“60 anos do SL”: Mercedes-Benz comemora dupla vitória na Carrera Panamericana

Arquivos 22 Out 2012

“60 anos do SL”: Mercedes-Benz comemora dupla vitória na Carrera Panamericana

A temporada de competição de 1952 ficou marcada pelo êxito retumbante da Mercedes-Benz em Berna, Le Mans e no Nürburgring, onde o 300 SL (W 194) deixou para trás os seus adversários com as famosas dupla, tripla e quádrupla vitórias (respetivamente), demonstrando o 300 SL o seu “gene desportivo” desta forma impressionante. Mas o calendário desse ano contava ainda com uma importante prova a encerrar a temporada, de 19 a 23 de Novembro: a Carrera Panamericana no México, uma das mais duras corridas de resistência do mundo, realizada naquele ano pela 3ª vez. Mas para a Mercedez-Benz, a aventura “panamericana” começava em Setembro de 52, com testes na montanha Grossglockner, nos Alpes Áustriacos. Foi ali que o 300 SL foi preparado para as condições de elevada altitude que enfrentaria no México, onde a maior parte do percurso da “Carrera” se encontraria a cerca de 2000 metros acima do nível do mar, estando o ponto mais alto da corrida, Puerto Aires, a 3196 metros de altitude. Segundo a Mercedes, teria sido particularmente difícil encontrar a configuração ideal do carburador, uma vez que as diferentes etapas da prova incluíam também repetidas descidas entre 200 e 300 metros. Ao mesmo tempo, os engenheiros queriam tirar mais potência do motor para a corrida de 3100 km, acabando por passar dos 170 para os 180 cv. No início de Outubro, uma grande “força expedicionária” Alemã partiu de navio para Veracruz, no México.
A primeira das oito etapas – com 530 quilómetros, entre Tuxtla a Oaxaca –, teve início a 19 de Novembro, precisamente às 07:00. Tal como nas Mille Miglia desde 1949, a numeração atribuída aos carros correspondia ao seu tempo de partida, pelo que os pilotos da Mercedes Hermann Lang, Karl Kling e John Fitch, com números de partida baixos, seguiriam uns atrás dos outros em curtos intervalos.

Um abutre contra um “asas-de-gaivota”

Foi durante esta primeira etapa que se deu um insólito acidente, quando o 300 SL com o nº4 de Kling, colidiu com um dos abutres que se encontravam na beira da estrada. Ao assustar-se com a passagem dos carros, os abutres levantaram voo, tendo um dos quais embatido violentamente no pára-brisas do Mercedes que viajava a mais de 200 km/h, acabando por ferir gravemente na cabeça o navegador Hans Klenk, deixando-o inconsciente por breves momentos. No final da etapa, e apesar do sucedido, Kling e Klenk conseguiram terminar em terceiro lugar. Para além de um novo vidro no pára-brisas, o carro acabou por ser equipado com com quatro barras de metálicas verticais, de cada lado, para proteção adicional, não fosse o incidente repetir-se…
Após oito alucinantes e desgastantes etapas, Kling e Klenk cortaram finalmente a meta na Ciudad Juárez no dia 23 de Novembro de 1952, cumprindo o percurso com um tempo de 18 horas, 51 minutos e 19 segundos. O carro com o nº3 de Hermann Lang e Erwin Grupp terminou a prova em segundo lugar, a apenas 35 minutos dos vencedores. Com a dupla vitória do SL na 3.º Carrera Panamericana no México, a Mercedes-Benz alcançou um dos mais importantes triunfos da marca nos anos 50, acabando por completar a prova em menos de 19 horas. Ambos os carros vencedores fazem atualmente parte da extensa coleção de veículos Classicos da Mercedes-Benz, encontrando-se ambos expostos no Museu da Mercedes-Benz em Estugarda, Alemanha.
Mais informações em www.mercedes-benz.com

Texto: Jornal dos Clássicos
Imagens: Mercedes-Benz



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