Porsche 356A 1500GS Carrera, de 1956

Clássicos 17 Mai 2012

Porsche 356A 1500GS Carrera, de 1956

A famosa “La Carrera Panamericana” foi uma corrida de longa distância realizada em estradas mexicanas, iniciada em 1950 e cancelada logo 5 anos depois. Com vários Porsche inscritos nas provas de 1952, 1953 e 1954, foi apenas em 1953 e 1954 que a fábrica fez a sua entrada oficial na corrida, com dois carros em cada ano. Em 1954, é com Hans Herrmann ao volante que a Porsche obtém um surpreendente uma vitória de classe e um terceiro e quarto lugares à geral, logo atrás dos potentes modelos Ferrari, com motores de 4,5 e 4,9 litros. Para celebrar este marco, a Porsche apresenta então, no salão automóvel de Frankfurt, em Setembro de 1955, um modelo 356A equipado com um motor especial, designado “Carrera”. Este motor 1500 GS, era afinal uma versão do motor de competição originalmente criado para o 550 Spyder, cujo desenvolvimento se iniciou em 1952, quando Ferry Porsche, Karl Rabe e o engenheiro-chefe Ernst Fuhrman testavam o potencial do motor boxer refrigerado a ar.
Designado 547/1, possuia uma arquitectura de 4 cames, com rolamentos, e estava ligeiramente “amansado” para debitar 100 cavalos reais a partir dos seus 1498 c.c. Os modelos Carrera apareceram ao mesmo tempo que o começo da era do 356A – embora haja algumas excepções em carros Pre-A, tendo sido identificados quatro Coupés e catorze Speedsters. O motor de 4 cames foi projectado logo de início duma forma muito diferente de um motor normal de comando por varetas. Embora ambos tivessem a mesma configuração de 4 cilindros opostos, o motor normal dependia de varetas para operar as válvulas, enquanto o de 4 cames usava engrenagens cónicas e veios. As velas eram comandadas por bobines de dupla ignição, com um distribuidor colocado na ponta de cada came de admissão para produzir a faísca de ignição. Um sistema de cárter seco puxava óleo de uma depósito para a bomba, devolvendo-o ao motor através de tubos de malha de aço. A lubrificação era crítica no motor de 4 cames, já que este empregava uma cambota apoiada em rolamentos de esferas fabricada pela Hirth.
Com a total aprovação nos primeiros testes, o motor foi imediatamente instalado no 550 Spyder tendo logo participado em provas de competição.

Um Carrera nas ruas

O novo modelo 356 Carrera recebeu também as melhorias introduzidas na gama 356 para o ano de 1956, incluindo modificações de chassis resultantes da experiência adquirida em competição com o 550 Spyder. Para melhorar o seu comportamento e conforto de condução, este 356 apresentava agora uma suspensão mais flexível, com amortecedores maiores e travões melhorados. O mais poderoso dos 356, precisamente o Carrera, oferecia agora uma potência adicional de 20 cv. e uma velocidade máxima que rondava os 200 km/h.
Exteriormente, era quase totalmente semelhante a qualquer outro modelo, apenas o destingindo dos restantes, a legenda “Carrera” em letras douradas, aplicada sobre a tampa traseira do motor. No entanto o seu preço de cerca de 4600 Euros, à época, era muito superior ao dos seus contemporâneos. O baixo número de exemplares produzidos, é hoje a razão da sua raridade.
Este chassis nº 56417 foi entregue em 1956, ao distribuidor americano Max Hoffman, em Nova York. Quase 50 anos mais tarde regressa à Europa, sem o seu raro motor original, mas em muito boas condições estruturais, apresentando ainda o fundo original bem como portas e capôs da frente e de motor. Foi totalmente restaurado em Itália, entre 2005 e 2006 tendo sido na altura equipado com um motor 547/1 Carrera, correcto para época, com o nº 90863, totalmente reconstruído por Armin Baumann. A pintura em Aquamarine Blue Metallic a que foi submetido, apresenta uma bela combinação com interior em couro vermelho brilhante.
O carro encontra-se em excelente estado geral e foi apresentado pela RM Auctions a leilão no passado fim de semana, no qual atingiu um valor de venda de 235 200 Euros.
Mais informações em www.rmauctions.com

Texto: Jornal dos Clássicos
Imagens: RM Auctions



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