Crónica de Francisco Santos: Um outro mundo – o Reino Unido

Arquivos 31 Mai 2012

Crónica de Francisco Santos: Um outro mundo – o Reino Unido

O mercado inglês de clássicos e históricos é único em todo o mundo. Como inacreditáveis diversidade e profusão de viaturas à venda, de eventos comerciais, de competição ou de solidariedade social.
No mesmo dia recebi dos meus contatos dois mails bem ilustrativos dessa variedade.

Notável histórico de Le Mans

A empresa de Gregor Fiskens, um das mais conceituados colecionadores e comerciantes do ramo, com alguns dos melhores carros históricos do mundo, com stand ali mesmo da casa onde eu vivia, em South Kensington, e que sempre visito quando estou em Londres, tem agora um Bentley 3 litros da década de 1920, um pouco anterior aos dois exemplares que correram nos meus eventos históricos desde 2005.
As primeiras incursões da Bentley em competição foram tanto da equipa oficial quanto de proprietários ricaços, ambas com notável sucesso. A marca correu em Indianápolis e no Tourist Trophy da Ilha de Man, enquanto privados, como John Duff, aventuraram-se também em Brooklands e, mais significativamente, em Le Mans.
Apesar de W.O.Bentley pensar que as 24 horas eram “uma loucura”, não pode evitar que Duff participasse em 1923, quando foi 4º. Em 1924, não só melhorou como ganhou! Chegou 1925 e o fundador da Bentley já se tinha convencido das enormes vantagens de Le Mans para a marca. Por isso, um carro oficial juntou-se a Juhn Duff em 1925.
Este chassis 1138, que vemos nas fotos foi o primeiro carro oficial da Bentley em Le Mans, pilotado por Dudley Benjafield e Bertie Kensington-Moir.O chassis tinha uma carroçaria de 4 lugares da Vanden-Plas, com um parabrisas mais aerodinâmico. O motor também foi preparado com dois carburadores S.U.
O ano de 1925 foi o primeiro com a partida tipo Le Mans, com obrigatoriedade dos carros largarem com a capota fechada. Por isso, a Bentley programou as suas paradas de box para reabastecer e baixar a capota na primeira ida ao pitlane, à 20ª volta, pelo que os carros partiram com pouco combustível, e puderam atingir velocidades de 145 km/h.
O 1138 teve uma vida mansa depois de 1925, servindo apenas como carro de demonstração. Foi completamente restaurado em 2001.

O maior, na obscura Bromley

Que surpresa: o maior show de um dia de todo o mundo, no pequeno e não muito desenvolvido município de Bromley, ao sul de Londres, onde mora o meu amigo Brian Scovell há uns 40 anos. Organizado pela mesma gente que passou a por de pé a Race Retro, na igualmente obscuros pavilhões da Feira de Agricultura, em Stoneleigh, nos Midlands todos os anos, em fevereiro. Mas, que, mesmo assim, é a Feira de Clássicos de competição mais importante na Europa por ser ponto de reunião de promotores, organizadores, clubes, concorrentes e marcas.
Este é o mercado de históricos do Reino Unido. Incomparável.

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