Calendário internacional cheio. Melhor para adeptos, pilotos, público?

Arquivos 18 Mai 2012

Calendário internacional cheio. Melhor para adeptos, pilotos, público?

Será que para o seguidor e apaixonado do automobilismo histórico é interessante que o calendário internacional – pelo menos de provas de velocidade em pista – se tenha congestionado indisciplinadamente a um nível inacreditável nos últimos seis a sete anos?
As provas são tantas – e nem me refiro ao Reino Unido, porque esse é “outro mundo” – na Europa Continental que muitos podem pensar: “tanto melhor, há mais variedade”. Ledo engano. Por vezes, quantidade não equivale a qualidade. Neste caso de espetáculo, de um grande show na pista, com corridas muito disputadas, e no paddock, com um leque de preciosidades da história do automobilismo de competição.
No tal “outro mundo” britânico esta minha argumentação não tem razão de ser porque a quantidade de circuitos aptos a receber provas históricas e as quantidades de carros históricos de todas as categorias e o número de adeptos é tão grande – apesar da crise – que há espaço para todos: pilotos, público, colecionadores, preparadores, promotores e organizadores.
No “continente” é que não há espaço para tanta desorganização nesta tremenda inflação de eventos de “Historic Motor Racing”.
Principalmente quando as entidades federativas – sobretudo a FIA – não se arroga, como devia, o papel disciplinador do calendário internacional para cuja inscrição cobra valores razoáveis através das Autoridades Desportivas Nacionais que a deviam ajudar nesse papel.

A modalidade que mais cresce

Segundo estudos da FIA e da FIVA, as atividades desportivas de automóveis clássicos e históricos são campeãs de crescimento nos últimos 10 anos em todo o mundo, comparadas com todas as demais modalidades de automobilismo. Cientes dessa febre de nostalgia pelos valores do passado, muito embasada pela beleza e o espetáculo para muitos inusitado de máquinas que estão no imaginário não só dos sessentões, mas também cada vez mais de jovens, promotores e organizadores têm corrido atrás desse suposto filão. Com aptidões distintas. Com espíritos diferentes. Com propósitos diversos.
Por isso, nem sempre os eventos históricos têm o desejável conceito para concorrentes e público-alvo muito diferentes das corridas de carros contemporâneas. São acontecimentos muito especiais que requerem tratamento específico.
Por isso necessitam – sobretudo em países limítrofes em relação aos centros europeu de competição histórica (Midlands ingleses, Itália, Alemanha e França) – de estar resguardados da proximidade de provas sobretudo nesses países. Para poderem resistir ao tremendo handicap da onerosa distância dos referidos centros.
O ano tem só 52 fins de semana. Por isso, olhemos para o que se passa em junho, julho, setembro e outubro. Tomemos este último mês como exemplo, este ano: nada menos de oito provas internacionais, sendo quatro no mesmo fim de semana. E isto porque eu mudei o nosso Historic Festival para outra data. E ainda há que pensar no indisciplinado calendário nacional.
Melhor para o fã de clássicos? Será? Deixo para vocês a resposta, que gostaríamos de ler…

Texto: Francisco Santos
Imagens: Roger Wills e arquivo



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