Casal Boss

Clássicos 26 Dez 2012

Casal Boss

Quem está de uma forma ou outra ligada ao universo das motos, conhece a Casal Boss, uma motorizada de fabrico português que iniciou muito boa gente no mundo das duas rodas.

Texto e imagens: Arquivo Classic Press Center ©

Um conceito bastante simples foi o que a Metalurgia Casal apresentou em meados dos anos 70, quando revelou a 1ª série do modelo Boss. Destinada a uma público-alvo bastante jovem – na altura podia-se obter facilmente uma licença de condução nas Câmaras Municipais – a Boss depressa foi considerada o ciclomotor de lançamento e uma das máquinas produzidas em Portugal com o melhor índice de vendas. Tratava-se de uma filosofia de vida adaptada à realidade lusitana, uma vez que as Honda e Yamaha com apenas 50cc eram bem mais caras face ao modelo nacional, produzido em Aveiro. Além do mais, a marca portuguesa pretendia intrometer-se nos lugares topo do mercado português dos ciclomotores, tentando que a Boss tivesse uma óptima penetração fora dos centros urbanos. Talvez seja por esta última razão que ainda hoje é possível ver pessoas a deslocarem-se aos comandos das Boss, da primeira geração, apresentada em 1974 ou mesmo das derradeiras propostas do construtor aveirense.

Simplicidade e robustez

Mas o que atraiu tanta gente para a Boss? Talvez não seja arriscado afirmar que o motor monocilindrico a dois tempos, tão em voga em finais da década de 70, preparado pela Casal, conseguiu despertar a chama tão acesa da população mais jovem. A estrutura feita em tubo de aço permitia que o peso final do ciclomotor não excedesse os 55Kg. Aliado a este facto, somava-se o bloco com uma força máxima de 2,5CV às 5.500rpm, o que oferecia uma excelente relação peso-potência. Mas a Casal Boss tinha mais qualidades, entre elas a caixa de velocidades. Em 1974 a Boss podia ser adquirida com duas relações que podiam ser accionadas graças ao rodar do manípulo esquerdo, onde a manete da embraiagem em banho de óleo “suavizava” a passagem de caixa. Se a tudo isto associarmos a velocidade de ponta da ordem dos 55km/h, então pode-se começar a entender porque razão uma fatia da população realizava as suas deslocações diárias nestes ciclomotores. Já agora um parêntesis: sabia que a própria Polícia de Segurança Publica utilizou as ditas Casal Boss durante bastantes anos?
Mas voltando às qualidades da Boss. A suspensão da frente era do tipo Forqueta telescópica, enquanto que atrás eram dois amortecedores que asseguravam a segurança do conjunto. A K168, designação porque a Boss era reconhecida entre os experts, depressa teve novas evoluções, exigidas pelos compradores nacionais. Mas dessas “modernices” não reza este artigo.

Ao volante

Guiar uma Boss de origem é hoje em dia uma oportunidade rara, especialmente devido aos inúmeros “kitanços” que os aprendizes de oficina realizavam a pedido dos seus clientes. Tendo sempre como objectivo o aumento da velocidade de ponta, os técnicos da Metalurgia Casal empenharam-se em equipar a pioneira Boss com uma instrumentação base e suficiente. Somente o velocímetro, montado estrategicamente em cima do farol dianteiro, a marcar uns audazes e possivelmente inalcançáveis 120km/h, serve ao condutor. Também a bomba de enchimentos para os pneus com medidas 14”x2,75, pode ser útil, razão pela qual a Boss vem equipada com um pequeno suporte para albergar o tão precioso cilindro. Mas chegar perto dos 100km/h é que não, apesar da Boss pedir e oferecer rotação qb. Pelo menos quando não há alma que valha velocidades excessivas. É que os travões são de tambor e nestas coisas de andar a abrir por aí era uma filosofia de anos atrás. Ainda no que se refere ao equipamento, destaque para a pequena mala lateral, concebida para alojar a necessária ferramenta de viagem, chave de velas e pouco mais. Talvez um pano para limpar uma vela mais encharcada, uma vez que o sistema de lubrificação do motor é realizada através da mistura a 1,3%, caso a máquina esteja de origem. Os estribos permitem ao condutor sentir de forma cómoda a viagem, havendo ainda quem optasse pela montagem de um par extra para o passageiro.
O comprimento desta motorizada – pouco mais de metro e meio, e uma largura de 0,700m permitem uma óptima maneabilidade em cidade, razão pela qual a Boss teve igualmente algum sucesso nas grandes urbes nacionais. Mas para se despertar o bloco com 49,9cc, é necessário recorrer a um pedal de kick, situado do lado esquerdo do pequeno bloco. A ignição é assegurada por magneto da marca Bosch de 6volts.

A Boss de hoje

Que as motorizadas portuguesas vieram para ficar no coração dos adeptos das motos antigas, isso é certo. Existe uma grande procura nos modelos fabricados entre nós e a Casal Boss não é excepção. O modelo que aqui apresentamos é propriedade do filho do Sr Gama, sendo este último o organizador do encontro de motos antigas da Arruda dos Vinhos. Estamos certos que este ano, a cotação de uma Casal Boss da 1ª série irá subir. É que se em 1974 a Boss custava cerca de 10.000$00, actualmente o seu valor ronda os €200/ €250, num estado passível de ser restaurada razão pela qual ainda vale a pena investir num produto nacional.

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Raul Lopes

Tenho uma boss K186 para venda. Está de origem, em muito bom estado, mas falta-lhe o suporte de bagagem. Deixo o meu contato 912490399

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