Anos de Esquecimento

Arquivos 23 Set 1996

Anos de Esquecimento

Lembramos hoje um grande clássico francês que se encontra esquecido em Portugal. A propósito da Secção “Carisma” do mês passado um VEJA de anos 50, porventura o primeiro FV que entrou no país, “esqueceu-se” da classe que sempre teve. Se as imagens encontrarem o entusiasta que num projecto de restauro lhe dê vida nova, ficamos muito satisfeitos porque, para pior… já basta assim!

Breve História

Importado pela Guérin representante Facel, foi registado a 7 de Outubro de 1955 com a matrícula EF-22-33. Pouco depois, a 4 de Novembro foi vendido a Duarte Francisco Manuel. Passa dez anos de vida activa com o seu proprietário e a 11 de Janeiro de 1965 fica propriedade de Sebastião Pedro de Lemos Manuel Atalaya. Em meados da década de 70, por volta de 1975, é vendido, mas não se conhecem os registos posteriores. Grande automóvel que era, mesmo passados 20 anos, teve tempos difíceis no Portugal de então e ocorrem rumores que certa gente indesejável para a sociedade lhe causou problemas na justiça, embora a veracidade destes factos exija ser clarificada. Desde então e até aos dias de hoje, não mais voltaria a ser o mesmo…

O Modelo

Este exemplar entrou em Portugal pintado de duas cores, cinza-prata metálico no corpo de carroçaria e negro no tejadilho. Trata-se de um Véga FV 1 de 1955, transição dos Véga FV de 1954/55. Homologado a 15 de Março de 1955 este modelo terá sido um dos derradeiros FV 1 produzidos visto que chega a Portugal na altura de saída do modelo FV 2 de vidro panorâmico. O FV 1 tinha um chassis alongado em 12 centímetros de comprimento que tornava o FV Sport 2+2 num sport de 4 lugares “curtos”. Outra diferença: vinha equipado com um motor mais poderoso que o De Soto Firedome do Véga FV, um bloco V8 de 4.768 cc Fireflite da Chrysler.





Anos Recentes

Foi em Janes, perto da Malveira da Serra, que o descobrimos em 1989. As fotos publicadas (de 1991) reportam-se ao local onde esteve até 1994. Visitado em 1991 por Jean Daninos em nossa companhia, foi grande o seu desencanto ao ver um Facel por si criado tão degradado, mas com possibilidades de restauro. Ali estava um dos escassos 32 Véga FV 1 fabricados entre Março e Outubro de 1955, jantes Robergel, interior em couro, tablier escuro, volante “tulipado” e emblema brasonado no centro do tablier com as armas de Paris e o F de Facel pintado a vermelho no canto superior esquerdo.

Modelo talvez único em Portugal, abandonado anos a fio ao sol e chuva, iniciou trabalhos de chapa que seriam abandonados pelo seu eventual comprador (a venda abortou devido a problemas burocráticos em termos dos documentos do carro) continuando a saga ao mudar-se para Trajouce em 1994, local de onde o levaram para paradeiro desconhecido. Onde estará esquecido?

São luxos portugueses: “deitar fora” peças que despertam a maior atenção em todo o Mundo, sem sermos ricos para tal. Se a um Museu de Automóveis Antigos ou Clássicos fossem doados modelos que se encontram sem solução à vista para reviverem, que bom seria… os portugueses, conviverem com a originalidade de grandes automóveis que na sua época vieram para Portugal e são hoje mundialmente raros.

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