<strong>IV Salão do Automóvel Antigo da Amadora – O Brilho dos Anos 50 e 60</strong>

Automobilia 15 Ago 1996

IV Salão do Automóvel Antigo da Amadora – O Brilho dos Anos 50 e 60

Pelo quarto ano consecutivo, a Fábrica da Cultura, na Amadora, recebeu o Salão do Automóvel Antigo local, que decorreu de 27 a 30 de junho. O “figurino” adoptado para esta edição diferiu do das anteriores, pelo facto de ter havido um leilão muito pouco concorrido e, facto mais marcante (e que de cera forma poderá ter contribuído para um menor “vigor” do Salão), não foi realizado conjuntamente com o Rali dos Templários, como vem sendo hábito. Paralelamente a este evento decorreu ainda um Concurso de Elegância, um passeio de clássicos a Sintra e a já tradicional automobilia.

Apesar de algumas contrariedades, o IV Salão de Automóveis Antigos da Amadora conseguiu mostrar a cerca de 4 000 visitantes mais de seis dezenas de veículos, dez motas e 52 automóveis, no conjunto das viaturas a leiloar (41), a concurso e simplesmente em exposição em stands de clubes (21 no total). A mostra teve grande mérito da diversidade, uma vez que reuniu clássicos de várias décadas (de 1921 a 1995, estando neste caso a mota Ural com sidecar) e uma variedade de marcas assinalável.


Um Ford T do final dos anos 20, quase na transição para o modelo A



As Décadas Mais Representadas

Os anos 50 e 60 foram, de todos, os mais bem representados com uma “embaixada” de 25 automóveis e oito motos. O Ford Vitoria, de 1955, com 3.642 cc, era dos mais bonitos em exposição referente a este período, sem contudo deixarem de merecer referência os MG TF e TD, de 1953 e 1952, respectivamente, e que foram os primeiro e segundo classificados na categoria II (1947 até 1969) do Concurso da Elegância.

A assinalar o fim desta década estava um Renault Dauphine, de 1959, com 845 cc. Deste período fazia ainda parte um conjunto de três automóveis (destinados ao leilão) para restaurar: um Ford Anglia de 1958 e, num só lote, um Simca Elysée L’Aronde, de 1957. Destaque também para o Renault 4 CV, de  1955, pertencente a Paulo Sousa, que costuma fazer notar a sua presença em vários passeios e ralis, e que foi galardoado com o terceiro lugar na Categoria II (veículos de 1947 até 1960) do Concurso de Elegância. No que às motas diz respeito, a década de 50 foi a mais “pródiga” de todas, tendo reunido seis marcas de cinco anos de anos diferentes. O “ramalhete” era composto por uma Matchless G3/LS, de 1952, com 350 cc; uma Triumph TWN Boss, de 1954, com 350 cc; uma BMW R/25 com side car, de 1955, exposta no stand do CPAA; uma bonita Scooter Gogomobil 200 Luxo, também de 1955 e com 200 cc; uma NSU Sportmax, de 1056, com 247 cc, e única a participar no Concurso de Elegância; e, finalmente, uma BSA B.31, de 1959, com 350 cc.

No que se refere à década de 60, foi sem dúvida a mais representativa dos 17 clássicos que compunham a representação deste período, havia 16 marcas diferentes, que agradariam por certo a igual número de gostos. Desde o Ferret, uma viatura blindada de reconhecimento de 1969, de origem britânica e que recebia os visitantes logo à entrada da exposição, passando pelos portentosos Jaguar E Type (um de 1965 e outro de 1967), até a um majestoso Daimler V8 Saloon MK II, de 1966, a variedade era imensa.

Destaque ainda para um curiosíssimo Sryer Puch Haflinger 703 APT, de 1967, um automóvel que pode atrelar reboques com 1470 quilos de peso e para o Siata Spring Cabrio, de 1968, com 850 cc. Um Aston Martin DBS (de 1969 e com um motor de quatro litros) alcançou o terceiro lugar na categoria III (veículos a partir de 1961) do Concurso de Elegância. Ainda nesta categoria, os restantes classificados foram, no segundo lugar, o Lotus Elan +2, de 1968, com 1558 cc, e, na primeira opção, o belo Daimler V8 Saloon MK II, de 1966, viatura pertencente a Lídio do Amaral. No capítulo das motas, há a assinalar a presença neste Salão de uma AJS 16 MS, de 1962, com 350 cc e uma BMW R26, de 1966, com 250 cc.

