Ford Lotus Cortina de 1963

Mercado 11 Jul 2012

Ford Lotus Cortina de 1963

Durante a década de 1960, a Ford seguiu um ambicioso e abrangente programa de desportos motorizados – designado Total Performance – que teria como corolário o triunfo em Le Mans com o GT40, ao mesmo tempo que os motores Ford venciam tanto em Indianápolis como no Campeonato Mundial de Fórmula 1. Mas no Grupo 2, de carros de produção a Ford também dominava, graças ao Lotus Cortina.
Encomendada por Walter Hayes a Colin Chapman, a versão de competição do Grupo 2 do novo Cortina foi desenvolvida pela Lotus, tendo a última sido igualmente responsável pela construção dos 1000 exemplares necessários para a homologação. Lançado em 1963, o Cortina Lotus – ou Cortina Lotus, segundo a Ford – vinha equipado com o motor Ford de 4 cilindros em linha e dupla árvore de cames do Elan – com 1558 c.c. e 105 cavalos – e a mesma caixa de velocidades de relações curtas.
A carroceria de duas portas recebeu capôs e portas em liga de alumínio, bem como os invólucos do diferencial e da caixa de velocidades e a suspensão foi totalmente revista, em particular a traseira.
As modificações no interior foram apenas na consola central, de modo a acomodar a nova posição da alavanca de velocidades, ao tablier que agora integrava um tacómetro, velocímetro e indicadores de pressão do óleo, nível de combustível e temperatura da água, para além do volante com aro de madeira e obviamente dos bancos de competição.
Embora a produção do Lotus Cortina se tenha iniciado em Fevereiro de 1963, só em Setembro desse ano é que o carro se tornou elegível para competição. Conduzido por Jack Sears, a estreia do Lotus Cortina foi coroada com uma vitória à classe em Oulton Park. No ano seguinte, o talentoso Jim Clark venceu o campeonato britânico de turismos, num espirituoso estilo de condução – curvando muitas vezes em apenas três rodas – que não será esquecido pelos privilegiados que tiveram oportunidade de o ver.
Conduzidos por Clark, Graham Hill, Peter Arundell e Jackie Ickx, os Lotus Cortina dominaram a classe de “saloons” de 2 litros, com John Whitmore a sagrar-se Campeão Europeu de carros de Turismo em 1965, num carro inscrito por Alan Mann. O Lotus Cortina provou igualmente ser um carro de rallyes muito capaz, com as vitórias de Bengt Soderstrom nas provas da Acrópole e do RAC, em 1966.
Segundo informações dos registos italianos, este Ford Lotus Cortina com o chassis nº Z74C066173U foi vendido novo em Maio de 1965 ao Senhor Giacomo Pescarin, um residente de Montagnana – Itália – por Enrico Tasini, possivelmente um negociante de automóveis que o teria à venda há cerca de um ano. Em 1988 passou para as mãos de um proeminente colecionador italiano e proprietário de um Ferrari GTO, Dr Giuseppe Lucchini. Lucchini era o dono da Scuderia Italia e supõem-se que o Lotus Cortina tenha sido usado em velocidade e rallyes em Itália, antes de ter sido exportado em Janeiro de 2000. Vendido a Lorenzo Barra – o organizador das Mille Miglia argentinas (que infelizmente faleceu antes de o receber) o carro foi então adquirido pelo atual proprietário em 2003.
Preparado para correr pela Blakeney Motorsport, foram actualizados componentes como a caixa de velocidades, suspensão e travões, tendo também sido instalado um “roll cage”, numa intervenção com um custo total de cerca de 30 mil libras. Posteriormente correu em Brands Hatch, Snetterton, Mallory Park, Silverstone e no Auto Tour. Já este ano o motor foi desmontado por um especialista da marca tendo sido substituidos vários componentes.
Este Ford Lotus Cortina de 1963, com volante à direita, foi vendido no passado dia 29 de Junho no leilão da Bonhams, integrado no Goodwood Festival of Speed, por 34 500 Libras, ou cerca de 43 500 Euros ao câmbio de hoje.
Mais informações em www.bonhams.com

Texto: Jornal dos Clássicos
Imagens: Bonhams

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