O Delta HF Integral(mente)

Clássicos 01 Dez 2018

O Delta HF Integral(mente)

Por Bruno Machado

Delta 

 

 

Inicialmente um pacato utilitário, o Lancia Delta tornou-se uma lenda dos ralis, brindando os fãs da modalidade com uma versão civil, que conheceu várias evoluções.

 

HF Turbo

 

 

As letras HF (por High Fidelity) surgem no Delta em 1983 com a colocação dum turbo no 1600 cm3 do GT i.e.. Assim nasce o Lancia Delta HF Turbo cuja carreira se prolongará até ao início dos anos 90, destacando-se uma versão Martini, com as pinturas de guerra já famosas nos ralis mundiais. O carácter desportivo ainda que discreto, mantendo-se os faróis quadrados das versões mais civilizadas, conta com um motor sobrealimentado de 135 cavalos, o que já dá para tornar as viagens um pouco mais divertidas…

 

HF 4WD

 

Mas é em Maio de 1986 que nasce verdadeiramente a saga do Delta HF tracção integral, com o Delta HF 4WD, que vai iniciar o domínio da Lancia no Grupo A do mundial de ralis a partir de 1987 depois do fim do Grupo B. Troca o 1600 pelo 2000 turbo de 165 cavalos do Thema. A potência aumentada aliada às propriedades da tracção às quatro rodas torna o Delta num automóvel particularmente eficaz na estrada. Esteticamente os faróis quadrados são substituídos por dois faróis de cada lado da grelha central.

 

HF Integral

 

 

No final de 1987 é apresentado o Lancia Delta HF Integrale. O motor é revisto, atingindo agora os 185 cavalos e a carroçaria é mais demonstrativa com guarda-lamas mais largos, sendo que as rodas passam de 14 para 15 polegadas.

 

HF Integral 16V

 

 

Dois anos depois, o Delta vê a sua potência aumentar para 200 cavalos graças à culaça de 16 válvulas. Esteticamente, a diferença mais visível reside na bossagem do capô com as suas entradas de ar para o arrefecimento do motor. As performances aumentam (o consumo também) e o comportamento é melhorado, nomeadamente graças à repartição da tracção (47% à frente e 53% atrás) que reduz a tendência de sob-viragem. Nas pistas, os títulos mundiais acumulam-se.

 

HF Integral EVO

 

 

Em 1991, ano do quinto título mundial consecutivo, surge a última fase do Delta HF Integrale, com o lançamento do Evoluzione, também conhecido por “Deltona”, cuja potência chega agora aos 210 cavalos. O Delta ganha ainda mais músculo com guarda-lamas maiores, devido ao alargamento das vias, para-choques com aberturas  maiores para o arrefecimento, os quatro faróis passam a ter o mesmo diâmetro, o capô é ainda mais agressivo, só uma saída de escape em vez de duas e as jantes da versão rali passaram para a versão de estrada.

 

HF Integrale Martini 5

 

 

Para comemorar o 5º título mundial consecutivo é lançada a edição Martini 5 limitada a 400 exemplares, identificável com a sua cor branca, grelhas de capô pretas, autocolantes Martini, jantes brancas, bancos Recaro pretos com cintos vermelhos.

 

HF Integrale Martini 6

 

 

Mas o Delta HF Integrale parece não querer sair de cena. O fim da equipa oficial em 1991 não impede a conquista dum sexto título em 1992 com uma equipa privada, comemorando-se o feito com uma Martini 6, limitada a 310 exemplares e que pouco difere da edição anterior (autocolantes, bancos….)

 

HF Integrale Evo II

 

 

As normas ambientais mais exigentes obrigando a adopção dum catalisador e o sexto título mundial, levam a Lancia a comercializar um Evoluzione II, com uma potência elevada para 215 cavalos, compensando-se o aumento de peso em 50 kg. Só um olhar muito afinado permite distinguir o Evo.II do Evo.I (vidros fumados num tom mais azulado, guarda-lamas,…).

 

Não, o Delta decididamente não quer sair de cena… ou serão os fãs que não querem que ele saia? O certo é que várias edições limitadas do Delta HF Integrale baseadas no Evo II serão comercializadas entre 1992 e 1995:

 

 

Verde York com interior bege, limitada a 500 exemplares.

 

 

Club Italia, azul Lord e interior vermelho, limitada a 15 unidades numeradas do nº1 ao nº16 (o nº13 não existe). Entre os proprietários encontramos Mauro Forghieri e Clay Regazzoni. A ignição era através do botão e não apenas com a chave.

 

 

Club Lancia, limitada a sete unidades, vermelho Rosso Monza e a linha azul e amarela duma ponta à outra.

 

 

Club HiFi, limitada a 20 unidades, e disponível em azul ou vermelho mas sempre com a mesma linha azul e amarela, oferecia aos clientes uma capa de protecção e um conjunto de bagagens a combinar com a carroçaria.

 

 

Giallo Ginestra, amarelo na carroçaria e nas costuras dos bancos Recaro, tinha jantes de 16 polegadas em vez de 15 do Evo II que servia de base. Só foram fabricados 220.

 

 

Bianco Perlato, limitada a 365 exemplares, com a carroçaria em branco pérola e um interior (bancos e volante) de azul. Também beneficiava de jantes de 16 polegadas.

 

 

Blu Lagos, limitada a 215 exemplares, propunha uma carroçaria com um azul único (que dava o nome à série) e um interior bege.

 

 

Final Edition destinado exclusivamente ao mercado japonês e produzido em 250 exemplares (alguns acabaram por regressar para a Europa). Além de outras especificidades, é o único “Deltona” com os faróis de tamanho diferente, à semelhança das fases anteriores.

 

 

Dealer’s Edition, esta é mesmo a última das últimas, limitada a 173 exemplares e produzida a partir do final de 1994. Tinha um Rosso Perlato específico, um interior com bancos Recaro bege e a ignição era pelo botão colocado no tablier.

 

 

Já fora de série, podemos citar ainda o cabriolet único para o presidente do grupo, Gianni Agnelli, baseado no Evo II mas com uma potência que terá sido aumentada para os 250 cavalos. Mesmo à patrão…

 

 

E por fim, destaque para o Hyena Zagato, que mais não é do que um Delta Evo I mas mais leve, graças à carroçaria em alumínio e à utilização de carbono no interior (painéis de porta, tablier,…). Com uma potência de 250 cavalos e um peso mais contido, as performances eram superiores ao Delta que lhe servia de base.

 

O Hyena é sobretudo uma história de teimosia do importador holandês Paul Koot que quis um automóvel fora de série, na tradição do design italiano. Sem o apoio da Lancia (que apenas autorizou o uso do nome), teve de adquirir os Deltas na Itália, enviá-los para a Holanda para serem retirados os elementos interiores, reenviá-los para a Itália para que nos ateliês da Zagato recebesse a nova carroçaria e trazê-los de volta para a Holanda para os últimos acabamentos. Tal logística reflectiu-se no preço final e, consequentemente, nas vendas, com cerca de 25 modelos vendidos.


TAGS: Lancia Delta HF Integrale


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