Um Notável das Corridas

Dos anos anteriores à Segunda Grande Guerra, estiveram presentes automóveis de excepção. O mais antigo de todos era um Mercedes 28/95, de 1921, com uma peculiar carroceria em madeira e alumínio (o capot) e que tem um palmarés notável em provas desportivas da década de 20 e início dos anos 30. Equipado com um potente motor de 7,28 litros, com seis cilindros, este Mercedes venceu o quilómetro de arranque da Avenida da Liberdade em 1922 e o quilómetro lançado da Avenida da Boavista, no Porto, em 1923. Em 1924 fez 6 494 quilómetros em 49 dias, num percurso que abrangeu Madrid, Barcelona, Zurique e Freiburgo; em 1927, cumprindo uma média horária de 42,285 km/h, foi de Lisboa a Coimbra e voltou; quatro anos mais tarde, em 1931, “voou” de Cacilhas a Elvas, num total de 234 quilómetros em 2h53m.

O curioso Mercedes 28/95, de 1921, o automóvel mais antigo em exposição



Do período referido faziam também parte quatro dos veículos galardoados na Categoria I (veículos até 1946) do Concurso de Elegância. São eles o Bugatti, de 1927, que alcançou o terceiro lugar; o Ford A Cabriolet, de 1931,e i inconfundível Fiat Topolino, de 1938, que ficaram, ex-aequo, na segunda posição; e, finalmente, o Mercer 6 Rocetester, de 1934, com 5500 cc e seis cilindros  e carroceria “Race About”, que venceu esta categoria do Concurso de Elegância.

O Mercer Rocetester, de 1934, pertencente a Helmut Peitz e que venceu o Concurso de Elegância na Categoria I (veículos até 1946)



Os Mais Recentes

Das décadas de 70 e 80, o IV Salão do Automóvel Antigo da Amadora contou com a presença de alguns automóveis de eleição. Foi possível contemplar desde um Ferrari 308 GTSi, de 1982, a um Lancia Fulvia Coupé 1.3 S, de 1972, passando pelo bonito Alfa Romeo 2000 Spider, de 1973. Os automóveis britânicos estiveram em força na representação das duas últimas décadas – das 15 viaturas deste período, sete pertenciam ao país de Shakespeare. Os Triumph marcaram a sua presença com um modelo GT 6, de 1971, um Spitfire MKIV, de 1973, e por fim, um TR7, de 1981, aquele que foi talvez o menos vendido de todos os modelos da marca.

O impecável MG TF, de 1953, pertencente a António Simões do Paço, e que venceu o Concurso de Elegância na Categoria II (veículos de 1947 até 1960)



Refira-se ainda o elegante Jaguar XJ6 cinzento, de 1973, com motor de 4.2 litros e também os automóveis que ostentavam a marca das Morris Garages, que se fizeram representar por três modelos: um MG Midget MKII, de 1971, e no stand do MG Club de Portugal, um MGB GT, de 1972 e um MGB, de 1976. A automobilia, um evento paralelo a que este Salão da Amadora já nos habitou, não registou grande sucesso. Apesar de estarem presentes apenas de três colecionadores, a diversidade, ainda assim, teve algum nível: emblemas Austin e Rover, um auto-rádio (ainda em funcionamento), que custava 30 contos, vários manómetros e alguns livros compunham a oferta de uma das bancadas.

Imediatamente ao lado, os catálogos eram o prato forte, sendo o mais caro o referente aos Delahaye, anterior à Segunda Guerra Mundial e que custava 12.500 escudos. Também apontados como raros ou importantes, estavam à venda catálogos dos Morgn 3 Wheeler e dos Lincoln Zephir V-12. Por fim, era possível adquirir, noutra bancada, miniaturas Meri Kits e Starter para montar cujos preços variam entre os 3.500 e os 5.000 escudos, além de algumas miniaturas Dinky Toys (como um Austin A35) e de uma pequena debulhadora que segundo foi explicado, foi feita por uma fábrica inglesa para oferecer aos seus melhores clientes e de que só deve haver cerca de 100 exemplares em todo o mundo.

Quanto ao passeio de automóveis antigos, reuniu cerca de 15 viaturas, que passaram por Belas, Vale de Lobos (onde decorreu o almoço) e Sintra, de onde se dirigiram ao aeródromo para uma “sessão fotográfica” com aviões antigos. Foi assim o IV Salão de Automóveis Antigos da Amadora, que se quer retomado e com mais fulgor para o ano.

Um Ferrari de hoje que, amanhã será clássico
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