Stirling Moss vence as Mille Miglia com notas de rallye

Arquivos 17 Abr 2012

Stirling Moss vence as Mille Miglia com notas de rallye

No próximo mês de Maio, decorrem 57 anos desde que, em 1955, o piloto Inglês Stirling Moss fez história ao vencer a famosa corrida das Mille Miglia em Itália, utilizando pela primeira vez notas de rallye. Nessa época, a prova que ligava as cidades de Bréscia a Roma num percurso de cerca de mil milhas, atravessava grande parte de Itália através de aldeias, pontes e caminhos que pressupunham um conhecimento especializado do terreno, facto que até então jogava a favor dos rápidos pilotos italianos. Stirling Moss, então piloto oficial da Mercedes, treinou com a ajuda do seu amigo e jornalista Denis Jenkinson e elaboraram juntos um conjunto de notas do percurso, inventando aquilo que são hoje as modernas anotações de rallye. Para a história, ficou a vitória do Mercedes 300 SLR nº 722 em 10 horas, 7 minutos e 48 segundos, a uma média horária de 157,65 Km, que se tornaria no recorde perpétuo desta prova, entretanto descontinuada dois anos mais tarde por questões de segurança. As notas de condução, que ainda hoje Stirling Moss preserva, foram escritas a lápis num longo rolo de papel que ia sendo desenrolado durante o percurso. Alojadas numa caixa de alumínio com uma janela de acrílico, essas notas serviam para “Jenks” informar Moss sobre o traçado, através de uma série de sinais manuais pré-determinados, num tempo em que não existiam intercomunicadores fiáveis. Moss, que já anteriormente participara na prova italiana, foi hábil na preparação da prova com reconhecimento do terreno – facto que lhes grangeou a vitória mesmo antes do início da corrida. A sua prestação foi de tal modo dominante, que o segundo classificado – o seu sobredotado colega de equipa Juan Manuel Fangio – só chegaria quase meia hora depois.

1600 quilómetros quase a fundo

Na prova desse ano, a primeira etapa arrancou como sempre de Bréscia, a descer na direcção de Verona e acabando em Ravenna, num total de 303 Km, que Moss cobriu em 1h 36m 20segs. Este tempo fantástico colocou a equipa o duo da Mercedes em segundo lugar, 1 min e 51 segs. atrás do Ferrari 121 LM de Eugenio Castelloti. A etapa seguinte ligava Ravenna a Pescara, numa distância de 327 Km, que o Mercedes Nº 722 cobriu em 1h 42 min e 53 segs., descendo para terceiro atrás do Ferrari de Taruffi e do outro Mercedes pilotado por Hans Herrmann, que estava em segundo por essa altura. Uns curtos 100 Km até Aquila, são percorridos seguidamente pelo 300SLR nuns incríveis 37 mins e 42 segundos, colocando Moss e Jenks à frente pela primeira vez na prova, que já ia com 730 Km percorridos em 3 h e 57 mins. Descendo em direcção a Roma, a equipa consegue percorrer os 144 Kms em 1h 6 min e 7 segundos, mantendo o comando da prova. Segue-se outra longa etapa para Siena, com 1hr 48 min e 14 segs. para percorrer os 227 Kms. Taruffi, que vinha em segundo lugar nesta etapa, desiste com a transmissão partida. A etapa entre Siena a Florença, rumo a Norte, tem apenas 70 Kms, deixando a equipa inglesa com apenas 8 segundos de avanço sobre o seu colega de equipa Herrmann após 36 min e 4 segundos de prova. Porém, também o piloto alemão seria vitima da etapa seguinte, a caminho de Bolonha, servindo os 107 Kms para consolidar em 1h, 1m e 26 segundos o avanço sobre o Ferrari de Maglioli. De Bolonha, a prova ruma a Cremona, numa distância de 185 Kms, percorridos a uns incríveis 154,569 Km/h de média. Finalmente, e depois da última etapa que ligou Cremona a Brescia, ao longo de 134 Kms, Moss e Jenkinson, são informados da sua vitória e da desistencia de Piero Taruffi, no seu 121LM. Nessa noite, a equipa de Alfred Neubauer celebra, no Hotel Vittoria, a vitória da Mercedes, mas foi Sterling Moss que deixou para a história, um recorde destinado a nunca mais ser batido, e um novo método de navegar em provas de estrada.

Texto: Jornal dos Clássicos/Paulo Araújo
Imagens: Arquivo Mercedes

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