Donington HRDC/Coys International Trophy Meeting 2012

Eventos 31 Jul 2012

Donington HRDC/Coys International Trophy Meeting 2012

Foi no passado Sábado 28 de Julho que se realizou no circuito de Donington, em Inglaterra, o HRDC/Coys International Trophy Meeting. Apresentamos de seguida uma crónica do evento, da autoria de João Mira Gomes.

Crónicas de um entusiasta – I

A ideia de ir a Donington nasceu depois de um fim de semana, muito molhado, em Spa com o Historic Racing Drivers Club (hrdc.com.eu) e o convite do Julius Thurgood para ir correr naquele circuito mítico nas Midlands.
O modelo seguido pelo HRDC, no passado 28 de Julho, em Donington, foi de uma grande eficácia já que concentrou num só dia, duas sessões de testes (muito úteis para quem, como eu, nunca ali tinha corrido), treinos cronometrados e seis grelhas de corridas reunindo cerca de 150 bólides – um exemplo impensável em Portugal. O XK 140 correu nos, apropriadamente denominados, “Touring Greats” com mais 40 entusiastas, desde Jaguars Mark 1, Mark VII e XK 150 até Borgward Isabella, passando pelo vencedor, um Austin A 95 Westminster… Tudo serve para correr e andar bem depressa em Inglaterra.
Mas a aventura começou por uma prova de resistência em estrada, uma espécie de “500 Milhas”, visto que usei o XK para fazer a viagem Bruxelas/Donington/Bruxelas e, ainda, um pouco de turismo com a “cara metade”, aproveitando a abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, um total de 1400kms.
Ter tudo concentrado num único dia implica começar cedo embora os motores só possam arrancar depois das “9 A.M.”, para não importunar o “tea, bacon and eggs” dos vizinhos do circuito.
Na primeira sessão de testes o objectivo foi descobrir o circuito apesar de todo o treino na semana anterior no YouTube. Donington Park é um circuito à antiga (contruído antes da II Guerra Mundial e palco de grande lutas entre os “Flechas de Prata” da Mercedes e os Auto Union) e tipicamente “british”. Traçado ondulante, encadeando curvas rápidas em apoio com outras bem mais lentas mas muito técnicas, como Redgate, e duas rectas, Dunlop e Wheatcroft, ligeiramente a descer, tudo com amplas escapatórias… de relva. Felizmente o verão inglês estava de férias nesse dia pelo que fomos brindados com sol e 20 Cº.
Encorajado pelas boas sensações durante o teste seguiram-se os treinos cronometrados com objectivo de não ficar muito para trás na grelha, apesar da corrida ter 1 hora de duração e como acertadamente se diz, “uma corrida nunca se ganha na primeira curva, mas pode perder-se logo na primeira curva”. Os treinos correram bem com a aprendizagem progressiva da pista e aperfeiçoando trajectórias seguindo “os da casa” e saldaram-se pela 12ª linha com um tempo 4’ superior ao record da pista de um XK 140. Pausa para verificar mecânica, perfeita como um relógio suiço thanks to JTC Racing, e alimentar o piloto com uns “fish n’ chips” aproveitando a camaradagem dos paddocks ingleses com toda a gente a beber chá, mais escuro que Castrol GTX, porque cervejas (muitas!!!) só no final do dia na distribuição dos prémios.
A corrida teve uma partida parada e uma “grande molhada” na chegada a Redgate a exigir uma delicada gestão do brilho da pintura porque os ingleses são peritos em fechar portas… (deve ser por causa do muito vento que sopra na ilha!!!); depois foi encontrar um bom ritmo e começar a ganhar posições. Não deixa de ser uma experiência descobrir espaço na pista para ultrapassar um MK VII que parece ocupá-la toda e ser ultrapassado por Austins A35s e A40s a voarem baixinho por cima dos correctores… Com o XK convém não abusar dessas trajectórias arrojadas (travões de tambor oblige) sendo preferível optar por uma estratégia de regularidade e procurar uma boa velocidade na saída das curvas porque o binário e a potência do bloco 3,4ltr fazem o resto.
Sendo uma corrida de resistência implica uma paragem obrigatória para mudança de piloto ou para quem corre em solo, como eu, simular essa mudança. Sem indicações na pit wall torna-se difícil saber em que posição e em que tempo rodamos, embora o cronómetro biológico normalmente funcione bem. Foi, assim, uma boa surpresa constatar um 15º lugar da geral e 2º na classe XK. Mas mais interessante foi ter ganho o prémio de “melhor piloto do meeting” (um cronómetro Ch. Ward feito expressamente para o HRDC) pela fidelidade ao espírito de “gentleman driver”, e ainda para mais, sendo o único piloto não-britânico, o único sócio do ACP Clássicos, do JAG Club de Portugal, do CPAA, da ANPAC, comensal do Tiro, etc, etc ….
Depois de um belo jantar de cozinha típica do Leicestershire – isto é, indiana – de um Hoyo robusto, muito retemperador, e de uma noite a sonhar com trajectórias e ultrapassagens, foi fazer as malas, acrescentar 2dcl de óleo, e meter mãos à estrada para outras 500 milhas, desta vez já com a presença do tal verão inglês e de umas borrascas que o XK atravessou como se fosse os NRP Tridente ou Arpão da nossa valorosa Armada.
Uma experiência inesquecível, onde tudo correu bem, e que deixa o apetite intacto para outras aventuras das quais vos irei dando conta. Agradecimentos à minha dedicada co-piloto, ao JTC Racing, aos HRDC e COYS e, “last but not least”, ao meu fiel Jaguar XK 140.
Até sempre e um abraço do JMG.

Texto: João Mira Gomes
Imagens: HRDC/João Mira Gomes



PARTILHAR:

Deixe um comentário

Please Login to comment