Lisboa ao Cabo Norte: A preparação da viagem

Clássicos 30 Nov 2018

Lisboa ao Cabo Norte: A preparação da viagem

Por Rui Pedro Albuquerque

Foi na arrumação da confusão do meu sótão (e como “diria” a minha cadela; ão, ão) que reencontrei uma revista antiga de motas que nunca mandei fora por causa de um artigo em particular – a reportagem na primeira pessoa de um aventureiro que fez a ligação entre o Porto e o Cabo Norte na Noruega! Essa viagem de mais de 12.000 quilómetros foi feita de mota e a solo, demorando 16 dias ida-e-volta.

 

Nunca me esqueci do que li, e nas várias escolhas que fiz de jornais e revistas que já não me interessavam acabei por manter a revista num canto meio perdida, ao contrário da minha vontade de fazer uma aventura idêntica: ligar o Cabo da Roca ao Cabo Norte! São os pontos mais oriental e mais a norte da Europa continental e distam mais de 6.000 quilómetros entre si. A viagem totaliza entre 12.000 e 13.000 kms e atravessa nove países pela rota mais lógica, podendo aumentar ambas as contas se o regresso não for feito pelo mesmo caminho da ida. Os planos no meu caso são para fazer de automóvel, mas ainda assim são muitos quilómetros de imprevistos e estradas desconhecidas, muitas culturas e hábitos diferentes, muita coisa que pode correr mal, ou muito mal, e atrasar ou até inviabilizar de todo o projecto ou a meio dele, sabe-se lá onde e em que condições!

 

Isto promete… desafiante sem duvida… vamos a isto??

 

Preparação

Porquê este ano? Não sei…como já disse, embora o projecto nunca tivesse ficado esquecido foi com a descoberta da dita revista que o sonho ganhou intensidade novamente, quando peguei nela e após a alegria inicial de a ter reencontrado (sabia que a tinha mantido embora não soubesse onde) a minha primeira sensação foi de espanto pois a viagem fonte da minha inspiração tinha acontecido já há mais de 15 anos! Pois é… o tempo passa e não nos podemos distrair muito ou as condições do “cabedal” desaparecem, e quanto a isso não há volta a dar.

 

Mas intenções valem o que valem e quanto ao resto paciência! Só que, na hora de marcar as férias no meu emprego (…ou trabalho!) acabaram por ficar duas semanas à escolha em 3 das semanas de Junho. Como é esse exactamente o mês em que existem mais horas de dia, o que facilita a condução, e é também onde existe o solstício de Verão a contribuir para o Sol da meia-noite nos países nórdicos, dei por mim a perguntar-me; “e se forem essas três semanas?”. Com a resposta positiva da chefia começaram as minhas alegrias, duvidas, receios, medos, etc.

 

Primeiras coisas a fazer: decidir com quem ir e preparar a viagem! A primeira parte foi fácil, o meu filho já “está noutra” e a ir teria de ser com a namorada, ainda assim tem outros planos… Por uma questão lógica falei com a Sandra (a minha esposa) e com o Ricardo (companheiro de muitas viagens, férias, copos, etc…). E pronto, ambos aceitaram embarcar na aventura! Três pessoas ao todo, acho que está dentro do ideal das 2-3 pessoas, sozinho não seria fácil e acho que iria faltar alguém com quem partilhar a experiência, e mais do que três pessoas julgo que traria problemas a nível de espaço no carro e dificuldades a nível do alojamento, por exemplo. Portanto, quanto a companheiros de viagem estamos conversados!

 

 

Já no que diz respeito à preparação da viagem propriamente dita, as coisas estavam mais complicadas! Tendo experiência em viagens de carro, em Portugal e na Europa, mas desta vez a distancia e os imponderáveis são tão grandes que não sei por onde começar e se vale a pena planear certas coisas como por exemplo reservas de hotéis; basta haver um atraso qualquer para não chegarmos naquele dia à zona do hotel em causa… aliás pode nem ser qualquer problema a atrasar, pode por exemplo dar o sono para nos primeiros dias se fazer menos 300-500 quilómetros e ficarmos a essa distancia do hotel… e depois ficarmos com todas as reservas adiantadas um dia, ou seja, não iriam servir para nada! E, uma coisa é planear uma viagem com por exemplo 300 quilómetros (Lisboa-Porto ou Lisboa-Faro), se chegarmos atrasados um ou duas horas não há grande problema, chega-se no mesmo dia… agora uma viagem com 40 ou mais vezes essa distância ( ah pois é…), a história já é outra!

 

Acho que vou confiar na experiência adquirida ao longo dos anos… desde criança que viajo pelo país para ir a zonas de pesca, para acompanhar o meu clube de coração (o do lado certo da 2ª circular), para ver ralis, provas de rampas, karting, etc… mais tarde pela Europa para ver as 24 horas de Le Mans, salões automóvel, provas de dragster, ir a eventos vários como por exemplo a Oktoberfest, durante anos fui comprar automóveis à Alemanha a stands e a feiras – ia de avião e regressava a Portugal por estrada.

 

Enfim, são muitos anos a fazer muitos quilómetros, de avião, com automóveis acabados de comprar e ter de fazer cerca de 2.500 quilómetros para chegar a casa, muita viagem de mota que obriga a um planeamento logístico cuidado pois só podemos contar com uma mochila, muita noite dormida em hotéis (de toda a espécie!), parques de campismo, dentro do carro por vezes sabe-se lá onde… é muito quilómetro a confiar nos bons ou maus humores do S. Pedro, a confiar na fiabilidade mecânica, ás vezes à procura de combustível no meio do nada… são muitas, mesmo muitas histórias com muitíssimos imprevistos, mas sempre com um final, seja ele qual for!

 

Está resolvido: se há coisas que requerem uma boa e cuidada preparação, agora o melhor é confiar nos 30 anos de experiência em viagens e deixar a capacidade de improviso resolver um problema de cada vez…



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