais potentes Porsche 935.
Embora as vitórias nas categorias de cilindradas mais baixas tenham sido poucas (com destaque para o GP de Macau em 1971), os carros da McLaren conseguiram mais sucesso na Fórmula 5000, conquistando dois títulos europeus (Peter Gethin, 1969 e ’70), dois americanos (John Cannon em 1970, David Hobbs em ’71), um na Tasman Series (Graham McRae, 1971), dois na Gold Star australiana (John McCormack em 1977 e Alfredo Costanzo em ’81), mais um na Gold Star neozelandesa (McRae em 1970) e três na Gold Star sul-africana (Bob Olthoff em 1970, Paddy Driver em ’71 e ’73). Carros da McLaren venceram também títulos nacionais de F1 na África do Sul (Dave Charlton, 1974 e ’75) e na Grã-Bretanha (Tony Trimmer, 1978).

Texto: Redação
Imagens: Arquivo

Veja mais em:
http://www.youtube.com/mclarenautomotivetv

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