<strong>Ivo Baptista: “Eu Só Queria um Descapotável”</strong>

Clássicos 16 Ago 1996

Ivo Baptista: “Eu Só Queria um Descapotável”

Quando, em 1981, pensou comprar um descapotável apenas como objecto lúdico, Ivo Baptista estava longe de imaginar vir a mostrar-se sensível aos automóveis antigos e, muito menos, tornar-se num coleccionador interessado e atento a tudo o que se relaciona com cada um dos seus modelos que, por agora, constituem a sua colecção.


Quando surge a ideia da aquisição do descapotável, o procurado chegou a ser um Triumph Sptifire em segunda mão, dado que, à época, as fábricas não incluíam aqueles modelos nas suas programações normais. Contudo, o futuro coleccionador cedo abandona a pesquisa, porque alguém lhe diz ter visto um Mercedes 190SL, mas em péssimo estado, no Monte Estoril.


“Fui imediatamente ao Estoril, mas o estado do 190SL, não era péssimo, era catastrófico. Apesar disso, procurei comprá-lo, o que não se verificou porque o verdadeiro dono, o individuo que o tinha pago, não tinha em seu poder a respectiva declaração de venda. As questões burocráticas adivinhavam-se complicadas e, por isso, desisti.”

Ivo Baptista desistiu deste carro, mas não da marca e do modelo. A partir de então recomeça a busca e passou a anotar as matrículas e o local onde os que via. Não foram muitos, uns quatro ou cinco, entre os quais aquele que veio a ser o primeiro automóvel da sua colecção, um exemplar de 1957. Alguns meses depois, vê-o com a frente completamente destruída, a pintura estalada, um volante diferente e muito estragado e estofos não originais.

Decidi então ter chegado a hora oportuna para comprar o veículo desejado, o que vem a conseguir, embora com alguma dificuldade porque o dono, que o tinha adquirido apenas três meses antes, além de ainda não ter o registo de propriedade em seu nome, não se queria desfazer do automóvel.

“Foi uma longa conversa que se prolongou por uma noite dentro até sentir uma enorme alegria, quando chegámos a acordo. Trouxe logo os manuais de manutenção do 190SL e arranquei para a recuperação, procurando peças no representante, a firma C. Santos Lda, onde nada existia. Continuei a busca e, um dia, falei com o dono de um stand onde havia outro 190SL para venda, dando-lhe também conta do desejo de introduzir algumas alterações no meu descapotável, nomeadamente um novo volante, jantes de alumínio, estofos de outra diferente, etc.”

O belo Mercedes 190SL, “responsável” pela mudança de filosofia do coleccionador Ivo Batista


A reacção a este meu propósito e os conselhos que se lhe seguiram foram determinantes para passar a olhar os carros antigos com uma filosofia completamente diferente. Nessa ocasião, pode dizer-se, despertei para eles. A partir de então, Ivo Baptista percorre todos os caminhos de um coleccionador interessado, faz o calvário da procura de peças, muitas trá-las pessoalmente da Grâ-Bretanha, torna-se sócio do Clube português de Automóveis Antigos e tem ainda o privilégio de vir a conhecer o grande conhecedor que é o engenheiro Jacqques Touzet, que lhe incute novas perspectivas sobre os automóveis antigos.

O descapotável ficou pronto ao fim de um ano de muito trabalho, mas era já então o responsável por novas apetências e novos interesses. Era o início de uma colecção e, na garagem de Ivo Baptista aparecem, alguns anos depois, dois novos modelos: um Citroen 11BL de 1946 e um Fiat Balilla de 1936, hoje ambos em impecável estado de concurso.

A estrela da Mercedes em dimensões não habituais nos modelos da marca


“O Citroen comprei-o em 1985, nos arredores de Lisboa, em Pinheiro de Loures, aos herdeiros de um individuo que, em vida, estimara bastante o automóvel. Houve alguma dificuldade na aquisição, porque foi igualmente complicado ultrapassar a parte burocrática e a desconfiança dos familiares. O restauro, para o qual tive de trazer algumas peças de França, prolongou-se até 1991. Quanto ao Balilla, comprei-o através de um anúncio a um coleccionador. Parte do carro estava no Cadaval, sobretudo a mecânica, o capot e portas, tudo cada coisa para seu lado. O resto, a carroçaria sem piso, o bloco, pistons, cambota, etc. encontravam-se na Parede a servir de poiso a galinhas. Foi uma odisseia, pois tive que comprar outro carro para reconstruir este. Foram oito anos de trabalhos…”

Entretanto, na oficina, encontram-se a restaurar um Morris Minor de 1949, um dos primeiros de volante à esquerda e um Karmann Ghia de 1962, aos quais se juntará, em breve, um VW de óculo oval de 1954. Para quem queria apenas um simples descapotável.

Inconfundível a linha de um Mercedes produzido para quem não adquiriu um 300SL

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