Crónica de Francisco Santos: Spa Summer Classic – Club Racing de históricos

Eventos 22 Jun 2012

Crónica de Francisco Santos: Spa Summer Classic – Club Racing de históricos

Spa Francorchamps, a um máximo de cinco horas por estrada para a esmagadora maioria dos concorrentes europeus – à exceção dos ibéricos e dos italianos do sul – é um paraíso para um promotor de automobilismo. Tanto mais que é uma pista mítica, o maior desafio para a técnica e bravura de pilotagem.
Por isso, o Spa Summer Classic atraiu mais de 620 pilotos em mais de 500 carros de 19 categorias, em 11 grelhas de partida.
Não pude – como promotor de Historic Festivals – evitar alguma inveja de Alan Defalle, que tem o seu excelente trabalho mais facilmente recompensado por organizar provas no centro e não no extremo da Europa.
Este Spa Classic é diferente dos grandes Historic Festivals. Menos elitista, mais popular, com participação mais heterogénea. Ou seja, é mais do tipo “Club Racing”, com menos exigências de especificações regulamentares e uma saudável abertura para admissão de várias categorias de carros – e até de suas épocas – em grelhas mistas. Isto proporciona não só mais possibilidades de agrupar grelhas maiores como oferece até mais espetáculo aos espetadores e emoção aos pilotos, sem por em causa os importantes aspetos de segurança, uma vez que está salvaguardado um mínimo de equiparação de performances dos diferentes carros.
Assim, vimos corridas com carros tão diferentes quanto um Studebaker de 6 litros, de 1953, que já participou na Carrera Panamericana, Porsche 911RS e Ford GT40 de 1964, Mini de 1983, ou ainda Lotus XI, de 1958, Lotus Elan, Chevrolet Camaro, Alfa Romeo GTAM, Porsche 911 Carrera 3.0, e as barquetas Crosslé. Terceiro de muitos exemplos nas 11 grelhas é a categoria Historic Racing Drivers Club: Jaguar XK140, de 1956, em pista com Cortina GT, de 1963, e TVR Griffiths, de 1965.
Isto é viável porque os concorrentes vão para estas provas com o espírito de usufruir do seu tempo de pista, de gozarem uma competição sadia não necessariamente pelo primeiro lugar – que sabem não está ao alcance do seu carro – mas em despique com os carros de performance mais igual. Por isso vimos várias partidas com mais de 50 carros. Por isso, a HRDC lançada no Reino Unido há ano e meio já é a melhor sucedida de todas.
Apenas um grid tinha carros de uma só classe ou categoria – S2000 – em que a luta era pela geral e não pela classe.
Foi com este espírito que quatro portugueses tiveram os seus carros no imenso paddock de Spa, e se deliciaram com esta pista tão desafiante, descobrindo o que é “trepar pela parede” do Radillon:
– João Paulo Campos Costa, mantendo o comando do Campeonato de França de Fórmula Ford com o seu quarto lugar, apesar de ter uma relações de caixa de 4ª demasiado curta, o que lhe fez perder, no seco, uns 20km/h nas zonas mais rápidas e longas.
– A dupla Paulo Antunes e Pedro Gaspar que levou o pequeno Datsun Sunny ao terceiro lugar da sua categoria.
– João Mira Gomes, no Jaguar XK140, a desfrutar cada momento de uma corrida sob chuva com outros carros muito mais rápidos.
Eles foram o exemplo de verdadeiros Gentleman Drivers que sentem a paixão de participar neste tipo de provas. Mesmo alguns tendo que viajar do Porto às Ardenas. Mesmo que no nosso automobilismo poucos lhe deem o valor que merecem. Pelo seu espírito. Que a imprensa também não reconhece. Infelizmente.
O meu sentimento de inveja por não estar a cinco horas dos centros de clássicos da Europa, devia também ser o de muitos concorrentes portugueses ao saberem da postura destes quatro pilotos. Mesmo descontando os problemas da crise económica.

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