Porsche 914/6: Um modelo, duas marcas

Arquivos 02 Nov 2018

Porsche 914/6: Um modelo, duas marcas

O Porsche 914 resultou de um trabalho conjunto entre a Porsche e a Volkswagen. A ideia era criar um pequeno desportivo, de preço acessível. No caso da Porsche, o objectivo era que passasse a funcionar como o seu modelo de entrada, para substituir o 912. Para a Volkswagen, o 914 seria o substituto do Karmann-Ghia Tipo 34. O acordo ficou apalavrado entre Ferry Porsche e Heinz Nordhoff. Na parceria ficou acordado que o design do modelo seria atribuído à Porsche, a motorização e a distribuição caberiam à Volkswagen e a construção da carroçaria estaria nas mãos da Karmann-Ghia (que já tinha trabalhado nos Porsche 911 e 912).

 

Todavia, em 1968, um ano antes da apresentação do automóvel, Heinz Nordhoff morre (meio ano depois de ter sofrido um ataque cardíaco). Para o seu lugar, ascende Karl Lotz, que paralisa o projecto do 914. Ferry Porsche consegue, contudo e após muitas discussões, convencer Lotz a prosseguir o investimento, formando-se a VW-Porsche Vertriebsgesellschaft Gmbh, com uma divisão nos EUA (Porsche-Audi). Ficou, então, acertado que os veículos comercializados nos EUA seriam enviados com o emblema Porsche. Para a Europa, o 914 seria vendido pela Volkswagen com a marca Volkswagen-Porsche.

 

O 914 é, assim, apresentado em 1969, no salão de Genebra. Consiste num dois lugares, que ficou conhecido como “VW Porsche”. O 914 media 3,98 metros de comprimento, possuía vãos curtos, um tejadilho ao estilo de um “Targa” (possível de remover e guardar na bagageira) e ópticas escamoteáveis como as suas principais características. Com motor de colocação central, o veículo foi lançado em duas opções de motor: 1,7 litros com quatro cilindros em linha boxer com 81 cv (do Volkswagen 412) e um 2.0 de seis cilindros em linha com 101 cv (motor do Porsche 911 T). O primeiro recebeu a designação 914, ao passo que o segundo ficou apelidado de 914/6. Tanto a transmissão como a suspensão e travões eram Porsche. Nos modelos de seis cilindros, a ignição estava localizada à esquerda da coluna de direcção, uma solução tipicamente Porsche.

 

A aceitação comercial do automóvel acabaria por não ser a melhor, tendo para isso em muito contribuído a sua imagem logo à nascença (pois poucos clientes da Porsche queriam um automóvel cuja base era um VW) e o seu posicionamento em termos de preço.

 

O 914/6, por exemplo, custava apenas ligeiramente abaixo do 911T. Confrontada com vendas diminutas, a Porsche opta por descontinuar, em 1972, a variante 914/6, de seis cilindros, da qual se fizeram pouco mais do que 3.300 unidades.

 

Para o lugar deste bloco veio um novo 2.0 litros de 100 cv, ao passo que, em 1974, o 1,7 litros é também rendido por um 1,8 de 85 cv. Apesar desta tentativa de reanimar o modelo e as vendas os clientes nunca se entusiasmaram. O ciclo de produção do 914 aproximava-se do fim, o que ocorreu em 1976. Ao todo foram produzidos 118 mil veículos, dos quais 75% exportados para EUA.

 

Este e outros modelos icónicos da Porsche podem agora ser vistos na exposição temporária “Porsche: 70 anos de evolução”, patente no Museu do Caramulo.

 

Veja a galeria em baixo com algumas das melhores imagens do Porsche 914/6.

 

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Faltou acrescentar o bom palmarés do 914 em provas de velocidade