Leilões e Hispano-Suiza

Arquivos 22 Ago 1996

Leilões e Hispano-Suiza

Apontamentos que emergem a meio de trabalhos de pesquisas e histórias de pesquisas que não ficarão a meio, porque sabemos que, a nosso lado, cada leitor também é um investigador emborca o possamos ser de modos diferentes.

A curiosidade levantada pelo recente reaparecimento, em mais um leilão do “Maître-Priseur” Hervé Poulain, do Hispano-Suiza que pertenceu a Alves Reis, proporciona uma oportunidade para trazer à superfície, alguns elementos relacionados com automóveis e o famoso falsário. É que, de facto, não foi esta a primeira vez que aquele carro foi vendido em leilão.

Depois de ir parar à prisão, e de os bens lhe terem sido confiscados, as autoridades trataram imediatamente de, à porta mesmo do Banco Angola e Metrópole, leiloar não um, mais dois Hispano-Suízo. O outro era naturalmente o luxuoso Cabriolet Claridge de José Bandeira, o sócio e principal cúmplice de Alves Reis.





Como homem rico que era, José Bandeira havia decidido em Junho de 1925 encomendar a Letourneur & Marchand a execução da carrosserie e demais acabamentos sobre um chassis Boulogne, para juntar aos outros três automóveis que já tinha na garagem. Bandeira sabia exactamente o que queria e foi com precisão que especificou tudo o que desejava, num telegrama para Paris, que enviou àquele carrossier dos Campos Elísios: “Todo de madeira e ornamentos de aço, interior de madeira com bons acabamentos, pára-brisas inclinado com três elementos em vidro. Os vidros de separação entre o chauffeur e os passageiros, serão de deslizamento manual. Pequeno armário de madeira na rectaguarda.

Estofos de marroquim preto de primeira qualidade e capota de couro preto. O chão será coberto com uma carpete. Almofadas cheias com crina de cavalo. Telefone entre o compartimento do motorista e o dos passageiros. Carro vermelho com ornatos de prata e guarda-lamas pretos. Acessórios extra: três mala Vuitton, sendo uma grande e duas pequenas. E não esquecer os faróis Barker.”

Depois de todo o “gang” ter sido preso, os elementos que o constituíam viram-se naturalmente privados dos seus veículos e da sua liberdade. Contudo as imagens que hoje partilhamos com os leitores, revelam que nem por isso deixaram de andar de automóvel…

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